Heloisa de Carvalho Torres

  • Professora Associada II
  • Programa de Pós-Graduação em Enfermagem
  • Núcleo de Gestão, Educação e Avaliação em Saúde
  • Universidade Federal de Minas Gerais – Brasil / Brazil

A avaliação consiste fundamentalmente em fazer um julgamento de valor a respeito de uma prática educativa ou sobre qualquer um dos seus componentes, com o objetivo de ajudar na tomada de decisão. Considera-se que a avaliação de programas educativos em diabetes mellitus deva ser fundamentada em procedimentos úteis, exequíveis, éticos e aprimorados, como um modo sistemático de melhorar as práticas educativas dos profissionais da área da saúde. Os componentes das práticas educativas, as características dos sujeitos e quais os resultados das medidas das variáveis antes e depois da prática, e como esses resultados têm repercutido na saúde do individuo, são aspectos que carecem de melhor observação, registro e descrição para permitir a replicação ou aplicação para a prática clínica.

No Brasil são raros os programas de educação em diabetes mellitus que aprofundam seus esforços avaliativos, no sentido de mostrar efeitos e impactos. A maior parte deles restringe-se apenas à descrição das praticas, métodos e técnicas para a reorganização das praticas.

A avaliação dos programas contribui para melhorar a qualificação dos profissionais, uniformizar e sistematizar um atendimento à pessoa com diabetes em termos de integralidade, educação do autocuidado. O intercâmbio e a análise das informações favorecem a aprendizagem multiprofissional e interdisciplinar, na qual ação-reflexão-ação são concebidas ao mesmo tempo a fim de transformar as práticas existentes. Nesse ambiente, o espaço da aprendizagem desloca-se para o ambiente de serviço e é considerado também como fonte de conhecimento.

Avaliar a efetividade do processo de educação significa mensurar, dentre outros, o conhecimento do paciente e da família sobre a doença e o tratamento, as habilidades adquiridas, a adesão, a qualidade de vida, as dificuldades e barreiras no enfrentamento da doença e os resultados clínicos no controle da glicemia, pressão arterial, peso e perfil lipídico. Fatores associados como ansiedade e depressão, resiliência e o impacto das intervenções são fundamentais no processo educacional e no direcionamento das melhores estratégias para atividades das equipes interdisciplinares. Vários instrumentos já foram validados para a população brasileira e podem auxiliar nestas avaliações periódicas (tabela 1).

Vale ressaltar que os instrumentos também são utilizados na prática clínica para avaliação sistemática dos diferentes pontos de interesse. Quando usados na avaliação dos programas de educação, devem ser aplicados antes e após a intervenção, definindo-se os períodos de acordo com o item avaliado.

 

Tabela 1. Instrumentos validados para avalição dos programas educacionais.

AVALIAÇÕES

INSTRUMENTOS VALIDADOS

 

Adesão medicamentosa

-Teste de Morisky1

Atividade Física

- Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ)2

Autocuidado

-Perfil de autocuidado do diabetes (DSMP)*3

-Inventário de autocuidado (SCI-R)# 3

- Questionário de Atividades de Autocuidado com o Diabetes (SDSCA)4

Ansiedade e Depressão

-Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HAD)5

Atitudes

-Versão Brasileira do Questionário de Atitudes (ATT – 19)6

Auto eficácia no manejo das insulinas

- Escala IMDSES7

Conhecimento

- Escala de Conhecimento no Diabetes (DKN-A)6

Estado da Saúde

-  Questionário genérico de qualidade de vida (SF-36 e SF – 6D)8

Qualidade de vida

- WHOQOL-Brief (Escala de Qualidade de Vida da OMS abreviada)9

Qualidade de vida relacionada ao diabetes

- DQOL-Brasil10

- DQOLY11

Qualidade de vida na doença renal

- KDQOL-SF™12

Resiliência

-Escala de Resiliência13

Sobrecarga dos cuidadores

- Escala Zarit14

Sofrimento associado ao conviver com diabetes

- B-PAID (versão brasileira da escala PAID)**15

*Diabetes Self-Management Profile (DSMP); # Self-Care Inventory-revised (SCI-R); PAID (Problems Areas In Diabetes); Diabetes Self-Care Activities Questionnaire (SDSCA); IMDSES [Insulin Management Diabetes Self-Efficacy ]; ™ Kidney Disease Quality of Life Short Form – (KDQOL-SF); Diabetes Quality of Life Measure (DQOL), DQOLY (Diabetes Quality of Life for Youths).

  

REFERÊNCIAS

 

  1. Morisky DE, Green LW, Levine DM. Concurrent and predictive validity of a self-reported measure of medication adherence. Med Care. 1986;24(1):67-74.
  2. Matsudo S. Questionário Internacional De Atividade Fisica (IPAQ): Estudo De Validade e Reprodutibilidade no Brasil. Rev. bras. ativ. fís. saúde. 2001;6(2):5-18.
  3. Teló GH, de Souza MS, Schaan BDA. Cross-cultural adaptation and validation to Brazilian Portuguese of two measuring adherence instruments for patients with type 1 diabetes. Diabetology & Metabolic Syndrome. 2014;6(1):141.
  4. Michels MJ, Coral MH, Sakae TM, Damas TB, Furlanetto LM. [Questionnaire of Diabetes Self-Care Activities: translation, cross-cultural adaptation and evaluation of psychometric properties]. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2010;54(7):644-651.
  5. Santos FR, Bernardo V, Gabbay MA, Dib SA, Sigulem D. The impact of knowledge about diabetes, resilience and depression on glycemic control: a cross-sectional study among adolescents and young adults with type 1 diabetes. Diabetol Metab Syndr. 2013;5(1):55.
  6. Torres HC, Virginia AH, Schall VT. [Validation of Diabetes Mellitus Knowledge (DKN-A) and Attitude (ATT-19) Questionnaires]. Rev Saude Publica. 2005;39(6):906-911.
  7. Gastal DA, Pinheiro RT, Vazquez DP. Self-efficacy scale for Brazilians with type 1 diabetes. Sao Paulo Med J. 2007;125(2):96-101.
  8. Campolina AG, Bortoluzzo AB, Ferraz MB, Ciconelli RM. [Validation of the Brazilian version of the generic six-dimensional short form quality of life questionnaire (SF-6D Brazil)]. Cien Saude Colet. 2011;16(7):3103-3110.
  9. Fleck MP, Louzada S, Xavier M, et al. [Application of the Portuguese version of the abbreviated instrument of quality life WHOQOL-bref]. Rev Saude Publica. 2000;34(2):178-183.
  10. Correr CJ, Pontarolo R, Melchiors AC, Rossignoli P, Fernández-Llimós F, Radominski RB. [Translation to portuguese and validation of the Diabetes Quality Of Life Measure (DQOL-Brazil)]. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2008;52(3):515-522.
  11. Brasil F, Pontarolo R, Correr CJ. Qualidade de vida em adultos com diabetes tipo 1 e validade do DQOL-Brasil. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada. 2014;35(1):105-112.
  12. Duarte PS, Miyazaki MC, Ciconelli RM, Sesso R. [Translation and cultural adaptation of the quality of life assessment instrument for chronic renal patients (KDQOL-SF)]. Rev Assoc Med Bras. 2003;49(4):375-381.
  13. Pesce RP, Assis SG, Avanci JQ, Santos NC, Malaquias JV, Carvalhaes R. Adaptação transcultural, confiabilidade e validade da escala de resiliência. Cadernos de Saúde Pública. 2005;21:436-448.
  14. Bandeira M, Calzavara MG, Freitas LC, Barroso SM. Family Burden Interview Scale for relatives of psychiatric patients (FBIS-BR): reliability study of the Brazilian version. Rev Bras Psiquiatr. 2007;29(1):47-50.
  15. Gross CC, Scain SF, Scheffel R, Gross JL, Hutz CS. Brazilian version of the Problem Areas in Diabetes Scale (B-PAID): validation and identification of individuals at high risk for emotional distress. Diabetes Res Clin Pract. 2007;76(3):455-459.

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