Escala fácil e flexível de contagem de carboidratos reduz, com segurança, a glicemia de pacientes diabéticos hospitalizados.


Dra Izabela Zibetti de Albuquerque
-Nutricionista Mestre em Nutrição e Saúde pela Universidade Federal de Goiás
-Nutricionista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás

Artigo comentado: Easy and flexible carbohydrate counting sliding scale reduces blood glucose of hospitalized diabetic patient in safety. Diabetes Research and Clinical Practice 2011; 93 (3) 404 – 409.

O artigo intitulado: “Escala simples e flexível de contagem de carboidratos reduz, com segurança, a glicemia de pacientes diabéticos hospitalizados” foi publicado no periódico Diabetes Research and Clinical Practice por Masakazu Hirose e colaboradores. O artigo propõe uma escala que combina contagem de carboidratos, de acordo com a razão insulina: carboidratos, e uma adaptação da escala convencional de correção de hiperglicemias, comumente utilizada no ambiente hospitalar, para simplificar os ajustes insulínicos. Os pesquisadores questionam a efetividade dessa escala convencional, representada na Figura 1, sobretudo para pacientes hospitalizados, em pós-operatórios e em Unidades de Terapia Intensiva, que necessitam de um estrito controle glicêmico. Nesta escala as doses de insulina não são ajustadas de acordo com o consumo alimentar.

Figura 1 – Escala convencional de correção de hiperglicemia

O estudo foi desenvolvido em um hospital geral para cuidados críticos da cidade de Osaka, Japão.  A escala convencional foi usada em 32 pacientes, no período de julho a agosto de 2009 e a escala de contagem de carboidratos foi utilizada com 32 pacientes admitidos neste mesmo hospital entre setembro e outubro do mesmo ano. Os níveis glicêmicos pré prandiais de café da manhã, almoço e ceia foram registrados durante 14 dias e analisados. A média diária e global de glicemias foram comparadas entre os 2 grupos.

A escala de contagem de carboidratos seguiu 3 protocolos, que variaram de acordo com a razão insulina/carboidratos e sensibilidade à insulina: (1) 1 unidade de insulina/20 gramas de carboidratos e fator de sensibilidade: 100; (2) 1 unidade de insulina/10 gramas de carboidratos e fator de sensibilidade: 50; (3) 1 unidade de insulina/ 6 gramas de carboidratos e fator de sensibilidade: 30.

(1)

(2)

(3)

O grupo que recebeu a escala de contagem de carboidratos apresentou menor média de glicemia global, menores níveis glicêmicos pré prandiais e menor porcentagem de glicemia acima de 300 mg/dl. Neste grupo ainda foi observado maiores porcentagens de glicemias entre 70 - 99 mg/dl e 100 - 199 mg/dl e maiores doses de insulina ultrarrápida (p<0,001). Segundo os autores, dois fatores contribuíram para redução dos níveis glicêmicos obtidos no grupo que utilizou a nova proposta de escala: (1) otimização das doses de insulina correspondentes ao consumo de carboidratos, e (2) aplicação de maiores doses de insulina (bolus de correção), administradas conforme os protocolos sugeridos. Apesar da redução significativa dos níveis de glicemia, o alvo glicêmico de 126 mg/dl não foi atingido. Os autores sugerem que, por se tratarem de pacientes diabéticos tipo 2, onde ainda há uma secreção residual de insulina, a ausência de aplicação de insulina basal dificultou a obtenção de um controle glicêmico adequado.

É importante ressaltar que para implantação da escala de contagem de carboidratos em nível hospitalar, os serviços de nutrição e de enfermagem devem estar integrados, de forma que o primeiro se organize para especificar a quantidade de carboidratos que cada paciente irá consumir nas refeições, levando em consideração a prescrição dietética para aquele indivíduo, e o segundo execute com precisão a aplicação de insulina, atentando-se para o bolus alimentar e de correção. No tocante à equipe médica, essa estratégia demanda capacitação destes profissionais para proporem os protocolos mais adequados para cada paciente. Portanto, embora essa estratégia tenha se mostrado uma alternativa inovadora para o cuidado do paciente com diabetes hospitalizado, além de segura e útil para o controle dos níveis glicêmicos, sua facilidade de execução será o reflexo de um trabalho multiprofissional integrado e organizado.

Fica uma reflexão ...Nossos hospitais nos permitem isso?

 

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