Mais munição para reduzir o risco cardiovascular no diabetes tipo 2: Albiglutida atinge o desfecho primário

Em sessão lotada na sala Langerhans às 12h de hoje foram apresentados os resultados do estudo HARMONY OUTCOMES pelo dr. Del Prato e colegas. A sessão foi coroada com os excelentes resultados obtidos em mais um trial de não-inferioridade que mostrou superioridade ao placebo em desfechos cardiovasculares.

Berlin, Terça Feira 2 de outubro de 2018

Direto do EASD 2018

Em sessão lotada na sala Langerhans às 12h de hoje foram apresentados os resultados do estudo HARMONY OUTCOMES pelo dr. Del Prato e colegas. A sessão foi coroada com os excelentes resultados obtidos em mais um trial de não-inferioridade que mostrou superioridade ao placebo em desfechos cardiovasculares.

O HARMONY OUTCOMES é um ensaio clinico, duplo-cego, randomizado, multicêntrico,  de não-inferioridade comparado ao placebo, que randomizou para receber albiglutida subcutânea semanal (30-50mg) ou placebo além do tratamento usual, 9.463 pacientes com DM2 acima de 40 anos de idade, de muito alto risco, já com doença cardiovascular estabelecida e com HbA1c acima de 7%.  É um ensaio de não-inferioridade com 2 anos de seguimento, cujo desfecho composto primário foi o 3-point MACE (morte cardiovascular, infarto agudo do miocárdio e AVC). Se a não-inferioridade fosse confirmada dentro da margem padrão de 1,30, o teste para superioridade seria realizado.

Ao final do estudo, em março de 2018, 611 eventos foram registrados em 1,5 anos de seguimento. O desfecho composto primário ocorreu em 338 (7%) dos 4.731 pacientes com albiglutida vs. 428 (9%) dos 4.732 no grupo placebo (HR 0,78, 95%IC: 0.68-0,90). A albiglutida foi superior ao placebo (p<0.0001 para não-inferioridade e p=0,0006 para superioridade) (figura A). Também houve redução significativa do desfecho secundário (infarto agudo do miocárdio) (HR 0,75 95% IC 0,61-0,90), o principal  componente propulsor do desfecho primário. Não houve diferença no número de eventos adversos sérios, incluindo pancreatite, câncer de tireóide, neoplasia hematológica, câncer de pâncreas, distúrbios hepatobileares, alteração de enzimas hepáticas, entre outros. A única diferença foi o maior número de reação inflamatória no local da aplicação da albiglutida. Em relação ao controle glicêmico, a queda da  HbA1c em 8 meses foi apenas discreta (-0,63% 95% IC: -0,69 a -0,58). Hipoglicemia severa, por sua vez, foi menos frequente no grupo albiglutida do que no grupo placebo (31 vs 55 pacientes). O peso caiu apenas minimamente no grupo albiglutida em relação ao placebo (-0,83kg  (-1,06 a -0,60) p<0,001).

 

 

É um estudo muito bem feito, com resultados robustos, o que se se confirma pela magnitude da diferença e pelo momento semelhante da abertura das curvas, tanto no desfecho primário 3P MACE como no secundário (IAM ) além do padrão "monotônico" de aumento do número de eventos. Os resultados deste estudo nos ensinam 2 coisas: Mesmo sem grande redução na HbA1c e do peso, os efeitos cardiovasculares foram impactantes e de acordo com o que se tem observado nos demais ensaios clinicos com análogos do GLP-1 como o LEADER e o SUSTAIN-6. Isto sugere que o efeito cardiovascular seja inerente ao GLP-1 e não apenas à melhora metabólica. Segundo, há clara diferença entre os benefícios cardiovasculares quando comparamos os análogos de GLP-1 derivados do GLP-1 (como a liraglutida, a semaglutida e agora a albiglutida) com os derivados do Exendin-4 (como a lixisenatida e a exenatida inclusive a de ação longa), estas últimas, moléculas bem diferentes do GLP-1 endógeno, com multiplas substituições de peptidios. Começa a ficar importante agora  a questão da diferenciação destes dois tipos de análogos já que a redução de risco cardiovascular parece ser exclusividade dos derivados do GLP-1 endógeno.

Marcello Bertoluci - EASD Berlin para SBD.

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