Nesta nova coluna chamamos a atenção dos leitores para um aspecto que, segundo vários dados recentes da literatura, vem chamando atenção. Em vários artigos, vem sendo descrito que em pacientes com Diabetes Mellitus há uma prevalência aumentada de déficit de Vitamina D, avaliada através dos níveis séricos da 25-hidroxivitamina D. Segundo alguns deles, por outro lado, a deficiência de vitamina D poderia ser fator de risco para a ocorrência de Diabetes. Tendo em vista este fato, vem a pergunta:  e quais são os efeitos da deficiência de vitamina D na população e nos pacientes com Diabetes? Um artigo publicado por autores brasileiros da UNIFESP e USP (primeiro autor, Pinheiro MM), nos Cadernos de Saúde Pública, em 2010, e que buscou os fatores de risco para quedas, no estudo brasileiro sobre osteoporose (BRAZOS), traz informações que nos parecem muito úteis, a respeito do assunto.

O objetivo do estudo foi estimar a freqüência de quedas recorrentes e identificar os principais fatores de risco associados. O BRAZOS é o primeiro estudo epidemiológico realizado em amostragem representativa da população brasileira. Dados antropométricos, hábitos de vida, fratura prévia, quedas, dieta, atividade física e qualidade de vida foram avaliados em 2.420 indivíduos adultos. Os resultados mostraram que quedas recorrentes foram relatadas por 15,5% dos homens e 25,6% das mulheres. Nas mulheres, os fatores de risco associados com quedas recorrentes foram maior idade, história de fratura prévia, sedentarismo, pior qualidade de vida, Diabetes Mellitus e uso atual de benzodiazepínicos. Nos homens, as quedas recorrentes foram associadas com maior idade, pior qualidade de vida, consumo de bebidas alcoólicas, Diabetes Mellitus, fratura prévia e uso atual de benzodiazepínicos. Maior ingestão de vitamina D desempenhou efeito protetor sobre o risco de quedas recorrentes. Os achados demonstraram elevada prevalência de quedas recorrentes e enfatizaram para a necessidade de uma abordagem multidisciplinar a fim de minimizá-las,  bem como de suas conseqüências.

Tendo em vista os achados, pode-se pressupor que em pacientes com Pré-Diabetes e Diabetes para os quais prescrevemos exercícios físicos talvez fosse possível minimizar a possibilidade de lesões relacionadas ao exercício se tivermos o cuidado de manter os níveis séricos de 25 hidroxi Vitamina D destes indivíduos em valores considerados adequados o que poderia também estar prevenindo a ocorrência de fraturas e osteoporose, conforme tem se observado na literatura.

Por outro lado, é importante lembrar que níveis séricos normais de 25-hidroxivitamina D estão associados com melhor desempenho físico, em alguns estudos.

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Informações do Autor

Dra. Helena Schmid
Médica, editor do site da SBD
PhD
Profª Titular de Endocrinologia UFCSPA