É possível prevenir ou atrasar o desenvolvimento do DM1 em pessoas de alto risco?

Dra. Monica A. L. Gabbay

  • Dra. Monica A. L. Gabbay
  • Pós-doutoranda em Endocrinologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Coordenadora do Ambulatório de Tecnologia em Diabetes do Centro de Diabetes da Unifesp. Professora afiliada da Unifesp.

TEPLIZUMAB

Recentemente no mês de agosto, o FDA garantiu “Breakthrough Therapy Designation” (BTD) para a droga TEPLIZUMAB (PRV-031) para prevenção ou atraso do desenvolvimento do DM1 clínico em pacientes de alto risco. O BTD ou designação de terapia inovadora é um processo projetado para agilizar o desenvolvimento e a revisão de medicamentos destinados a tratar uma condição grave, cujas evidências clínicas preliminares indicam que a droga possa demostrar melhora substancial em relação à terapia disponível, para um endpoint clinicamente significativo. O estudo conduzido pelo TrialNet, mostrou que um curso de 14 dias com TEPLIZUMAB em um grupo de alto risco para desenvolver DM1 (presença de anticorpos anti-pancreáticos, HLA de risco para DM1) atrasou em média 2 anos o desenvolvimento da doença em crianças e adultos comparados ao placebo.

O TEPLIZUMAB, é um anticorpo monoclonal anti-CD3, que atua modificando os linfócitos T CD8+, importante células efetora na destruição das células beta. Vários estudos com esta droga utilizada em mais de 1000 pacientes de diagnóstico recente, já havia mostrado capacidade de preservar a função de células beta (preservando peptídeo C por mais tempo) e reduzindo a necessidade de insulina exógena. Mas agora o uso de TEPLIZUMAB foi anterior a manifestação da doença, sendo a primeira droga de fato a conseguir retardar o aparecimento do diabetes e após 4 anos do uso de um pulso único demonstrou que o DM1 ocorreu em 72% do grupo placebo vs 43% no grupo de intervenção. Vale ressaltar, que os efeitos colaterais foram mínimos como rush, dor local, não havendo nenhum caso de infecção ou leucopenia.

Outras observações foram que o efeito benéfico maior foi perceptível no primeiro ano de estudo, onde só 10% do grupo intervenção desenvolveu o DM contra 50% do placebo e até segundo ano maior parte do placebo havia desenvolvido a doença, enquanto no grupo intervenção somente após 4 anos.

Interessante que os indivíduos que tiveram melhor respostas foram aqueles de maior risco, isto é, apresentavam HLA DR3/DR4, anticorpos anti ZNt8 positivo e menor peptídeo C.

Algumas perguntas que teríamos que esclarecer daqui para frente:

1) Após o aparecimento do DM, seria benéfico continuar com a droga?

2) Estes pacientes após os 4 anos, permanecem com reserva de insulina maior que o grupo placebo?

3) valeria monitorar o peptídeo C e fazer um novo pulso quando houvesse uma queda para um nível de peptídeo C clinicamente significativo?

4) Já que não houve diferença da resposta conforme a idade (variava de 8 a 49 anos) seria uma droga para uso na faixa pediátrica, que costuma apresentar uma queda mais rápida no peptídeo C?

5) Poderia ser usada para retardar a evolução do diabetes e mudar o curso natural da sua história?

Estamos diante de uma janela de oportunidades em uma patologia autoimune que talvez não tenha uma evolução inexorável para falência das células beta? Vamos torcer que o caminho esteja certo.

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