Projeto Educando Educadores

Qualificação de Profissionais de Saúde em Educação em Diabetes

1. Justificativa

O programa EDUCANDO EDUCADORES, parceria entre a ADJ Diabetes Brasil e a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), é único curso de qualificação em educação em diabetes no Brasil certificado pela IDF-SACA (International Diabetes Federation – South and Central America).  Foi criado em 2008 com a finalidade de qualificar profissionais de saúde na área de Educação em Diabetes.

Por que essa necessidade? No Brasil, ainda é heterogêneo o reconhecimento da magnitude do problema doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Embora tenham sido responsáveis, em 2007, por 72% do total de mortes – com com destaque para doenças do aparelho circulatório (31,3% dos óbitos), neoplasias (16,3%) e diabetes (5,2%) (SCHMIDT et al., 2011) --, as DCNT não aparecem como epidemias perceptíveis, a exemplo das doenças transmissíveis. Assim, é preciso ampliar a divulgação, advocacy e sensibilização dos gestores do SUS sobre o problema, de tal forma que a vigilância e controle de DCNT ganhe prioridade em suas agendas. O Sistema Único de Saúde é descentralizado e apresenta grande heterogeneidade na capacidade de resposta nos 27 estados e 5.561 municípios. É um grande desafio a organização das ações de vigilância das DCNT e a realização de ações de prevenção e de promoção da saúde.

Dentre as DCNT, o diabetes é considerado uma das grandes epidemias mundiais do século XXI, problema de saúde pública tanto nos países desenvolvidos como em desenvolvimento. As crescentes incidência e prevalência são atribuídas ao envelhecimento populacional e aos avanços no tratamento da doença, mas, especialmente, ao estilo de vida atual, caracterizado por inatividade física e hábitos alimentares que predispõem ao desenvolvimento da patologia.

O panorama atual do DM na população reflete a necessidade de se instituir medidas de prevenção em todos os níveis, com base em evidências científicas, visando instrumentalizar o profissional de saúde na prática clínica, bem como os órgãos governamentais para estabelecimento de políticas públicas.

Os sistemas de saúde atuais no Brasil enfrentam consultórios médicos sobrecarregados, nos quais o atendimento de pacientes é realizado em consultas rápidas e retornos a perder de vista. Essa realidade transfere, tanto para os médicos como para os pacientes com diabetes, maiores dificuldades no tratamento e no alcance das metas terapêuticas. A dificuldade de aceitação do diagnóstico, a escassez de uma equipe multidisciplinar disponível para a educação em diabetes, a limitação de conhecimento e o pouco investimento na área educacional são obstáculos no manejo da doença.

A Associação Americana de Educadores em Diabetes (AADE) criou regras para colocar em prática a educação em diabetes. Primeiramente, definem os vários níveis de educadores, as responsabilidades de cada um e a interação da equipe multidisciplinar no tratamento da doença. Tal projeto visa encorajar os pacientes na modificação do seu estilo de vida e na adoção de comportamentos de autocuidado apresentando informações básicas sobre o diabetes e o treinamento dos pacientes, familiares e cuidadores no uso de todos os dispositivos disponíveis no tratamento, promovendo interatividade em todas as etapas do tratamento e da evolução educacional. O processo terapêutico é estabelecido pela introdução de uma equipe composta por profissionais como médicos, educadores físicos, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, farmacêuticos, dentistas, dentre outros, incluindo o paciente em todas as decisões, atuando de maneira ativa no tratamento do diabetes. Vale a pena ressaltar que a individualização no tratamento do diabetes é extremamente importante.

A educação em diabetes deve partir de uma intensa mobilização social para a divulgação dos sinais e sintomas do diabetes, com divulgação de dados que façam as pessoas reconhecerem os riscos do mau controle e/ou diagnóstico do diabetes e procurem ajuda antes mesmo do aparecimento de qualquer uma das complicações da doença. O treinamento da equipe deve ser constante e integrado, baseado na atualização das últimas pesquisas e tratamentos, para assim dar suporte efetivo na qualidade do programa desenvolvido.

No Brasil, a educação em diabetes há muito se estabelece por conta de iniciativas pontuais, seja de serviços ligados ao setor público (estaduais e municipais), entidades privadas (como hospitais e laboratórios) ou organizações não governamentais (associações de pacientes, principalmente). Foi apenas em 2006, com a Lei Federal 11.347, que o governo brasileiro se preocupou de fato com a educação do paciente com diabetes. A lei, regulamentada pela Portaria 2.583 do Ministério da Saúde (2007), vincula a disponibilização de medicamentos e insumos pelo SUS à participação pessoas com diabetes em programas de educação promovidos pelas unidades de saúde do SUS. Tais programas, segundo a portaria, devem abordar “componentes do cuidado clínico, incluindo a promoção da saúde, o gerenciamento do cuidado e as atualizações técnicas relativas ao diabetes mellitus”, sempre com o objetivo de desenvolver a autonomia do paciente para o autocuidado. Para tanto, a portaria preconiza uma abordagem terapêutica multiprofissional, além da participação do paciente e seu envolvimento constante e harmonioso com a equipe de saúde

Daí a importância da implementação de projetos que englobem ações educativas para profissionais de saúde e população em geral a fim de contribuir para a prevenção, rastreamento e tratamento do diabetes para diminuir os riscos de morbidades a ele associados.

A partir deste panorama aqui apresentado, em 2007 foi organizada pela ADJ (então Associação de Diabetes Juvenil, hoje Diabetes Brasil) a 1ª Oficina Latino Americana sobre Educação em Saúde para o Diabetes – DF Distrito Federal, com o apoio do Ministério da Saúde. Essa oficina reuniu educadores de todo o Brasil e da América Latina e teve como principal objetivo discutir estratégias para a implantação de Programas Educativos em Diabetes previstos na Lei Federal 11.347 como garantia do direito de recebimento dos insumos para tratamento e controle por parte das pessoas com DM.

Este encontro selou a parceria inédita entre uma entidade de pessoas com diabetes e familiares – ADJ – e uma entidade científica – SBD –, com o apoio da IDF-SACA, à qual ambas são filiadas. E deu origem a um grupo de trabalho, formado por profissionais das duas entidades e da IDF SACA, que elaborou e executou a 1ª Edição do EDUCANDO EDUCADORES - Curso de Qualificação de Profissionais de Saúde em Educação em Diabetes, que se realizou em São Caetano do Sul (São Paulo) em julho de 2008.

O projeto EDUCANDO EDUCADORES vem, desde então, ao longo de 33 edições, desenvolvendo ações integradas que visam fortalecer o preparo das equipes de saúde, incluindo profissionais da rede pública e privada, ampliando assim a relação dos serviços de saúde com a população em geral.

 

2. Cobertura do projeto

O projeto EDUCANDO EDUCADORES tem como público-alvo direto os profissionais de nível superior, com formação comprovada na área de saúde, que atuam tanto nas áreas públicas quanto privadas, em associações ou ONGs de portadores de diabetes.

Foram capacitados nas 33 edições do Curso de Qualificação para Profissionais de Saúde em Educação em Diabetes do Projeto EDUCANDO EDUCADORES, que tiveram início em 2008, 1522 profissionais de saúde, das áreas de enfermagem, nutrição, medicina, farmácia, psicologia e educação física, outras categorias da área de saúde, sendo que estes se equiparam em quantidade das áreas pública e privada (ver gráficos).

 

3. Estrutura técnica e administrativa

A partir da criação do grupo de trabalho, criou-se uma estrutura administrativa do projeto EDUCANDO EDUCADORES com paridade de representação das entidades envolvidas (ADJ / SBD / IDF-SACA).

 

GRUPO DE TRABALHO PARA A CONDUÇÃO DO PROJETO EDUCANDO EDUCADORES DA PARCERIA ADJ / SBD - apoio IDF-SACA

Coordenação Geral  – pela ADJ

Coordenação Operacional – pela ADJ e SBD

Coordenação de Fund Raising – pela ADJ e SBD

Representantes da SBD

·         Presidente

·         Departamento Educação

·         Departamento Enfermagem

·         Departamento Nutrição

·         Departamento de Distúrbios Alimentares

·         Departamento de Psicologia

 Representantes da ADJ

·         Presidente

·         Enfermeira

·         Nutricionista

·         Educadora Física

 Representantes da IDF

·         2 Consultoras Internacionais IDF- SACA/RELAD

 

A esse grupo foi incorporado um profissional responsável pela administração das atividades e estrutura de funcionamento do projeto, desde a logística de local e estrutura para a realização do Curso, divulgação, pré- inscrições, inscrição final, documentação dos alunos, leitura prévia, recebimento de projeto educativo de conclusão e envio dos certificados.

Inicialmente, a equipe responsável pela execução do Curso, formada por profissionais SBD e ADJ, recebeu acompanhamento e treinamento de educadores da IDF- SACA, que supervisionaram a adaptação dos standards de Educação à realidade do curso a ser aplicado no Brasil, além de enviar representantes para a execução das atividades educativas nas 4 primeiras edições.

Atualmente, o Curso conta com uma equipe multiprofissional de educadores (docentes) da ADJ e SBD, todos certificados pela IDF-SACA. São hoje cerca de 30 docentes, sendo muitos deles formados no próprio EDUCANDO EDUCADORES e que se tornaram docentes depois de atuar como trainees em pelo menos uma das edições.

 

4. Detalhes sobre as atividades assistenciais e educativas

Criado em 2008, o Educando Educadores é um programa desenvolvido por meio de parceria entre a ADJ Diabetes Brasil e SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), com a chancela da IDF (International Diabetes Federation) – região SACA (Américas do Sul, Central e Caribe) e da Rede Latino Americana de Educadores em Diabetes (RELAD).

O principal objetivo do Educando Educadores é qualificar profissionais de saúde para desenvolver posturas e ações educativas em diabetes no trato com pacientes, familiares e cuidadores em geral. Um de seus trunfos é ter, como critério para certificação do aluno, a elaboração e conclusão de um Projeto de Educação em Diabetes a ser aplicado nas respectivas região e área de atuação. Esse projeto pode prever ações para pacientes e/ou outros profissionais, o que contempla o objetivo de multiplicação de aprendizado, com a qualificação de outros profissionais e implementação do conceito da Educação do Diabetes como ferramenta principal de tratamento e acompanhamento.

O programa, desenvolvido a partir de modelos da IDF (e com a chancela da entidade), ocorre em 4 dias integrais, totalizando 40 horas, com um número médio de 60 alunos, e segue as diretrizes de dispensação de insumos e medicamentos estabelecidas pela Lei nº 11.347, de 27/09/06 e pela Portaria nº 2.583, de 10/10/07.

A significância dos resultados que vimos alcançando é ainda maior se for levada em conta o alcance a nível municipal. Para se ter uma ideia, estudo conduzido por ocasião de identificação da abrangência do projeto dentro do Estado de São Paulo, a pedido da Secretaria de Estado da Saúde, mostrou que nas 14 edições do curso EDUCANDO EDUCADORES realizadas em São Paulo, à época  (8 na capital e 6 no interior), estiveram presentes profissionais de saúde representantes de nada menos do que 69 municípios paulistas.

 

5. Fontes de financiamento para implementação e funcionamento do projeto

O EDUCANDO EDUCADORES tem uma taxa de inscrição paga pelo próprio aluno ou pela Instituição responsável por este. Porém, o valor arrecadado com as inscrições dos alunos é insuficiente para cobrir os custos

Diversas outras formas de parcerias foram firmadas, com órgãos públicos, Universidades, entidades de pacientes, entidades de profissionais, fundações e empresas privadas. Alguns exemplos de edições que se viabilizaram por meio de parcerias notáveis:

  • São Paulo (SP) – 9ª edição, 2010

Edição com patrocínio total da Fundação Medtronic

  • São Luiz (MA) – 10ª edição, 2010

Alunos maranhenses que fizeram o Curso em Curitiba (PR) conseguiram mobilizar a Secretaria Municipal de Saúde de São Luiz, gerando uma edição especial do EDUCANDO EDUCADORES que treinou todos os profissionais do município.

  • Vitória (ES) – 12ª edição, 2010

Foi realizada uma edição em parceria com a UNIMED da região, graças ao entusiasmo e empenho de duas colaboradoras da empresa que participaram do curso em São Paulo.

  • Juiz de Fora (MG) - 19ª edição, 2012

Foi firmada parceria com Associação de Diabéticos de Juiz de Fora, que conseguiu recursos para transporte da equipe e local para a realização do curso, que contou com a participação de alunos de diversos locais do Brasil.

  • São Paulo (SP) – 22ª e 23ª edições, 2012 e 2013

Duas edições com o apoio da Johnson&Johnson, com cessão de espaço, recursos locais e audiovisuais, além da alimentação para todo o grupo de alunos e profissionais palestrantes.

  • São José do Rio Preto (SP) – 25ª edição, 2013

A edição nessa cidade do interior paulista nasceu da parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e a universidade privada UNILAGO (União das Faculdades dos Grandes Lagos), alinhavada por um aluno que realizou o EDUCANDO EDUCADORES em Florianópolis (SC).

  • Goiânia (GO) – 27ª, 30ª e 33ª edições, 2014, 2015 e 2017

Foram realizadas duas edições com apoio e patrocínio da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás, organizadas a partir de uma aluna que participou do EDUCANDO EDUCADORES em São Paulo. Na 30ª edição contamos  também com a participação de 10 alunos de outros estados.

  • Coren, São Paulo (SP) – 24ª, 26ª, 28ª e 31ª edições, 2013/ 2014 /2015 / 2016

Em São Paulo, o programa tem parceria com o Coren (Conselho Regional de Enfermagem), para cessão de espaço e estrutura. Na sede do Coren SP, já foram realizadas 4 edições do curso. Além disso, a equipe de enfermeiros do Coren foi toda qualificada pelo EDUCANDO EDUCADORES e aplicam os conhecimentos nos cursos ministrados na entidade para outros enfermeiros.

  • Petrópolis (RJ) – 29ª edição, 2015

Alunos de Petrópolis que fizeram o EDUCANDO EDUCADORES em Juiz de Fora conseguiram levar o curso para a cidade fluminense por meio do apoio da Secretaria Municipal de Saúde e parceria com a Universidade Católica local. Foram treinados, na ocasião, toda a equipe de profissionais de Saúde do Município. Houve ainda a participação de 10 alunos de outros municípios e estados.

  • Centro Universitário São Camilo- SP- 32ª edição em 2017

Programa do Curso de Nutrição que encaminha estagiários para a ADJ facilitou o apoio do Centro e ajudou na divulgação e apoio a uma edição que qualificou de 16 a 19/08/2017 - 75 participantes de diversas regiões do Brasil.

 

6. Desdobramentos do projeto

            O projeto EDUCANDO EDUCADORES tem se mostrado, nesses 10 anos de existência, uma iniciativa de grande êxito. Daí, nada mais natural do que o surgimento de outros programas que nele se baseiam, ampliando a proposta original ou focando em objetivos específicos, como nos casos abaixo:

 

 - EE SEM FRONTEIRAS

Programa da SBD, fomentado pela WDF (World Diabetes Foundation) e com apoio da ADJ. Surgiu da necessidade identificada pela coordenação do EDUCANDO EDUCADORES de alcançar regiões mais distantes e com muitas especificidades. É semelhante ao EDUCANDO EDUCADORES tradicional, mas tem como foco as necessidades e características de regiões e populações remotas, como indígenas e ribeirinhas. O programa começou a ser implementado em 2014, em Boa Vista (RR), em 2015 aconteceu em Manaus (AM) e em 2016 foi realizado em João Pessoa (PB), onde também foi realizado um treinamento dedicado aos Agentes Comunitários.Em 2017, voltou a Manaus, também com treinamento para os Agentes Comunitários. No total, o Educando Educadores Sem Fronteiras capacitou 325 profissionais de saúde.

 

- Curso Avançado em DM1 – Projeto Educando Educadores

Ocorreu no NR2 em Sapucaí Mirim-MG, durante a temporada de férias de crianças e jovens com diabetes ADJ e Unifesp, no período de 30/01 à 05/02/2017. Destinado a profissionais de saúde que atuam só com DM1 e com a proposta de vivenciar o processo educativo durante a temporada de férias. Foram qualificados nesta edição 51 participantes de diversos estados do Brasil.

 

- Curso de Imersão em DM1 – Projeto Educando Educadores

Num formato mais dinâmico do que no anterior, também destinado a profissionais que atuma com DM1 ocorreu no NR2 em Sapucaí Mirim-MG, no período de 28/01 à 04/02/2018. Foram qualificados nesta ocasião  25 participantes de diversos estados do Brasil, nesta ocasião com maior vivencia junto aos acampantes e equipes profissionais do Acampamento.

 

7. Para 2018 e próximos anos

Várias parcerias estão sendo negociadas mas já  confirmadas as edições de 2018 abaixo:

- de  21 a 24 de agosto, no Instituto Johnson & Johnson Medical Brasil, em São Paulo- SP;

- de  1 e 5 de outubro, em Goiânia- GO, parceria com Secretaria de Estado da Saúde de Goiás;

- de 24 e 27 de outubro, no Centro Universitário São Camilo em São Paulo- SP.

Contato

(11)3842-4931

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