Probióticos e Diabetes Mellitus tipo 2

Nutricionista Leticia Fuganti Campos

  • Membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes
  • Mestre pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
  • Doutoranda em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná
  • Pós-Graduada em Nutrição Clínica pelo GANEP e em Educação em Diabetes pela UNIP
  • Presidente do Comitê de Nutrição da BRASPEN - Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral
  • Treinamento avançado no Joslin Diabetes Center - Harvard

A microbiota intestinal de indivíduos com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) apresenta diferenças quando comparada com a microbiota de não diabéticos. A composição da microbiota intestinal pode influenciar na extração de energia dos alimentos ingeridos, na permeabilidade intestinal a lipopolissacarídeos e consequentemente na inflamação sistêmica, no tempo de trânsito intestinal e na formação de ácidos graxos de cadeia curta, fundamentais para produção de GLP-1 (Glucagon-like Peptide 1). Todos estes fatores foram destacados como desencadeantes no desenvolvimento e progressão do DM2 e suas complicações.

A modulação da microbiota intestinal em indivíduos com DM pode favorecer a colonização por Lactobaciillus sp, Bifidobacterium sp, Provottela sp e reduzir a colonização por Clostridium sp, o que pode melhorar o controle glicêmico e reduzir a inflamação.

Os potenciais mecanismos de ação dos probióticos no controle glicêmico são: (1) efeitos intraluminais e diretos na mucosa, com aumento da produção de ácidos graxos de cadeia curta, redução da permeabilidade intestinal, redução da absorção de lipopolissacarídeos (LPS) e aumento da produção de GLP-1; (2) efeitos antiinflamatórios e imunomoduladores com redução de citocinas pró-inflamatórias; (3) redução do estresse oxidativo com efeito protetor de células beta; (4) efeitos na expressão de genes envolvidos na homeostase da glicemia e na resistência à insulina, com aumento da sensibilidade via GLUT-4.2

Diversas meta-análises apontam que os probióticos podem favorecer o controle glicêmico em pessoas com DM, além de contribuir para o controle de outros fatores de risco metabólicos, como controle lipídico, e que esta pode ser considerada mais uma estratégia de tratamento para o DM2. O efeito protetor dos probióticos no controle glicêmico parece ser mais importante quando a suplementação é com mais de três cepas e DM não associada à obesidade.

No entanto, mais estudos são requeridos para definir quais as melhores cepas e as combinações indicadas no DM2, qual a melhor dose, que tempo é necessário para suplementação e as interferências com medicamentos utilizados, como a metformina, que desempenha papel importante na microbiota, e outros fatores alimentares, como o consumo de adoçantes artificiais utilizados por pacientes diabéticos e conhecidos como prejudiciais para a microbiota. Ainda assim, a utilização de probióticos é considerada uma ferramenta importante e promissora dentro do arsenal de opções para o tratamento do DM2.

Referências:
  1. Lazar V, Ditu L-M, Pircalabioru GG, Picu A, Petcu L, Cucu N, et al. Gut Microbiota, Host Organism, and Diet Trialogue in Diabetes and Obesity. Front Nutr [Internet]. 2019;6:21.
  2. Miraghajani M, Dehsoukhteh SS, Rafie N, Hamedani SG, Sabihi S, Ghiasvand R. Potential mechanisms linking probiotics to diabetes: a narrative review of the literature. Sao Paulo Med J [Internet]. 2017 Apr;135(2):169–78.
  3. Li C, Li X, Han H, Cui H, Peng M, Wang G, et al. Effect of probiotics on metabolic profiles in type 2 diabetes mellitus: A meta-analysis of randomized, controlled trials. Medicine (Baltimore) [Internet]. 2016 Jun;95(26):e4088.
  4. Kim YA, Keogh JB, Clifton PM. Probiotics, prebiotics, synbiotics and insulin sensitivity. Nutr Res Rev [Internet]. 2018;31(1):35–51.
  5. Koutnikova H, Genser B, Monteiro-Sepulveda M, Faurie J-M, Rizkalla S, Schrezenmeir J, et al. Impact of bacterial probiotics on obesity, diabetes and non-alcoholic fatty liver disease related variables: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ Open [Internet]. 2019 Mar 30;9(3):e017995.
  6. Firouzi S, Majid HA, Ismail A, Kamaruddin NA, Barakatun-Nisak M-Y. Effect of multi-strain probiotics (multi-strain microbial cell preparation) on glycemic control and other diabetes-related outcomes in people with type 2 diabetes: a randomized controlled trial. Eur J Nutr [Internet]. 2017 Jun;56(4):1535–50.
  7. Miraghajani M, Dehsoukhteh SS, Rafie N, Hamedani SG, Sabihi S, Ghiasvand R. Potential mechanisms linking probiotics to diabetes: a narrative review of the literature. Sao Paulo Med J [Internet]. 2017 Apr;135(2):169–78.
  8. Lobach AR, Roberts A, Rowland IR. Assessing the in vivo data on low/no-calorie sweeteners and the gut microbiota. Food Chem Toxicol [Internet]. 2019 Feb;124:385–99. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30557670

Acompanhe

Copyright © 2019 - Sociedade Brasileira de Diabetes