Festa Junina e Diabetes

Sabrina Soares de Santana Sousa

Sabrina Soares de Santana Sousa

  • Nutricionista Clinica
  • Educadora em Diabetes e Bomba de insulina
  • Membro do Centro de Diabetes - ACR Diabetes
  • Membro do departamento de Nutrição da SBD - Biênio 2018-2019
Festa Junina e Diabetes

Bolo de aipim, bolo de carimã*, bolo de milho, canjica ou mungunzá, amendoim, milho verde cozido e assado, pamonha... Quem é brasileiro, e especialmente nordestino, sabe bem de que época do ano estamos falando: Festejos Juninos!!!

Nessa época, quem tem diabetes precisa de respostas para algumas questões específicas: Como contar carboidrato do amendoim cozido, da canjica ou do bolo de milho? Posso comer alimentos com leite de coco? Isso interfere na minha glicemia?

No Nordeste, sobretudo, muitos ingredientes presentes nos festejos são utilizados ao longo do ano inteiro, mas nesse período a frequência de consumo aumenta bastante. Alimentos a base de farinha ou flocos de milho, tapioca, amendoim, além das raízes como carimã, aipim* e leite de coco... Duas dificuldades básicas nós enfrentamos nessa época: porcionamento e teor de gordura das preparações.

A forma de preparo dos alimentos é de extrema importância, pois quem tem diabetes e um bom grau de conhecimento em contagem de carboidrato pode introduzir com responsabilidade alimentos que contenham açúcar. Mas, é preciso saber se está presente no preparo, seja na forma de açúcar branco, mascavo, mel, melaço ou até leite condensado. Isso certamente fará diferença na contagem e no cálculo da dose de insulina ultrarrápida ou regular a ser aplicada.

Na grande maioria das cidades nordestinas, principalmente as do interior, ainda são acesas fogueiras para receber e aquecer as visitas de amigos, familiares e vizinhos na noite de São João, ao som de músicas e decorações típicas, e uma mesa farta de guloseimas. Por isso, todo cuidado é pouco no sentido de se conhecer o preparo específico de cada prato para não “contarmos gato por lebre”.

Uma das bebidas dessa época é o licor, muitas vezes de confecção caseira e o açúcar normalmente está presente. Cuidado redobrado deve ser dado a esse item, pois apesar de o açúcar aumentar a glicemia, o álcool pode provocar hipoglicemia, sobretudo no final do festejo e induzir a queda da glicose durante a madrugada, e pode ser perigoso.

Não custa reforçar que o conhecimento das porções dos alimentos são um dos segredos de uma boa contagem de carboidratos. Por isso, fique atento se sua fatia de bolo continua do tamanho habitual, se cresceu ou até diminuiu porque isso também fará diferença na dose final de insulina. Uma fatia de bolo pode facilmente conter de 30 a 60g de carboidratos a depender da forma de preparo. No Guia de Contagem de Carboidratos da SBD há vários tipos de bolos e outros alimentos, para facilitar este cálculo.

Outra questão é o teor de gordura na dieta, que aumenta com o maior consumo de alimentos mais gordurosos. O efeito disso é que cerca de 10% podem se converter em glicose depois de algumas horas e/ou causar certa resistência a ação da insulina, além de retardar o esvaziamento gástrico. Hoje, existem algumas técnicas que tentam mimetizar o efeito da gordura em excesso na contagem de carboidrato. Para os usuários de bomba de insulina o uso dos bolus Multionda ou Onda Dupla são fundamentais. Para quem usa caneta, fazer a divisão da dose de insulina aplicada também pode ajudar na tentativa de cobrir o efeito mais prolongado da gordura na glicemia.

* O mesmo alimento pode ter nomes diferentes nas diversas regiões do país, como o aipim = macaxeira = mandioca; o mugunzá = canjica; e o carimã = mandioca puba.

Segue a receita de uma preparação bem típica dessa época do ano, o mungunzá, muito conhecido no nordeste, chamado também de chá de burro e mingau de milho branco em algumas cidades da região norte, e de canjica branca no sudeste, centro oeste e sul:


RECEITA DE MUNGUNZÁ (canjica branca):

500g de milho para mungunzá

1 e ½ xícara de açúcar

2 paus de canela

4 cravos da índia

1L de leite

200 ml de leite de coco

1 colher de sopa de manteiga

Sal a gosto

MODO DE PREPARO:

Coloque o milho de molho de um dia para o outro. Troque a água e coloque na panela de pressão juntamente com a canela e o cravo, por 30 a 40 minutos, resfrie e observe se o milho está macio. Se necessário, leve mais alguns minutos ao fogo. Quando achar suficiente, acrescente o leite de coco, sal e a manteiga. Misture bem e acrescente o leite aquecido. Leve ao fogo mais um pouco até levantar leve fervura. Deixe esfriar um pouco e sirva com canela em pó.

Rendimento: 08 porções.

Informações nutricionais (1 xícara (chá) 200 mL):

Calorias = 353 calorias

Carboidratos = 46g

Proteínas = 4,8g

Gorduras totais = 25,4g

Fibras = 2,4g

Sódio = 80 mg


RECEITA DE MUNGUNZÁ LIGHT (canjica branca light):

500g de milho para mungunzá

2 paus de canela

4 cravos da índia

1 L de leite desnatado

200 ml de leite de coco light

1 colher de sopa de manteiga light

Adoçante forno e fogão e sal a gosto

MODO DE PREPARO:

Coloque o milho de molho de um dia para o outro.

Troque a água e coloque na pela de pressão juntamente com a canela e o cravo de 30 a 40 minutos, resfrie e observe se o milho está macio. Se necessário, leva mais alguns minutos ao fogo. Quando achar suficientes, acrescente o leite desnatado aquecido, o leite de coco light, sal e a manteiga. Leve ao fogo mais um pouco até levantar leve fervura. Tire do fogo, acrescente o adoçante, misture bem, deixe esfriar um pouco e sirva com canela em pó.

Rendimento: 08 porções

Informações nutricionais (1 xícara (chá) 200 mL):

Calorias = 233 calorias

Carboidratos = 33,3g

Proteínas = 4,6g

Gorduras totais = 8,4g

Gordura Saturada = 1,5

Fibras = 2,4g

Sódio = 120 mg

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