- Dra. Andressa Heimbecher Soares
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Diabetes e memória metabólica: uma breve história do tempo – e o quanto ele é valioso

Dra. Andressa Heimbecher Soares
- Endocrinologista
- Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
- Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
- Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.
A cada ano novos medicamentos para o controle do Diabetes tem chegado ao mercado. Desde levar o rins a filtrar uma quantidade maior de açúcar (nossos inibidores de SLGT2) , até estimular a conversa hormonal intestino cérebro (análogos de GLP-1), passando pelo desenvolvimento de insulinas de ultra longa duração, todas as armas tem se mostrado interessantes quando o assunto é controlar nossos pacientes, baseado em escolhas individualizadas. No entanto, existe uma arma que é fundamental neste contexto e independe de individualização: o tempo.
Tempo é sinônimo de memória metabólica. Fenômeno descrito a partir da observação dos...
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A Dra. Andressa Heimbecher, uma das notáveis colunistas do site da SBD, está recrutando pacientes para um estudo clínico para sua Tese de Doutorado. Este recrutamento por mídia eletrônica está autorizado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Vivemos uma verdadeira epidemia de diabetes! Hoje no Brasil são mais de 12 milhões de pessoas convivendo com a doença. Segundo o Centers for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos, 2 em cada 5 americanos vai desenvolver diabetes no decorrer de suas vidas. Como compartilhamos cada vez mais diversos aspectos culturais com aquela população, é esperado que tenhamos cada vez mais pessoas diabéticas aqui no Brasil também.
Para começar ou recomeçar, neste primeiro artigo do ano, trataremos de novidades tecnológicas e farmacológicas que cedo ou tarde chegarão ao Brasil. Como de costume, a maioria delas já está disponível em diversos outros países. Iniciaremos, então, por uma novidade que causou muita empolgação em 2015, por transmitir os resultados do sensor de glicose acoplado à bomba de insulina para o celular: o dispositivo Connect®, da empresa Medtronic®. Para quem tem o celular conectado à internet, os valores são, também, imediatamente enviados ao sistema CareLink® da empresa e podem ser visualizados em tempo real por todos aqueles que têm permissão de acesso (pais, outros familiares, profissionais de saúde, etc.). Em 2015 esse equipamento foi comercializado apenas nos EUA, mas, neste ano, essa novidade deve ser liberada por agências reguladoras em outros países (possivelmente também no Brasil).
O impacto do controle intensivo da glicemia sobre os principais desfechos renais no diabetes tipo 2 (DM2) ainda não está bem esclarecido. Para avaliar esse problema, o Estudo ADVANCE randomizou 11.140 pacientes para um grupo de controle glicêmico intensivo (meta de A1C<6,5%) ou para outro grupo em controle padrão. Foram avaliados os efeitos do tratamento sobre a doença renal em estágio terminal, necessidade de diálise ou transplante renal, morte renal, níveis dobrados de creatinina para acima de 200 micromoles por litro, macroalbuminíria de início recente e progressão ou regressão de albuminúria.
O diagnóstico de Diabetes em uma criança traz um mundo de preocupações para os pais. Desde as mais imediatas: como vou aplicar insulina? Como vou conseguir ver se meu filho está com hipoglicemia? E se o açúcar no sangue subir? Até preocupações um pouco menos imediatas, mas nem por isso menos importantes: será que ele vai aceitar o diagnóstico? E na escola, como vai ser?
A ideia neste mês é apresentar resultados de dois estudos que, de certa forma, buscaram responder a essa questão, “O que motiva ou desmotiva quem tem diabetes?”. O interessante sobre essas pesquisas é o fato de serem, de certa forma, complementares. A primeira delas se dedicou a pesquisar a questão com 31 adolescentes (13 a 18 anos) com diabetes tipo 1, e teve como objetivo principal verificar a importância de pessoas próximas (familiares, pares/amigos e profissionais de saúde).1 A segunda foi feita com 52 adultos/idosos com diabetes, doença cardíaca ou pulmonar.2







