Home Page SBD
moldura canto

Biografia

Dr. Francisco Arduíno

Proveniente do interior de São Paulo, Francisco Arduíno mudou-se para o Rio de Janeiro ainda menino, aos 16 anos, com uma finalidade já traçada: ser Doutor. Em 1940, já no quarto ano da faculdade, publicou com seus amigos, Dr. Max Nelson Senise e o Dr. Luiz Miller de Paiva, o seu primeiro livro – Apontamentos de Química Fisiológica – que se destinava aos alunos do segundo ano sobre a parte prática do curso.

No sexto ano da faculdade recebeu o “Prêmio da Bayer” da Sociedade Acadêmica De Medicina e Cirurgia, conferido ao melhor trabalho sobre Clínica Médica, cujo assunto era “Infarto do Miocárdio”. Em 1942, ainda na faculdade, traduziu do original em inglês uma parte do “Tratado de Anatomia Humana”, de Gray Lewis, publicado pela Editora Guanabara. No mesmo ano concluiu sua graduação pela faculdade Nacional de Medicina (hoje UFRJ).

Nos primeiros anos de recém-formado passou dificuldades para conseguir algum emprego, tendo que agarrar a tudo que, no campo de uma boa medicina, acenava com alguma perspectiva de renda para sua sobrevivência e permanência numa grande metrópole.

Francisco Arduíno não cogitava a menor possibilidade de voltar a sua cidade natal. Segundo o doutor, “minha cidade natal me parecia pequena para colocar em prática o que minha mente projetava”. Assim, durante 12 anos foi médico de uma cadeia de lojas de departamentos e, depois, por seis anos, consultor médico dos laboratórios Roche – sem falar dos outros empregos transitórios.

Em 1945 publicou seu primeiro trabalho para a imprensa médica “A Glomerulonefrite aguda difusa no Distrito Federal”, em colaboração com o Dr. Romeu Loures. O trabalho saiu na revista “Arquivos de Clínica”, da qual atuou como diretor e mereceu um resumo comentado do “Archives of Internal Medicine” de julho de 1947, que terminava recomendando a sua leitura.

Ainda em 1945 foi aprovado em concurso público da então Prefeitura do Distrito Federal tendo obtido o primeiro lugar. Em 1946, o seu livro “Química fisiológica” (parte prática) chegava a segunda edição, ampliada, e com correlação clínica. Lançado pela editora Guanabara.

Seu interesse pela diabetologia veio através do trabalho do Dr. Capriglione, no Hospital Moncorvo Filho (onde atuou por muitos anos como voluntário). Lugar que possuía uma enfermaria de diabetes (hoje onde funciona a biblioteca do IEDE) e já manipulava a insulina. No entanto, este trabalho era feito com muito receio.

Em 1949, Francisco Arduíno decidiu dominar o tratamento da doença, não só no que diz respeito ao controle de rotina, mas também às suas complicações. À medida em que foi cuidando dos diabéticos, seu interesse foi aumentando. Logo recebeu como proposta uma bolsa de estudos para um ano na Joslin Clinic, de Boston, nos Estados Unidos.

Porém resolveu não viajar, pois não recebeu licença remunerada da Prefeitura do Distrito Federal. Para não perder tempo traduziu, com o auxílio de outros colegas, do original em inglês, “O Tratado de Medicina” de Cecil, R.L. e, do original em espanhol “Curso de Química Biológica”. Além disso, publicou em 1950 “O que o diabético deve saber”. Foi o primeiro livro de instrução para diabéticos a ser publicado no Brasil, e do qual seriam feitas mais quatros edições.

Com a posse de um novo prefeito, João Carlos Vital, no Distrito Federal, Francisco Arduíno conseguiu sua licença remunerada para viajar a Joslin Clinic, em Bostom. Lá permaneceu por um ano se dedicando ao diabetes (realizando um trabalho experimental) orientado pelo Dr. Alexandre Marble. Essa experiência serviu para concorrer a uma vaga no Colégio Brasileiro de Cirurgiões, como Membro-aspirante. Em 1961 passou a Membro titular do colégio, através de concurso com provas e títulos, concorrendo com o trabalho “Diabetes infanto-juvenil”.

Contudo, desde que voltou dos EUA, Francisco Arduíno tinha a intenção de criar, ao lado do Hospital Moncorvo Filho, um pequeno centro especializado em diabetes, onde, além de assistência adequada, pudesse fazer pesquisas e formar especialistas.

Após a morte do Dr. Capriglione, o Dr. Feijó tomou posse da direção do hospital, permitindo que Francisco Arduíno continuasse como voluntário. O Dr. Feijó sabia da intenção de Arduíno em montar um centro especializado em diabetes e passou a encoraja-lo. O tempo passava e sua obsessão era a mesma.

O problema inicial era descobrir onde construir o centro no Hospital Moncorvo Filho. O único espaço viável era o terreno ao lado do hospital, onde funcionava uma garagem da Superintendência de Transportes da Prefeitura. Para isso contou com o apoio do Dr. Domingos D’Angelo, diabético e médico, na ocasião vereador da antiga UDN e presidente da Associação Carioca de Diabéticos. Depois de muitos debates foi liberada a verba municipal com aprovação unânime.

No entanto, somente em 1965 esta “simbiose” informal passou a ser oficialmente reconhecida pelo decreto Nº 350, que transformou o Centro de Diabetes em Centro de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglion – o embrião do IEDE.

Em 1967, pelo decreto nº 987, de 26 de dezembro, o governador Negrão Lima, sucessor de Carlos Lacerda, transformou o Centro de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione em Instituto de Diabetes e Endocrinologia, Francisco Arduíno foi nomeado para exercer a função de diretor. E assim nasceu o IEDE com administração independente.

Ainda em 1967, Francisco Arduíno ingressou no corpo docente da Escola Médica de Pós Graduação da PUC, como titular de endocrinologia e da recém-criada disciplina de diabetologia. Em 1969, a UFRJ lhe concedeu, por decisão unânime do conselho universitário, o título de Doutor Honoris Causa.

Em 15/05/1970 Arduíno pediu demissão do cargo de diretor do IEDE por desavenças com o Dr. Jaime, que não concordava que os diabéticos precisavam de mais leitos que os endocrinoplatas. Passou então a ocupar o cargo de chefe do serviço de Diabetes do IEDE, passando a dedicar-se mais no estudo e ensino da especialidade e assistência aos diabéticos.

Outra grande contribuição que Francisco Arduíno teve o prazer de participar foi da elaboração da pistola pa injeção a jato de insulina, o Vitajet. Em 1981 saiu o primeiro protótipo do instrumento, testado no IEDE. Hoje, o Viajet coloca-se entre os mais avançados instrumentos do gênero. Chegando a ser exportado para os Estados Unidos, Europa e América Latina.

Você visitou

cantocanto
Topo Volta Creative Commons License 2008 - Sociedade Brasileira de Diabetes.
Add to Technorati Favorites

Ebook SBD
Conheça a nova publicação online da SBD, que aborda o Diabetes na Prática Clínica. Se você é profissional de saúde, cadastre-se para acessar o material científico.

revistas cientificas
  • Receitas de Baixa Caloria
  • abd
  • Colunistas
  • Glossario
  • Dicionario dos Alimentos
  • Livro situações especiais
  • Calcule IMC
  • Cursos e Apresentacoes
  • Diretrizes da SBD
  • Valores de glicemia
  • Mais Saude
  • Contagem Carboidratos