Neuropatias e pé diabético em discussão em Workshop sobre abordagem holística no tratamento do paciente com diabetes

No começo do mês, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), representada por sua presidente Dra. Hermelinda Pedrosa, pela Vice-Presidente e membro do membro do departamento de Epidemiologia, Farmacoeconomia e Saúde Pública, Dras. Rosane Kupfer e Lucina Bahia, respectivamente, a SBD participou do workshop “Bio-Manguinhos e a abordagem holística no tratamento do paciente diabético”, organizado pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinho/Fiocruz) no Museu de Arte do Rio (MAR). O workshop contou com a coordenação do Dr. Denizar Vianna, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (SCTIES), e Dra. Maria de Lourdes Maia, coordenadora da Assessoria Clínica de Bio da Fiocruz (Asclin).

Luciana Bahia fez uma apresentação sobre a situação socioeconômica do diabetes no Brasil, com foco em pé diabético – os governos de todo o mundo gastam centenas de milhões de dólares no tratamento da doença e com amputações, embora a complicação seja possível de ser prevenida em 85% dos casos.

Já a presidente da SBD, Hermelinda Pedrosa, forneceu dados importantes e preocupantes de que refletem o impacto da doença – mais de 58% dos pacientes com diabetes tipo 2 nunca tiveram os pés examinados e 65% daqueles com diabetes tipo 1. “É um procedimento simples que não requer tecnologia – apenas o profissional pedir para os pacientes tirarem os calçados e examinar os pés. Um simples exame dos nervos e artérias já evitaria muitas amputações”, afirma.

Durante o workshop, Pedrosa comentou a respeito do Programa Step by Step da SBD que conta com o apoio da Fiocruz e vem capacitando profissionais de todo o Brasil para oferecerem um cuidado com foco em pé diabético aos pacientes. “Padronizar esse cuidado no país é de extrema importância – fazer investimentos em instrumentos simples e de baixo custo, com o uso de monofilamento, palito e diapasão são essenciais”, explica.

Rosane Kupfer, diretora de Diabetes do IEDE-RJ, discorreu sobre o papel de uma unidade secundária dentro do sistema de saúde, SUS, enfatizando a redução de atendimento de pacientes com problemas nos pés, desde a implantação de um ambulatório especializado em prevenção.

A presidente da SBD também deu detalhes a respeito do estudo “Avaliação da eficácia e segurança do fator de crescimento epidérmico recombinante (FCEhr) intralesional em participantes com úlcera de pé diabético no Brasil”, Estudo Heberprot®, que tem encontrado dificuldades para conseguir pacientes dentro dos pré-requisitos estabelecidos. "Avaliar o tempo de cicatrização com o produto investigacional, mas há dificuldades, pois os pacientes já chegam ao atendimento prestes a amputar o membro. Para ajudar na melhora dessa condição, é preciso fazer o diagnóstico precoce e oferecer um atendimento dentro de 24 horas, segundo a recomendação do Grupo de Trabalho Internacional sobre Pé Diabético (IWGDF), para encaminhar imediatamente ao tratamento. Além disso, é necessário seguir um padrão incluindo a descarga do peso e após a cicatrização, os pacientes devem utilizar palmilhas e sapatos apropriados", sugeriu a especialista.

O evento também contou com discussões entre os participantes para possíveis soluções para os problemas enfrentados pelos pacientes com diabetes no Brasil. Além de uma melhoria do acompanhamento do paciente nas esferas municipais, estaduais e federais, visando à promoção da saúde, a prevenção e educação do paciente, citou-se, também, o fornecimento de sapatos e palmilhas adequados. "As atenções primária e terciária estão funcionando mais que a secundária. E é nesse ponto em que estamos falhando, pois é na linha de cuidado da reabilitação que devemos focar nossos esforços", frisou Maria de Lourdes Maia, coordenadora da Assessoria Clínica de Bio da Fiocruz (Asclin).

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