SITEC 2019

Organizado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o Simpósio Internacional de Tecnologias em Diabetes (SITEC) foi realizado entre 25 e 27 de abril no Hotel Pullman Vila Olímpia, em São Paulo. Reunindo renomados palestrantes nacionais e internacionais, o evento promoveu a discussão sobre a importância da tecnologia como aliada no tratamento do paciente com diabetes.

A comissão científica do evento foi formada pelos médicos André Vianna, Denise Franco, Luiz Eduardo Calliari, Márcio Krakauer, Mauro Scharf, Mônica Gabbay e como presidente, o Dr. Walter Minicucci. Além das novas terapias em estudo, bombas de insulina, atualizações em monitoramento, terapia celular, novidades em sensores de glicose e hipoglicemia, tecnologias e aplicativos, mídias sociais e uso de softwares também foram temas abordados durante as aulas.

O presidente do Congresso, Dr. Walter Minicucci e a presidente da SBD, Dra. Hermelinda Pedrosa, foram os responsáveis pela abertura do SITEC, que foi o primeiro evento oficial da SBD este ano. “Apesar de já ter melhorado a disponibilidade de tecnologia, ainda é preciso avançar muito. Todas essas ferramentas podem favorecer o controle, favorecer a sobrevida e principalmente a qualidade de vida desse paciente. No Brasil, é preciso estender o conhecimento e alcançar, sobretudo, as regiões mais desfavorecidas.”, afirmou Hermelinda sobre o uso de tecnologias em prol da pessoa com diabetes.

Telemedicina foi o tema apresentado no primeiro dia com palestras comandadas pelos Drs. Jefferson Gomes Fernandes e Rogério Ribeiro (Departamento de Complicações Agudas – Hiperglicemia Hospitalar da SBD), que destacaram os benefícios da tecnologia para a promoção da saúde, o auxílio na prevenção primária e secundária, além do diagnóstico adequado, intervenções terapêuticas, reabilitação do paciente, triagem e educação e pesquisa. Segundo o Dr. Jefferson Fernandes, a telemedicina contribui para o aumento do acesso aos serviços de saúde, redução de custos e pode ser usada de maneira segura e qualificada, ajudando a organizar os sistemas de saúde, mas apesar das vantagens, é complementar e não substitui a necessidade de visitar o médico.

Um ponto comum e importante abordado pelos palestrantes é o benefício da telemedicina em relação aos prontuários médicos, já que muitos pacientes são internados em hospitais por AVC ou infarto, por exemplo, e não têm diabetes diagnosticado ou registrado nos prontuários. “Dados do sistema de saúde americano mostram que 40% dos pacientes com diabetes não são registrados em prontuários. Cerca de 60% dão entrada nos hospitais com o nível glicêmico descontrolado. A telemedicina pode contribuir para o monitoramento e para o controle glicêmico, fazendo com que essa informação esteja em evidência nos registros e dados do paciente”, ressaltou Dr. Rogério Ribeiro.

O segundo dia teve início com a participação da advogada Lara Rocha, que falou sobre a comunicação entre pacientes e médicos por meio do aplicativo de conversas WhatsApp e destacou a evolução do contato através da tecnologia. Durante a palestra, Lara apresentou um dado de 2017, que mostrou o aumento do desenvolvimento de aplicativos de comunicação entre médicos e pacientes. De 350 mil aplicativos criados, 32% dos downloads foram indicados presencialmente e o restante por divulgação através de dispositivos tecnológicos.

Informações sobre saúde estão disponíveis para a sociedade por diversos tipos de dispositivos, como relógios que monitoram os batimentos cardíacos e perda de peso ou vídeos disponibilizados na internet que auxiliam na aplicação da insulina e uso adequado do glicosímetro. Sendo assim, apenas 30% dos pacientes seguem a receita médica.

Lara destacou também que a consultoria jurídica do Conselho Federal de Medicina (CFM) desenvolveu um parecer com informações e instruções do que pode ou não ser feito na comunicação entre médico e paciente, mas que apesar do WhatsApp ou outros dispositivos de comunicação oferecerem benefícios, a tecnologia não pode ser substituída pela consulta presencial. “O CFM afirma que o médico deve conduzir o paciente da melhor forma, mas entendendo que há uma relação humana protegida por sigilo e protegida por confidencialidade que evoluiu por meio de tecnologia. O paciente não deve ficar sem resposta, mas é necessário que o médico tenha segurança no momento de transmitir as informações e orientações e acima de tudo, conheça o quadro clinico atual de cada paciente”, ressaltou.

Em seguida, o endocrinologista Luiz Turatti, ex-presidente da SBD, falou sobre dados da Semaglutida, uma nova medicação que chegará em maio ao mercado para auxiliar no controle glicêmico, e outros dados que sinalizam a proteção de órgãos alvos relacionados às complicações cardiovasculares do diabetes. Neste segundo momento, o SITEC também contou com a participação do médico e coordenador do Departamento de Inovação da SBD, Carlos Eduardo Couri, que destacou tratamentos e terapias imunológicas para diabetes tipo 1.

O Dr. Freddy Eliaschewitz, Assessor Científico da SBD, o palestrante internacional Dr. Robert Vigerski e a enfermeira Tainá Pizzignacco participaram do módulo que ressaltou o uso da tecnologia nos tratamentos para pacientes com diabetes e falaram respectivamente a respeito de insulina inalada para controle glicêmico, pâncreas híbrido artificial e sobre o dispositivo iPort, que evita picadas de agulhas diretas para as injeções de insulina no diabetes.

Em seguida, o médico americano Benjamin Feldman também falou sobre um novo recurso capaz de evitar as picadas para exames de ponta de dedos: a medição de glicose no líquido intersticial. A terceira parte do segundo dia de SITEC contou com muitas palestras internacionais. Dessa vez, o Dr. Robert Vigerski falou sobre a nova métrica para o diabetes, o médico alemão Ralph Ziegler comentou sobre os Sistemas de Apoio à Decisão do Diabetes e Dr. Sanjoy Dutta foi o responsável por abordar a evolução da tecnologia nas terapias de diabetes tipo 1.

A oitava e última sessão do dia destacou as novas opções para pacientes com diabetes e contou com os palestrantes Ralph Ziegler e Rodrigo Siqueira, que falaram sobre Patch Pump e Sensores Implantáveis. “O problema dos sensores atuais é que de cada 100 pacientes que usam 40% descontinuam ao longo do primeiro ano porque as perfurações frequentes não agradam e existe o receio da perda do sensor em algumas situações. Então, precisamos de uma evolução nesse cenário. Precisamos de sensores com uma vida útil maior, que seja fácil de usar e que para a prática de atividades físicas seja simples. O sensor implantável dura até 180 dias de uso contínuo, as dimensões são pequenas, é totalmente implantável e removível, à prova d’água e é conectado com um aplicativo que faz leituras reais no seu dispositivo”, afirmou Rodrigo.

Diabetes Innovation Challenge

Ainda no segundo dia de SITEC, aconteceu a fase final do Diabetes Innovation Challenge, desafio que premia startups com soluções voltadas à melhora da assistência do paciente com diabetes. As cinco startups finalistas apresentaram suas propostas de inovação para a comissão científica julgadora e para o público.

A primeira startup a se apresentar foi a BR Hommed, que trouxe como solução para o monitoramento remoto de pacientes com diabetes um aplicativo para smartphone capaz de acompanhar o nível da glicemia após a medição, pressão arterial, sinais vitais, batimentos cardíacos, peso, passos, qualidade do sono e todos os parâmetros que permitam a visão integral da saúde. Com uma equipe multidisciplinar de enfermeiros e nutricionistas, uma central de saúde estará integrada ao aplicativo, monitorando o paciente em tempo real e auxiliando no autocuidado, com o objetivo de engajar e ajudar no contato entre o médico e o paciente.

Em seguida, o representante da startup Clínica-D subiu ao palco para apresentar a proposta de um aplicativo para smartphone simples, multiplataforma e multissensorial com comunicação por voz para deficientes visuais, capaz de monitorar o diabetes. O aplicativo é integrado à clínica e configurado para cada paciente pelo profissional de saúde durante a consulta e mostra o status de saúde, orientações e indicadores de desempenho. Através dele, a pessoa com diabetes recebe orientações sobre insulina, prática de atividades físicas e dicas sobre alimentação.

Já a Gamellito, terceira startup a se apresentar, trouxe como proposta uma solução educativa para crianças e adolescentes: um jogo virtual no qual é possível aprender sobre os cuidados com diabetes tipo 1 de uma forma divertida. O jogo age como uma plataforma social onde as crianças cuidam de um pet virtual que tem diabetes e que pede ajuda para realizar os cuidados com DM1. Dessa forma, a criança compartilha experiências e se diverte, além de aprender sobre autocuidado.

A Glucogear foi a quarta startup a se apresentar e levou ao palco o desenvolvimento de uma inteligência artificial que transforma o tratamento do diabetes de um modelo reativo para um modelo preventivo. Por meio de aplicativos para smartphone, ou sensores de glicemia, por exemplo, a inteligência artificial permite que o paciente consiga prever uma hipo ou hiperglicemia horas antes. A solução é baseada em quatro pilares: histórico de glicemia, alimentação, insulina e atividade física, que permitem a avaliação do controle da glicemia futura dos pacientes com diabetes.

A última apresentação foi conduzida pela startup Hauttis, que trouxe como proposta para a monitorização glicêmica um biosensor inovador que possibilita conforto e leveza para os pacientes com diabetes, além de ser confiável e oferecer fidelidade aos resultados.

O terceiro dia de SITEC foi marcado pelo resultado do Diabetes Innovation Challenge. A Glucogear ficou em primeiro lugar e foi premiada através da votação do público e da comissão científica julgadora.

Em seguida, foi a vez do biomédico, Fábio Mattoso, apresentar o tema sobre tecnologia com o uso de nuvens e inteligência artificial para dados sobre diabetes. “A inteligência artificial serve para qualquer dado e para qualquer tipo de mídia. Pode ser usada para diagnosticar retinopatia diabética antes mesmo do paciente descobrir o diabetes”, ressaltou. Sobre o uso da nuvem, Fábio também destacou a questão dos prontuários médicos, que muitas vezes são inacessíveis: “As informações são jogadas nos prontuários e a ideia é planejar melhor a vida dos pacientes para que eles não sofram com os impactos. A nuvem permite mobilidade e segurança das informações, além do acesso aos dados antigos e aos prontuários. As informações não somem e são difíceis de hackear”, concluiu.

Depois, Dr. Ralph Ziegler e Dra. Melanie Rodacki falaram sobre o tempo no alvo (time in range) e uso de setas de tendências, que avaliam a variação da glicose e permitem que o paciente evite a hiperglicemia ou hipoglicemia. “Os brasileiros já estão usando as setas de tendências e muitas vezes de formas desordenadas. Cerca de 80% utilizam para a tomada de decisões clínicas e 20% fazem o uso sem recomendações médicas”, afirmou Melanie.

A 13ª sessão do SITEC contou com a participação do endocrinologista americano Mahmood Kazemi, que falou sobre os novos desenvolvimentos do monitoramento flash de glicose: “Diversos cientistas trabalham com algoritmos que avaliam dados de estudos clínicos e utilizam isso para melhorar a tecnologia. Existem calibradores individuais para sensores que chegam calibrados de fábrica. Os usuários até podem tentar calibrar, mas existem erros quando isso é feito por eles e nós sabemos que a monitorização da glicose depende de como é feita e como o objetivo é evitar os erros, os sensores são calibrados individualmente nas fábricas”, ressaltou. O Dr. Mahmood ainda explicou que cada sensor tem um registro de rastreamento e que se o paciente apresentar alguma queixa, o dispositivo é rastreado instantaneamente na fábrica e todas as especificações são examinadas e revisadas dentro do ponto de vista médico.

A última palestra do SITEC 2019 foi ministrada novamente pelo médico americano Sanjoy Dutta, que dessa vez falou sobre como as tecnologias e dispositivos voltados para diabetes tipo 1 e 2 podem conduzir e garantir melhores resultados. “O principal problema em viver com diabetes é a hipoglicemia, que pode ter um longo impacto sobre o paciente. Então, precisamos evitar a queda da glicemia”.

O evento foi finalizado sob comentários muito positivos de todos os presentes, pelo elevado nível de qualidade das apresentações e dos temas selecionados.

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