Dietary carbohydrate intake and mortality: a prospective cohort study and meta-analysis.

Ana Maria Pita Lottenberg

  • Consultora do Departamento de Nutrição da SBD (2018-2019)
  • Pesquisadora do Laboratório de Lípides da FMUSP
  • Coordenadora do Curso de Especialização em Nutrição nas Doenças
  • Crônicas não Transmissíveis do Hospital Albert Einstein

Lancet Public Health. 2018 Sep;3(9):e419-e428.

Com a finalidade de ampliar as evidências para serem estabelecidas recomendações quanto ao consumo ideal de carboidratos, esta recente publicação analisou o efeito do consumo desse macronutriente sobre o risco de mortalidade. Foram utilizados os dados de 15.428 adultos que faziam parte do estudo de coorte prospectivo Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC). Os autores compararam esses resultados aos de uma metaanálise que incluía outros sete estudos prospectivos, totalizando 432.179 participantes. Além disso, realizaram uma sobreposição dos resultados do ARIC e do Prospective Urban and Rural Epidemiological Study (PURE).

Destaca-se que no estudo ARIC, não foram incluídos indivíduos que apresentavam consumo diário extremo de calorias (< 600 Kcal ou mais de 4200 Kcal para homens e <500 Kcal ou mais de 3600 Kcal para mulheres).

Os participantes responderam a um questionário semi-quantitativo de frequência alimentar nas visitas 1 e 3 e, o consumo médio de carboidratos foi de 48,9% do valor calórico total (VCT). Tal consumo foi categorizado em quintis, sendo o primeiro representado pela ingestão média de 37% do valor calórico total (VCT) e, o último, por 61% - com variação entre 20% e 80% do VCT.

A primeira coleta de dados sobre o consumo alimentar ocorreu em 1987 e, a média de seguimento do estudo foi de 25 anos. Ao todo os participantes tiveram seis encontros com a equipe, e o menor quintil de consumo de carboidratos foi associado a maior ingestão de gorduras de origem animal e menor consumo de fibras.

Um resultado importante desta publicação foi mostrar que o menor risco para mortalidade total foi observado com o consumo de 50%-55% do VCT na forma de carboidratos.  Já o maior risco foi constatado entre os participantes com menor ingestão de carboidratos. Não se verificou, entretanto, linearidade entre essas duas variáveis - tanto nos modelos ajustados como nos não ajustados. Ao contrário, observou-se uma curva em U, na qual a elevação do consumo de carboidratos acima da média também se associou a maior risco para mortalidade total.   

A prevalência de hipertensão e aumento de peso foram semelhantes em todos os percentis de consumo de carboidratos na avaliação realizada em 3 e 6 anos. 

Os autores fizeram também uma projeção do tempo de vida dos participantes e notaram que o consumo de carboidratos inferior a 30% do VCT, diminuía em quatro anos a expectativa de vida, em comparação com aqueles que consumiam uma quantidade mais equilibrada desse nutriente (entre 50%-55%). Além disso, nas dietas pobres em carboidratos, quando este nutriente era substituído por gorduras de origem animal, observou-se maior mortalidade total e cardiovascular, enquanto que houve reversão desta associação quando os carboidratos foram substituídos por gorduras de origem vegetal.

Quando foi realizada a sobreposição dos dados do estudo ARIC com os do PURE, os autores mostraram resultados muito semelhantes quanto ao aumento do risco de mortalidade total com o consumo elevado de carboidratos. No entanto, no estudo PURE, não foi possível mostrar efeito do baixo consumo de carboidratos e mortalidade total, uma vez que a sua menor ingestão foi de 40% do VCT da dieta.

Os autores discutem que o aumento da mortalidade associada ao baixo consumo de carboidratos pode ser atribuído à ingestão deficiente de frutas, vegetais e grãos e também, ao aumento do consumo de gorduras de origem animal. Além disso, as dietas muito pobres em carboidratos são insuficientes em compostos bioativos, fibras, vitaminas e minerais.

A conclusão deste estudo mostra que, tanto a restrição severa de carboidratos como o seu consumo excessivo, associam-se a um maior risco de mortalidade. Desta forma, reitera as importantes diretrizes internacionais que recomendam consumo moderado de carboidratos, no contexto do seguimento de padrões alimentares saudáveis, que contemplam o consumo de quantidades adequadas de grãos, cereais e frutas. Sem restrições e sem abusos, mas sim com equilíbrio dietético quali-quantitativo.

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