Características glicêmicas e desfechos em internados por COVID-19

Artigo publicado no Journal of Diabetes Science and Technology sobre relação entre hiperglicemias e desfechos clínicos em pacientes com Covid -19 internados em hospitais americanos

Este estudo foi coordenado pelo Dr. Bruce Bode de Atlanta, e feito em colaboração com a Glytec, firma americana especializada em monitorização computadorizada de glicemia intra-hospitalar.

Como sabemos, a diabetes é uma comorbidade que, como outras, tais como hipertensão, obesidade, etc, piora os desfechos clínicos dos pacientes acometidos pela virose.

Existe na literatura pouca informação a respeito do comportamento da glicemia intra hospitalar nestes casos, e de como ela influi na evolução clínica.

Este estudo é observacional, retrospectivo, realizado em pacientes com COVID-19 confirmado. Foi avaliada a glicemia versus desfechos clínicos em indivíduos com e sem diabetes

Incluíram neste estudo, 1122 pacientes em 88 hospitais americanos, no período de 01 de março até 06 de Abril de 2020. O diabetes foi definido por uma Hb A1c acima de 6,5 % e a hiperglicemia ou a glicemia não controlada, definida por duas glicemias acima de 180 mg/dL num intervalo de 24 horas.

Os autores observaram que a taxa de mortalidade de pacientes com diabetes e ou hiperglicemia foi de 28,8%, enquanto em não diabéticos, ou aqueles que evoluíram durante a internação sem hiperglicemia, foi de 6,2%. Portanto a mortalidade nos diabéticos e ou hiperglicêmicos foi cinco vezes maior.

Outra constatação importante observada neste artigo, foi que os pacientes que evoluíram com hiperglicemia durante a internação, sem diagnóstico prévio de diabetes, apresentaram índice de mortalidade de 41,7 %, enquanto nos previamente diabéticos a taxa de mortalidade foi de 14,8%; portanto, 3 vezes maior.

Este estudo demonstra claramente que pacientes diabéticos internados com Covid -19, apresentam mortalidade, período de internação hospitalar e complicações da doença muito superiores aos não diabéticos.

Mostra também que a hiperglicemia de stress, que aparece em pacientes que não tinham diagnóstico de diabetes, é ainda mais deletéria.

Este estudo reforça a necessidade de protocolos adequados nas instituições que cuidam de pacientes internados com COVID-19, para que o controle da glicemia seja o mais rígido possível, e assim fazendo, melhoram os desfechos clínicos, principalmente a taxa de mortalidade.

Referência: Glycemic Characteristics and Clinical Outcomes of COVID-19 Patients Hospitalized in the United States. J Diabetes Sci Technol. 2020; In press

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