O boletim eletrônico Diabetes in Control.com, de 16 de agosto de 2005, traz interessantes comentários a respeito do estudo publicado na revista The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, o qual avaliou a proteção metabólica proporcionada pela adiposidade na região glúteo-femoral em mulheres na pós-menopausa. 

O estudo, conduzido por Van Pelt e colaboradores, da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos, avaliou 95 mulheres na pós-menopausa edemonstrou um efeito favorável da gordura glúteo-femoral sobre vários parâmetros e marcadores de resistência insulínica e de dislipidemia, tais como insulinemia de jejum, área sob a curva da insulina, teste oral de tolerância à glicose, triglicérides e colesterol HDL. 

Quando essas pacientes também apresentavam obesidade central (obesidade abdominal), a maioria das vantagens proporcionadas pela gordura glúteo-femoral desaparecia, mas, mesmo nesses casos, o efeito protetor das coxas grossas sobre os níveis de triglicérides permaneceu significante.

Os pesquisadores ainda não sabem exatamente a razão pela qual a gordura das coxas traz esses importantes benefícios, mas há um consenso crescente de que nem todas as gorduras são iguais. Uma teoria defende a idéia de que a gordura das coxas agiria como uma espécie de sifão metabólico, promovendo a remoção de triglicérides e outros compostos indesejáveis da corrente sangínea. 

Outra teoria defende a hipótese segundo a qual o acúmulo de gordura em áreas periféricas já seria, por si só, a manifestação de um processo saudável de deposição de gordura que acarretaria um menor risco cardiovascular.

Os efeitos negativos da gordura abdominal já são sobejamente conhecidos, enquanto que a gordura periférica dos braços e das coxas não só é mais benigna, mas ainda consegue promover efeitos protetores adicionais em relação ao risco cardiovascular. 

Infelizmente, não há meios para se programar artificialmente o organismo a depositar sua gordura de forma exclusivamente periférica (a gordura boa). Esse novo conceito sobre o efeito protetor da gordura glúteo-femoral contribui para levantar questionamentos importantes sobre os possíveisefeitos metabólicos negativos da lipoaspiração, com a remoção cirúrgica da gordura das coxas. 

O Dr. Van Pelt sugere, inclusive, a possibilidade de que a gordura das coxas possa ajudar a pessoas de outras idades, inclusive pré-menopáusicas.

Referência  1: "Fat Thighs Benefits Health Diabetes in Control.com, August 16, 2005. Acesso em 12 de agosto de 2005.
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Referência  2: "Lower-Body Adiposity and Metabolic Protection in Postmenopausal Women J. Clin. End. & Metab. 2005;90:4573
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Informações do Autor

Dr. Augusto Pimazoni-Netto
Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
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