SBD participa do D-Foot Implementation Summit

A capital espanhola Madri sediou o D-Foot Implementation Summit, de 16 a 18 de novembro último. O encontro reuniu os principais especialistas mundiais em Pé Diabético, a fim de promover a troca de experiência sobre protocolos de avaliação e tratamentos vigentes nas diversas regiões. Dentre os destaques, está a apresentação do Projeto FAST-TRACK PATHWAY, ou seja, uma via de acesso rápido para a abordagem da úlcera de pé diabético (UPD).

O Dr Luiz Clemente Rolim esteve no encontro representando a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e explicou que o FAST-TRACK PATHWAY (ou via de atalho rápido) consiste em um fluxograma prático, rápido e mais holístico na abordagem da úlcera de pé diabético. O paciente com UPD é classificado em 3 níveis (não complicada, complicada e muito complicada) com referenciamento imediato para centros de cuidados primários, secundários ou terciários, respectivamente. O objetivo principal deste projeto é reduzir o atraso no encaminhamento desses pacientes e, consequentemente, o risco de amputações. “Uma das principais causas de amputações é justamente a demora (delay) no cuidado especializado, que pode levar semanas a meses. Assim, quando o paciente com uma UPD chega ao hospital ou centro de referência, pode ser tarde demais e o membro acaba sendo amputado”, explica Rolim.

A Dra. Ana Cristina Ravazzani esteve no D-Foot Implementation Summit também representando o Brasil e a SBD. Em sua análise, destacou a necessidade de trazer propostas para desenvolver em nosso país, como treinamento de profissionais de saúde para identificar o pé diabético.

Ainda de acordo com Dr. Clemente Rolim, o diagnóstico precoce e a aplicação terapêutica adequada precisam ser aprimorados no Brasil e no mundo, passando, inclusive, pela empoderamento da pessoa com diagnóstico de diabetes mellitus e no tratamento de comorbidades tais como depressão, insuficiência cardíaca, insônia etc. De acordo com o especialista, a depressão melancólica nos indivíduos com UPD prejudica o autocuidado, piorando o controle do diabetes e de suas complicações.

“Precisamos ter uma visão mais holística do indivíduo diabético e a avaliação dos pés está inserida neste contexto, enxergando o paciente como um todo e, desta forma, dando a atenção necessária às diversas questões que cerceiam a pessoa com diabetes. A depressão, por exemplo, pode ser identificada por meio de um questionário de rastreamento já validado na literatura (inclusive em português) o que permite que o tratamento com medicamentos seja iniciado mais rapidamente, nos casos mais graves”, explica. 

 

Maior causa de amputações no mundo

Dados da International Diabetes Federation (IDF) estimam que, mundialmente, a cada 20 segundos uma amputação seja causada por complicações do diabetes. A atenção ao pé das pessoas com a doença deve estar inserida na prática clínica – no Brasil, a capacitação técnica descentralizada ocorreu por meio da disponibilização dos protocolos da SBD. Contudo, como alerta a enfermeira Mônica Gamba, do Departamento de Neuropatias e Pé Diabético da Sociedade, a aplicação ainda é incipiente nas políticas públicas e no rastreamento realizado pela atenção básica e ambulatórios de especialidades da rede pública de saúde.

“Na cidade de São Paulo conseguimos avançar um pouco mais nesse sentido graças à aprovação da Lei 14.984/09, que instituiu o Programa de Prevenção e Tratamento das Úlceras Crônicas e do Pé Diabético. Com ela, amplia-se a promoção de estratégias em saúde e a implantação de serviços de referência para o cuidado nos Ambulatórios de Especialidades e nas Unidades de Assistência Médica Ambulatorial de Especialidades (AMA Especialidades)”, discorre Gamba.

A Profa. Mônica Gamba conclui que a participação brasileira em eventos internacionais como D-Foot Implementation Summit “é fundamental para a estruturação de consensos e para colaborar com a  capacitação técnica dos profissionais de saúde, bem como para dar maior suporte à assistência de pessoas com diabetes”.

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