Pílula combinada: reflexão terapêutica em diabetologia...


Dr. Eduardo Cardoso Junior
-Clínico-endocrinologista
-Ex-Secretário Municipal de Saúde de Leme, SP
-CRM: 22.863

O assunto é pertinente em se tratando de doenças crônicas silenciosas e comorbidades ou complicações em longo prazo. O diabetes mellitus encaixa-se nesta situação peculiar, aliando-se à hipertensão arterial, dislipidemias e fatores hereditários nos danos orgânicos já conhecidos na prática médica de forma usual. O dever terapêutico neste contexto é PREVENIR E EVITAR adversidades não poucas vezes irreversíveis.

A polipílula (já em fase de experimentação em pacientes cardiopatas ou com riscos de eventos C.V.) vem como proposta interessante, teoricamente racional, para aumentar a adesão ao tratamento antidiabético.

Diagnósticos não trabalhosos, um simples check up pode detectar estas tais doenças silenciosas, porém, esbarra-se, a seguir, na personalidade, no “modus vivendi”, no comportamento e nas crenças de vida do paciente. Aderir metodicamente ao tratamento, eis o desafio maior (“aí a coisa pega”).

O diabetes mellitus, com múltiplos mecanismos fisiopatológicos, requer atuações em várias frentes, exigindo da relação médico-paciente um rigor metódico para atingir metas: mudanças estilo de vida, dietas e medicações. Nos dias atuais, com vida atribulada e consumismo atraente (área alimentar, p. ex.), essas duas condições iniciais já são complicadores na aderência ao tratamento. E quanto à definição do tratamento farmacológico?

Esquemas terapêuticos com medicamentos para o diabetes e para as comorbidades muitas vezes resultam em dificuldade significativa do paciente decorrente da necessidade de vários comprimidos e tomadas ao dia, requerendo disciplina rígida para não ocorrer omissões. Os maiores impeditivos para a definição da conduta terapêutica mais adequada tem a ver com o custo do tratamento, principalmente para pacientes do SUS, os quais têm acesso apenas a medicações de baixo custo, dispensados pelo programa governamental. Os fármacos antidiabéticos mais recentes são dispendiosos e, muitas vezes, o paciente não adere a essas novas opções em função de suas dificuldades financeiras.

A polipílula pode ser uma razoável opção, provavelmente mais racional para essas situações. Dentre as vantagens da polipílula, podemos destacar as seguintes:

  • Confere maior adesão ao tratamento pela facilidade posológica: apenas 1 cápsula ou comprimido 1 a 2x ao dia.
  • Facilita bastante o tratamento, permitindo combinações terapêuticas complementares.
  • Provavelmente, reduz o custo final da polipílula em relação aos custos de cada componente farmacológico da formulação.
  • Sensibilização governamental no sentido de incluir a polipílula nos programas de assistência farmacêutica do SUS, desde que suficientemente avaliada.

No caso específico do tratamento do diabetes, já dispomos no Brasil de combinações fixas de sulfonilureia + metformina e inibidores da DPP-IV + metformina. Já aprovada pela FDA, nos Estados Unidos, a combinação de inibidores da DPP-IV + inibidores da SGLT-2 devem chegar brevemente ao Brasil. Também já estão sendo testadas outras associações, como a pioglitazona + inibidores da

DPP-IV. Vale ressaltar que o conceito da polipílula pode incluir a utilização de fármacos antidiabéticos com outros fármacos para o controle das comorbidades, tais como dislipidemias e hipertensão.

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Comentários  

Dr. Eduardo Cardoso Junior 12-04-2015 20:08
Curti este desafio e enviei o assunto. Para ler sem comprometimento ....

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