Unicamp descobre substância que acelera queima de gordura e pode atuar no combate da obesidade

O tecido adiposo marrom (TAM) é um componente importante do controle da homeostase energética, aumentando o gasto energético, através da indução da termogênese. 

 

Dra. Sylka Rodovalho

Abnormal brown adipose tissue mitochondrial structure and function in IL10 deficiency

O tecido adiposo marrom (TAM) é um componente importante do controle da homeostase energética, aumentando o gasto energético, através da indução da termogênese. Estudos recentes demonstraram que o TAM é um novo alvo terapêutico no controle da obesidade e DM2, justamente por ser capaz de aumentar a produçao de calor e gastar mais energia. A questão principal é como ativar o TAM farmacologicamente de modo seguro e eficaz. A inflamação subclínica está associada à obesidade e constitui um dos principais mecanismos fisiopatológicos de ligação entre a obesidade e a resistência à insulina (RI). A inflamação está associada a disfunções estruturais e funcionais em diversos órgãos e tecidos envolvidos no metabolismo durante todo o curso da obesidade. Esse fato pode ser ilustrado por alterações estruturais como: esteatose, fibrose e cirrose que ocorrem no figado, assim como a gliose e perda da integridade da barreira hematoencefálica como ocorre no cérebro e alterações funcionais  como: mudanças no metabolismo da glicose e dos lípides nos tecidos e no controle hipotalâmico do apetite.

A pergunta que o artigo pretende responder:

A inflamação sistêmica pode alterar a atividade do TAM, levando a alterações estruturais e funcionais no TAM como ocorre em outros tecidos?

Para responder a essa questão principal, foi escolhido com modelo o estudo da interleucina 10 (IL10),  em funçao do seu potencial envolvimento na regulação do sistema imune nato e na resposta adaptativa e seu efeito protetor contra a  RI e a obesidade e na melhora da ação da insulina. Além disso, existe na literatura dados de análise de transcrição, que demonstraram que a IL 10 está relacionada com função e a dinâmica das mitocôndrias. Para esse estudo foram utilizados: 1- Modelo animal knockout para IL 10, por ser um modelo de estudo sobre o impacto da inflamação em alterações estruturais de diversos tecidos. Em relação ao TAM, alterações estruturais principalmente nas mitocôndrias (organela relacionada com a termogênese); 2- Modelo humano de mutação no gene de IL10; 3- Indivíduos obesos e obesos pré e pós cirugia bariatrica, avaliados com PET-CT (avalia função do TAM) e com biópsia do TAM supraclavicular. A obesidade, além de ser um modelo de inflamação crônica, é um dos fatores que mais interfere na perda de função do TAM, enquanto a perda de peso aumenta a captação de glicose pelo TAM, o que indica melhora da função do TAM.   

As alterações estruturais encontradas em animais IL 10 KO, analisadas por microscopia eletrônica (MO) estavam relacionadas com dano grave na camada interna da mitocôndria- membrana Cristae, membrana essencial para integridade e função da mitocôndria. As alterações são semelhantes a lesões mitocondriais observadas em doenças como câncer, doenças crônicas do fígado e exposição a agentes tóxicos. Quando os animais IL10 KO e consequente lesão mitocondrial eram expostos ao frio, não conseguiram induzir a termogênese. Vários experimentos foram realizados para aumentar os níveis de IL 10 nestes animais, o melhor resultado foi obtido com imunoneutralização do TNFα, através do uso do anticorpo monoclonal (Infliximab- usado no tratamento da Artrite Reumatoide e Doença de Crohn). Após uso do Infliximab houve recuperaçao parcial da cristae, com melhora da morfologia mitocondrial. O tratamento isolado com a IL 10 não foi capaz de recuperar as alterações estruturais. Nos humanos, não houve correlação entre os níveis de IL 10 e captação de glicose avaliada pelo PET-CT, entretanto, houve correlação entre IL 10 e taxa metabólica basal antes e após a cirurgia.

O estudo é relevante nos seguintes aspectos: 1- Estudos do tecido adiposo marrom como alvo terapêutico no tratamento da obesidade e DM2 são importantes no cenário atual de falta de perspectivas para prevenção e tratamento das duas doenças, principalmente a obesidade; 2- Elucidar os possíveis mecanismos de disfunção do TAM no contexto de inflamação sistêmica e subclínica; 3- Estudo com modelo animal e humano ao mesmo tempo; 4- Abrir uma perspectiva de tratamento para obesidade: bloqueio da inflamação para estimular o TAM.

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