Nota 1 - este artigo foi escrito em 2006 e está sendo republicado devido à infecção causada pela super-bactéria e presente em alguns hospitais brasileiros.

Em fevereiro de 2006, a Associação Médica Britânica (BMA) divulgou suas diretrizes sobre um assunto que sempre atormentou a classe médica: a Roupa de Trabalho.

Intitulado “HealthcareAssociated Infections”, o relatório condena com rigor o uso da gravata e do hábito de circular com aventais e jalecos fora dos ambientes hospitalares, por serem formas comuns de transferências de germes patógenos entre os clientes.

Estudo anterior do New York Hospital Queens, EUA, realizado em 2004, afirmava ter encontrado bactérias causadoras de doenças em cerca de metade das gravatas usadas pelos médicos. Vale lembrar que embora os aventais sejam lavados freqüentemente, as gravatas, por sua vez, raramente o são.

No Brasil, a moda das gravatas não é nova, mas recentemente temos visto aumentar o uso entre colegas médicos. Estar bem vestido aumenta a respeitabilidade e a confiança dos pacientes, que costumam até presentear os seus médicos com as melhores grifes.

Até os anos 80, os médicos costumavam vestir-se com camisas e calças brancas. Era mais ou menos o que a etiqueta chama de “esporte fino”.

Era assim que costumavam trabalhar nos hospitais, postos de saúde, Ministérios, Tribunais, Congresso Nacional e nos seus consultórios. Também vestidos de branco, trafegavam nos seus veículos (quase sempre fuscas) e nos espaços urbanos. Isto dava certo status e em geral, abria algumas portas, principalmente as bancárias...

Com o tempo, outras categorias passaram a usar o branco e pouco a pouco, nós médicos, mudamos.

O que mais se vê hoje, principalmente nas proximidades de ambientes hospitalares, é o profissional usando jalecos com brasões bordados nas mangas ou nos bolsos, estampando orgulhosamente o logo da sua instituição. Em algumas situações, o profissional usa aventais doados por instituições, que estampam suas logomarcas como mais uma forma de “marketing”.

São os chamados aventais “Fórmula 1”. Na verdade, os aventais não deveriam circular fora da área dos hospitais e clínicas, como forma de prevenção de infecções.

O relatório da BMA conclui que, além dos cuidados com as vestimentas, ainda vale a máxima de que lavar as mãos com água e sabão entre um procedimento e outro é a forma mais simples de evitar a propagação de infecções no ambiente hospitalar.

Nota 2 - estudos mais recentes mostraram a presença de germes patógenos em objetos utilizados pelos profissionais de saúde, tais como: miccrocomputadores, palms, telefones celulares e manuais. Todo o cuidado é pouco.

Saiba mais em: 

www.iht.com/articles/2006/03/01/opinion/edsokol.php... 

www.bma.org.uk/ap.nsf/Content/HealthcareAssocInfect~s

 

Dr. Reginaldo Albuquerque
Médico, Editor do site da SBD. Research Fellow da Universidade de Londres (1975-1979). Ex-professor de endocrinologia da Universidade Brasilia (1967-1982). Ex-superintendente de Ciências da Saúde do CnPq (1982-1990).

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Informações do Autor

Dr. Reginaldo Albuquerque
Research Fellow da Universidade de Londres (1975-1979)
Ex-professor de endocrinologia da Universidade Brasilia (1967-1982)
Ex-superintendente de Ciências da Saúde do CnPq (1982-1990)