Prof. Dra. Tatiane Gea Horta

Prof. Dra. Tatiane Gea Horta

  • Graduação em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
  • Doutorado e Mestrado em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da UFMG.
  • Pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Epidemiologia - NIEPE.
  • Docente do Mestrado Profissional em Educação em Diabetes do
    Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de BH e do Centro Universitário de Belo Horizonte - UNI/BH.

A educação prevê a interação entre as pessoas envolvidas dentro do contexto educativo e destas com o mundo que as cerca, visando a modificação de ambas as partes. Porém, é um processo complexo e não existe uma definição única. Já o termo educação em saúde é um paralelo entre as duas áreas, tendo a educação ocupando-se dos métodos pedagógicos para transformar comportamentos e a saúde dos conhecimentos científicos capazes de intervir sobre as doenças. Educação e saúde são, portanto, duas faces do mesmo processo, interdependentes e co-construtivas.

O termo educação em saúde vem sendo utilizado desde as primeiras décadas do século XX, inicialmente chamada de Educação Sanitária, que surge no Brasil a partir da necessidade do Estado brasileiro de controlar as epidemias de doenças infectocontagiosas (MOROSINI; FONSECA; PEREIRA, 2008).

A educação em saúde apresentou profundas mudanças em seu conceito, antigamente centrada na transmissão de conhecimentos, para uma perspectiva mais abrangente e integradora, centrada na criação de condições que permitem aos indivíduos desenvolverem-se holisticamente na sua multidimensionalidade, em permanente interação com os outros.

A educação em saúde é o processo educativo que envolve as relações entre os profissionais de saúde, os gestores que apoiam esses profissionais e a população que necessita construir seus conhecimentos e aumentar sua autonomia nos cuidados individual e coletivamente. Visa o desenvolvimento crítico e reflexivo do indivíduo sobre sua saúde, capacitando-o para opinar nas decisões de sua saúde (BRASIL, 2006).

Atualmente, não se pode pensar nos serviços de saúde sem refletir sobre as relações entre os profissionais de saúde e paciente, uma vez que qualquer atendimento à saúde envolve, no mínimo, a interação entre duas pessoas. E para que essas relações sejam produtivas, é fundamental capacitar os profissionais de saúde, ensinando-os práticas educativas lúdicas para a busca constante do aperfeiçoamento das relações sociais que se desenvolvem no dia-a-dia dos serviços, numa perspectiva crítica de visualizar, com naturalidade, os problemas advindos da convivência humana, em qualquer situação na qual ela ocorra. A educação em saúde tem como um dos princípios de que para ser educador é preciso entender sobre a existência de relações fundamentais entre educação e sociedade, no sentido de que toda teoria sobre educação contém uma visão de mundo e de sociedade (L'ABBATE, 1994).

Outro fundamento essencial na educação em saúde é que os profissionais de saúde e pacientes devem sentir-se o tempo todo sujeitos do processo educativo e, da mesma maneira, aprender a considerar sujeitos o usuário e os outros profissionais. Como sujeito, entende-se uma pessoa em busca de autonomia, disposta a correr riscos, a abrir-se ao novo, ao desconhecido, e na perspectiva de ser alguém que vive numa sociedade determinada, capaz de perceber seu papel diante dos desafios colocados a cada momento. Finalmente, outro princípio da educação em saúde é que, além de aprender técnicas, o profissional de saúde deve ter uma postura de educador, porque o principal “instrumento” da relação educativa é o próprio educador (L'ABBATE, 1994).

Conclui-se que, a educação em saúde começa e termina na comunidade e deve ser um processo permanente e comunitário e não um processo que se confina às paredes de uma escola, de um hospital ou de um centro de saúde, numa visão exclusivamente formal de educação.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho em Saúde. Câmara de Regulação do Trabalho em Saúde. Brasília: MS; 2006.

L'ABBATE, Solange. Educação em saúde: uma nova abordagem. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 10, n. 4, p. 481-490, Dec. 1994.

MOROSINI MV, FONSECA AF, PEREIRA I. Educação em Saúde. In: Pereira IB, Lima JCF, organizadores. Dicionário de Educação Profissional em Saúde. Rio de Janeiro: EPSJV. p. 155-162. 2008.

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