Informações do Autor

Dr. Mark Barone
Doutor em Fisiologia Humana (ICB/USP)
Especialista em Educação em Diabetes (ADJ-IDF-SBD, UNIP e IDC)
Autor dos livros “Tenho diabetes tipo 1, e agora?” e “Diabetes: conheça mais e viva melhor”
e do blog www.tenhodiabetestipo1eagora.blogspot.com

Durante o ano de 2016 exploramos resultados de pesquisas, terapias, medicamentos e tecnologias que facilitam, ou facilitarão o controle da glicemia, melhorando, assim, a qualidade de vida de quem tem diabetes.

No entanto, é apenas agora, em 2017, que muitas dessas novidades se materializarão, no sentido de passarem a ser apresentadas ao público, e não apenas aos pesquisadores e especialistas, e comercializadas. A ideia, abaixo, é fazer um apanhado das principais DIANOVIDS e identificar alguns eventos onde elas serão destaque.

Uma das principais novidades será, ainda no primeiro semestre, o início das vendas, nos EUA, do primeiro Pâncreas Artificial Híbrido, o sistema 670G® da Medtronic®. Vale lembrar que, apesar de ser o primeiro sistema híbrido completo lançado por uma empresa, muitas outras indústrias têm também propostas de Pâncreas Artificiais, híbridos ou não. Incluem-se aí o sistema minimizador de hipo e hiperglicemias da Animas® (empresa do grupo Johnson&Johnson®), o Smartloop® da Bigfoot®, e o famoso Pâncreas Biônico iLet® da Beta Bionics®. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que, antes do ingresso no mercado dos equipamentos destacados acima, algumas iniciativas individuais deram origem ao OpenAPS, um algorítmo disponível na rede com instruções de programação e de adaptação de hardware que permitiram a construção do pâncreas artificial híbrido caseiro, já usado por mais de 150 pessoas no mundo.

Também em 2017, será possivel acompanhar outros lançamentos, como o do sistema 640G® da Medtronic® no Brasil; a liberação do FreeStyle® Libre para crianças, e mais adiante para grávidas; o lançamento, em alguns países, dos aplicativos para leitura do sensor Libre em celulares Androide; e a ampliação dos locais de comercialização do sensor implantável de 90 dias de duração, o Eversense®. Em relação aos medicamentos, mais resultados devem ser apresentados e, quem sabe, a aprovação da insulina ultra-ultrarrápida da Novo Nordisk®, e do uso de inibidores de SGLT-2 em diabetes tipo 1.

Em 2017 não faltarão congressos nacionais e internacionais, incluindo os anuais ADA e EASD, que disputarão publico com os bianuais SBD e WDC-IDF. Para quem tem interesse nas novidades apresentadas acima, valerá a pena considerar também eventos menores, como o ATTD, o SITEC e o FFL. O ATTD acontecerá já em fevereiro e, como de costume, fará a primeira apresentação do ano sobre os últimos resultados de estudos, focando especialmente em novas tecnologias. No ano passado, esteve entre os destaques, além das pesquisas sobre novas insulinas e da parceria da Medtronic® com a IBM-Watson®, um debate acalorado entre pesquisadores chefes de dois grupos diferentes de pesquisa com pâncreas artificial, cada um defendendo seu equipamento. O SITEC, organizado pela SBD em abril, é também direcionado a profissionais de saúde. Apesar de menor e com uma feira de produtos voltada para o que está disponível no mercado interno, prioriza, da mesma forma, a apresentação de resultados de novos estudos em tecnologia e medicamentos.

Não por acaso, este último parágrafo está integralmente dedicado ao FFL (Friends For Life, organizado pela entidade Children with Diabetes). Chamar o FFL de congresso não é adequado. O evento é muito mais do que um congresso. Trata-se de um evento de alto nível para pessoas com diabetes tipo 1 e seus familiares, e acontece todos os anos em Orlando. Em 2016 entre os mais de 2 mil presentes não havia brasileiros, ou melhor, havia apenas uma mãe naturalizada estadunidense e o autor deste texto. Estiveram palestrando os famosos professores/pesquisadores Ed Damiano, Irl Hirsch e Bruce Buckingham, entre outros. Diferente dos congressos tradicionais, ADA, EASD, IDF e ATTD, no FFL é muito fácil conversar informalmente durante o jantar, no lobby do hotel ou na feira de produtos com os palestrantes mais famosos. A programação, ou melhor, as programações, visto que há uma para crianças, uma para adolescentes, uma para jovens e adultos, uma para pais e uma para avós, são únicas. Além das grandes palestras, destacam-se no FFL: 1) uma incrível feira de produtos, na qual se pode ter contato com o que há de mais atual em termos de tecnologias, resultados de estudos, insulinas e materiais educativos, além de uma série de jogos e brindes para as crianças; 2) serviços e pesquisas, como: avaliação oftalmológica detalhada e teste de anticorpos para doença celíaca; e 3) salão de esportes, grupos de apoio e workshops, incluindo a oportunidade de conhecer pessoas que participaram do desenvolvimento e auxiliam os interessados a programar o #NightScout ou mesmo o OpenAPS em seus equipamentos de bomba e sensor. Sem contar as atrações de lazer, que incluem: sessão de cinema, shows com famosos astros americanos que também têm diabetes, noite de cassino para os adultos com diabetes, discoteca, dia em um dos parques da Disney para as crianças, entre outras. Portanto, apesar de o FFL ser um evento pouco conhecido e divulgado no Brasil, vale muitíssimo a pena participar.

Para concluir, desejamos a você um ótimo ano novo e... não deixe de acompanhar as DIANOVIDS!

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