O impacto do controle intensivo da glicemia sobre os principais desfechos renais no diabetes tipo 2 (DM2) ainda não está bem esclarecido. Para avaliar esse problema, o Estudo ADVANCE randomizou 11.140 pacientes para um grupo de controle glicêmico intensivo (meta de A1C<6,5%) ou para outro grupo em controle padrão. Foram avaliados os efeitos do tratamento sobre a doença renal em estágio terminal, necessidade de diálise ou transplante renal, morte renal, níveis dobrados de creatinina para acima de 200 micromoles por litro, macroalbuminíria de início recente e progressão ou regressão de albuminúria.

Após uma mediana de 5 anos de seguimento os níveis médios de A1C foram de 6,5% no grupo intensivo e de 7,3% no grupo padrão. O controle glicêmico intensivo reduziu significativamente a risco de doença renal em estágio final em 65%, a microalbuminúria em 9% e a macroalbuminúria em 30%, em comparação ao controle padrão. A progressão da albuminúria...

O foco principal das pesquisas sobre o pâncreas artificial (PA) tem sido os desenvolvimentos técnicos tais como o tempo de manutenção de níveis glicêmicos adequados ou a prevenção de hipoglicemias. Poucos estudos tentaram descobrir as expectativas dos usuários em relação à tecnológica do PA.

O estudo incluiu pacientes adultos e pais de crianças com DM1 aos quais foi solicitado que preenchessem uma enquete online relacionada ao futuro uso e expectativas da tecnologia do PA. Enquete foi anunciada nas redes sociais e outras instituições dedicadas à assistência às pessoas com diabetes.

Os resultados mostraram que 266 pacientes responderam à enquete durante o período de um mês. Nada menos que 240 participantes indicaram que eles usariam um PA totalmente automático durante as 24 horas. Aproximadamente metade dos respondentes indicou que eles estariam propensos a utilizar esses recursos desde que funcionasse apenas durante a noite. Outros aspectos como tamanho, visibilidade e falta de...

O efeito do controle glicêmico intensivo sobre os desfechos renais mais importantes em pacientes com diabetes tipo 2 (DM2) ainda não está bem esclarecido. Para a avaliação dessa pendência, o estudo ADVANCE incluiu randomicamente 11.140 participantes divididos em dois grupos: o primeiro tratado com uma estratégia intensiva de redução da glicemia (meta de A1C ≤6,5%) e o segundo seguiu apenas o controle padrão da glicemia.

Os efeitos dos tratamentos mencionados sobre a doença renal em estágio final (incluindo necessidade de diálise ou de transplante renal) incluíram os seguintes parâmetros: total de eventos renais, morte renal, duplicação dos níveis de creatinina, macro ou microalbuminúria de início recente e progressão ou regressão da albuminúria.

Após um seguimento mediano de cinco anos, a A1C média foi de 6,5% no grupo intensivo e de 7,3% no grupo de tratamento padrão. O controle glicêmico intensivo reduziu significativamente o risco de doença renal em estágio final...

A forma mais grave de doença gengival é a periodontite. Quando o paciente atinge esse estágio o tecido gengival começa a se afastar dos dentes fazendo surgir espaços entre os dentes e a gengiva. Esses espaços são preenchidos por germes e pus e, assim, se aprofundam. Quando isso acontece, pode haver necessidade de cirurgia gengival para salvar o dente. Se nada for feito, a infecção progride e destrói o osso ao redor do dente, que se torna móvel e frouxo, podendo cair ou necessitar de remoção.

  • Há uma prevalência aumentada de doenças gengival em indivíduos com diabetes, caracterizando essa séria doença gengival como uma das complicações associadas ao diabetes, como a doença cardíaca, o derrame cerebral e a doença renal.
  • Existe uma relação bidirecional entre doença gengival grave e diabetes: isso significa que pessoas com diabetes são mais sensíveis a doenças gengivais mas, também, as pessoas que apresentam doença gengival...

De tempos em tempos, os adoçantes artificiais e os refrigerantes dietéticos são acusados de promover efeitos indesejáveis sobre o organismo como, por exemplo, o aumento do risco de obesidade e mesmo de diabetes. Os resultados do San Antonio Longitudinal Study of Aging, apresentado no Congresso da ADA, em 2011, mostrou uma associação entre o consumo de refrigerante dietético com um aparentemente inexplicável aumento da circunferência abdominal. Como isso seria possível?

O estudo acompanhou 474 participantes, com idades entre 65 e 74 anos, por um prazo médio de 9 anos, avaliando as alterações na circunferência abdominal durante o tempo em relação ao consumo de refrigerantes dietéticos pelos participantes. Os resultados mostraram que houve um aumento de 70% na circunferência abdominal, em comparação a aqueles que não consumiam refrigerantes dietéticos. Aqueles que consumiam dois ou mais refrigerantes dietéticos por dia apresentaram um aumento cinco vezes maior na circunferência abdominal, mesmo excluindo a...

A utilização de canetas de aplicação de insulina vem se constituindo numa prática cada vez mais frequente, tendo em vista a comodidade e a facilidade de aplicação com a utilização desse recurso. O presente estudo teve por objetivo avaliar os efeitos de dois métodos de aplicação de insulina glargina (canetas ou seringas) sobre o nível de controle glicêmico após seis meses de tratamento. O estudo também avaliou as preferências do paciente.

Os participantes do estudo tinham sido tratados com esquema basal-bolus de insulinoterapia e, por ocasião da alta, 21 pacientes receberam insulina glargina administrada por caneta de aplicação durante 3 meses, quando então o sistema de aplicação mudava para seringas de insulina, durante mais 3 meses (Grupo 1).

O Grupo 2 foi constituído por 10 pacientes que seguiram um caminho inverso, ou seja, iniciaram o tratamento com o uso de seringa nos primeiros 3 meses, passando para o uso de...

A perda do excesso de peso é uma das estratégias fundamentais para melhorar o controle do diabetes. Entretanto, a efetividade de médio e longo prazo dessas estratégias é limitada pela progressiva perda da adesão do paciente à medida que o tempo passa. Realmente, a adoção de medidas positivas no estilo de vida é um desafio tanto para pacientes, como para profissionais de saúde. Em função dessa realidade, novas e criativas abordagens têm sido tentadas no sentido de manter a motivação dos pacientes.

Uma seguradora americana desenvolveu uma proposta bastante atrativa para seus segurados com obesidade: eles poderiam optar entre pagar 20% a mais por suas apólices de seguro ou aderir a um programa de atividades físicas com o objetivo de obter descontos nos custos de suas apólices. Nada menos que 6.500 indivíduos obesos aceitaram utilizar um pedômetro para avaliar o nível de atividades físicas que vinham exercendo.

Os resultados foram...

Vamos começar este debate com um relato pessoal: eu e meus dois filhos fomos viciados em refrigerantes açucarados desde criancinhas. Eu consegui facilmente substituir os refrigerantes tradicionais pela versão diet ou zero, principalmente depois que essas bebidas passaram a ser adoçadas com aspartame. Meu filho mais velho, com um moderado excesso de peso, mesmo após uma cirurgia metabólica, também conseguiu vencer o vício das bebidas açucaradas, substituindo-as pelas versões dietéticas. Mas, meu filho mais novo, antes esbelto, agora, aos 40 e poucos anos, apresenta uma respeitável “barriguinha saliente”, apesar de não ser um glutão. O seu “pecado” é outro: ele é viciado e não consegue abandonar o vício de somente ingerir refrigerantes açucarados. E não há argumentos médicos que o convençam sobre a necessidade de redefinir suas escolhas no sentido de aderir aos refrigerantes dietéticos.

É verdade que existem alguns artigos mostrando que os refrigerantes dietéticos também apresentam eventuais efeitos...

Estudo recentemente publicado no New England Journal of Medicine, em abril de 2014, nos trouxe a grata notícia da diminuição da incidência de complicações relacionadas ao diabetes nos Estados Unidos. Embora este estudo tenha sido desenvolvido com dados de instituições americanas, não deixa de ser uma novidade autêntica a redução das complicações relacionadas ao diabetes no período de 1990 a 2010. Até que ponto os achados deste estudo poderiam ser aplicáveis à situação brasileira é uma questão bastante controversa.

Os autores avaliaram a incidência das seguintes complicações: amputação de extremidades inferiores, doença renal em estágio final, infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e morte por crises hiperglicêmicas. As taxas relativas a todas as cinco complicações mostraram uma redução entre 1990 e 2010, com um declínio relativo mais expressivo na ocorrência de IAM (-67,8%) e nas mortes por crises hiperglicêmicas (-64,4%), seguidas pela redução da ocorrência de AVC...

A luta contra o tabagismo já chegou em seu 50º aniversário e, por isso, mereceu um relatório especial do Centers for Disease Control and Prevention, dos Estados Unidos, o qual trouxe novas informações que sugerem que o tabagismo não é apenas maléfico para o diabetes mas, também, atua como um fator causal para o desenvolvimento do diabetes. Esta nova informação deriva de uma metanálise de 24 estudos prospectivos, abrangendo 3,9 milhões de indivíduos, que não apresentavam diabetes no início da observação. O estudo indicou que os fumantes ativos têm um risco de 30% a 40% maior para desenvolver DM2 em comparação com os não fumantes.

Alguns dos estudos considerados compararam os dados de pessoas que nunca fumaram com ex-fumantes, incluídos nas categorias de fumantes leves (0-15 cigarros/dia) e fumantes pesados (>15 cigarros/dia). Em comparação com aqueles que nunca fumaram, o risco relativo de desenvolver diabetes foi 14% maior em ex-fumantes,...

Quanto maior for o problema, maior é o número de medidas inócuas criadas como pseudo soluções. E quanto maior o número de pseudo soluções, menor é o número de propostas e estratégias realmente criativas e eficazes para a solução dos problemas. A obesidade é uma perigosa epidemia que vem avançando em todo o mundo a passos largos e mostra-se resistente às várias tentativas para o seu controle efetivo.

Em setembro de 2012, a Comissão de Saúde da Prefeitura de Nova Iorque determinou a proibição da venda de frascos de refrigerantes açucarados com mais de 16 onças (cerca de 480 ml), com a nobre motivação de auxiliar no combate à obesidade, muito embora tal estratégia representasse apenas uma gota d’água no oceano de fatores que geram e que nutrem generosamente a epidemia de obesidade. Sem dúvida, o excesso de consumo de refrigerantes açucarados é um problema sério, mas talvez seja mais crítico...

Muito antes de assumir a editoria do site da SBD, nosso grande amigo Reginaldo Albuquerque dava mostras de sua criatividade e de sua inquietude científica quando começou a editar os “Portulanos”, uma espécie de newsletter eletrônica na qual Reginaldo propunha o debate de temas polêmicos em diabetes, muito antes da entronização dessa técnica como uma das modalidades mais eficientes de incorporação de conhecimento médico.

Cada edição dos Portulanos se transformava num sucesso de público e de crítica muito maior que a edição anterior. Os Portulanos sempre contavam com a participação dos nomes mais expressivos da diabetologia brasileira e, sem sombra de dúvidas, pode ser considerado como um dos maiores sucessos editoriais da mídia eletrônica dos últimos tempos.

Participei dos Portulanos em várias oportunidades e, em uma delas, coloquei para discussão uma questão relativa à minha própria condição de portador de diabetes, instigando o debate em cima de um caso clínico...

Recentemente, tem-se cogitado em utilizar a hemoglobina glicada como teste de rastreio ou mesmo de diagnóstico para o diabetes como um possível substituto do teste de glicemia de jejum e do teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Entretanto, os estudos têm demonstrado que a limitação dessa proposta não está relacionada ao fato de que valores altos de A1C indiquem a presença de diabetes, mas, sim, ao fato de que um resultado "normal" não exclui a doença. Em outras palavras, a utilização da A1C no rastreio ou no diagnóstico do diabetes seria uma opção diagnóstica dotada de especificidade, porém, sem sensibilidade. Outro aspecto a ser considerado é o custo de realização do teste de A1C, que ainda é incompatível com sua utilização como teste de rastreio, do ponto de vista de economia da saúde.

No Congresso da American Diabetes Association, ocorrido em junho de 2009, em New Orleans, EUA, um...

Caros leitores,

Nesta edição da coluna "Debates", tenho a honra de veicular um assunto de extrema importância prática para o sucesso da educação em diabetes, desenvolvido pela psicóloga e especialista em educação em saúde, Graça Camara, com invejável currículo nessa área tão crítica de promoção da saúde e prevenção de doenças. A Graça tem atuação destacada como membro do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da UNIFESP e, também, do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Centro de Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Também atua como coordenadora educacional do projeto "Educando Educadores", um projeto conjunto SBD/ADJ.

Aumentando a Efetividade dos Grupos de Educação em Diabetes

Graça Maria de Carvalho Camara
Psicóloga - especialista em Educação em Saúde

A educação em diabetes tem se mostrado um recurso poderoso no tratamento e controle do diabetes. Muitos estudos revelam resultados excepcionais nesse sentido, quando...

A depressão tem impacto nocivo sobre o controle glicêmico e o diabetes mal controlado intensifica os sintomas depressivos

Para dar uma idéia das correlações negativas entre a depressão e o controle do diabetes, nada melhor do que um caso clínico real: Mariana (nome fictício) foi atendida em nosso serviço com uma glicemia média semanal de 476 mg/dL e uma variabilidade glicêmica, medida através do desvio padrão, de 60 mg/dL. Mulher sofrida, com sérios problemas familiares que incluíam alcoolismo e violência doméstica, manifestou claramente sua conformidade com o fato de nunca ter controlado seu diabetes, alegando que as consequências desse fato eram irrelevantes diante dos problemas que enfrentava.

Os esforços educacionais da equipe multidisciplinar conseguiram convencê-la a, pelo menos, tentar seguir as novas orientações para ajudá-la a obter o necessário controle glicêmico que, por sua vez, iria contribuir para a melhoria de seu depressivo estado emocional. Contra todas as expectativas, ela aderiu totalmente ao...

Um resumo do Posicionamento Oficial da American Diabetes Association, da American College of Cardiology Foundation e da American Heart Association, em janeiro de 2009.

A comunidade científica internacional vem enfrentando uma verdadeira epidemia de conclusões conflitantes emanadas de grandes estudos clínicosbem controlados. No caso específico do diabetes, estudos recentes como o ACCORD, o ADVANCE e o VADT mostraram resultados que contestam o conceito clássico segundo o qual o bom controle glicêmico é uma estratégia eficaz para a redução do risco cardiovascular. Por outro lado, na direção oposta, um estudo recente avaliando, após 9 anos, a proteção em longo prazo proporcionada pelo tratamento intensivo em indivíduos comdiabetes tipo 1 que participaram do estudo DCCT original mostrou uma redução de 42% nos eventos cardiovasculares e de 57% no risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou morte por doença cardiovascular no grupo de tratamento intensivo, em comparação com o grupo submetido a tratamento padrão [1].

Na mesma direção, um estudo de...

Instituições públicas e privadas ainda são pouco sensíveis às evidências de ações preventivas como fator de geração de ganhos econômicos.

Patrícia (nome fictício) é uma jovem senhora de 30 anos de idade, portadora de diabetes há apenas 14 anos, casada, com um filho e...provável candidata a um transplante duplo de rim e pâncreas por insuficiência renal crônica. Ela está cega de ambos os olhos por descolamento bilateral da retina devido à retinopatia diabética. Hipertensão arterial, cardiopatia e insuficiência cardíaca, dislipidemia, anemia profunda e edema generalizado complementam seu quadro clínico. Ah, ia me esquecendo de mencionar uma neuropatia muito importante a ponto dela acidentalmente enterrar um prego na sola do pé, sem sentir absolutamente nada.  Na primeira consulta, sua A1C era de 10,1%.

Graças a um invejável desejo de viver, Patrícia é um exemplo de garra, dedicação, empenho e...esperança. Através de uma intensiva intervenção educacional e farmacológica, ela conseguiu atingir uma glicemia média semanal de...

Na falta de estudos comparativos mais recentes, autoridades de saúde tendem a subestimar o tamanho real da população de portadores de diabetes no país.

O Estudo Multicêntrico sobre a Prevalência do Diabetes Mellitus no Brasil, também conhecido como “Censo Brasileiro de Diabetes”, foi um marco histórico na medicina preventiva brasileira. Sob o comando de Reginaldo Albuquerque, no CNPq, e de Geniberto Paiva Campos, no Ministério da Saúde, o Censo de Diabetes teve a coordenação técnica de Laércio Joel Franco e Maria Inês Schmidt, contando com a colaboração de um grupo assessor do qual tivemos a honra de participar, juntamente com Domingos Malerbi, Adolpho Milech, Luciano Almeida, Laurenice Pereira Lima, José Bernardo Peniche e Corina Costa Braga.

A prevalência do diabetes foi avaliada, no período de 1986 e 1988, em nove capitais brasileiras (Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife, João Pessoa, Fortaleza e Belém), através de medidas diretas de...

Dados do estudo A1C-Derived Average Glucose (ADAG) modificam a correlação entre valores de A1C e glicemia média.

Até recentemente, a avaliação do controle glicêmico de longo prazo no paciente diabético era feita exclusivamente com base nos resultados da hemoglobina glicada (A1C). Resultados de A1C abaixo de 7% eram considerados como metas de controle adequado da glicemia, o que contribuiria para a redução do risco de complicações crônicas atribuídas ao diabetes. Por muitos anos, a A1C foi considerada como padrão-ouro para a avaliação de longo prazo do controle glicêmico.

Em fevereiro de 2008, os pesquisadores franceses Louis Monnier e Claude Colette, em artigo publicado no Diabetes Care, mostraram evidências concretas dos efeitos perniciosos relacionados não apenas à hiperglicemia crônica sustentada mas, também, à variabilidade glicêmica, a qual também contribuiria de maneira significativa para o aumento do risco de complicações crônicas do diabetes, uma vez que as flutuações agudas dos níveis de glicemia ao redor de um...

Resultados finais do Veterans Affairs Diabetes Trial demonstram que a rosiglitazona não está associada a aumento da mortalidade.
 
Um dos trabalhos mais brilhantes da literatura médica foi publicado em 1984 por Goodwin e Goodwin no JAMA, sob o título “The Tomato Effect: Rejection of Highly Efficacious Therapies”. Nesse artigo, os autores descrevem o chamado “Efeito Tomate”, para caracterizar a situação na qual terapias altamente eficazes são simplesmente abandonadas em função de interpretações equivocadas de dados da literatura médica ou devido a puro preconceito científico. O termo “efeito tomate” deriva do seguinte fato histórico: o tomate pertence à família das solanaceae. As folhas e frutos de várias plantas desta família como, por exemplo, a beladona e o mandraque podem causar morte se ingeridas em quantidades suficientes caracterizando-se, assim, como plantas venenosas.

De acordo com o raciocínio vigente na época, o tomate também teria que ser venenoso em função de seu parentesco com...

O fato verídico aqui relatado mostra que intervenções terapêuticas eficazes podem, eventualmente, contrariar a lógica médica.

Estou entre aqueles que acreditam que a medicina deva ser utilizada para proporcionar, não apenas uma vida digna mas, também, uma morte com dignidade. O direito à vida deve se confundir com o dever de viver, sempre que ainda haja uma esperança de vida digna. Mas, o direito à dignidade na morte é inalienável e deve ser respeitado pelos que praticam a medicina como ciência e sacerdócio.

O ponto crucial desta questão reside, justamente, na capacidade de se definir, de forma precisa e inquestionável, a hora exata em que os esforços de sobrevivência devam dar lugar à resignação, frente a uma morte inevitável. Seguramente, este é o dilema mais crucial na vida profissional daqueles que compartilham esta filosofia de resignação perante o desfecho inevitável.

Certas vivências reais em nossa vida profissional parecem ter a finalidade de questionar nossos mais arraigados conceitos, fazendo com que nos...

Texto publicado pelo British Medical Journal, em resposta às conclusões desfavoráveis do estudo ESMON com relação à automonitorização glicêmica no diabetes tipo 2.

Transcrevo, a seguir, o conteúdo de minha resposta, publicada pelo British Medical Journal, no último dia 21 de abril, contestando as conclusões desfavoráveis do estudo ESMON com relação à automonitorização glicêmica em pessoas com diabetes tipo 2, recentemente diagnosticado, e sem a presença de complicações ou comorbidades.

As conclusões desse estudo ficam prejudicadas basicamente pela exigência da realização desnecessária de oito testes semanais, durante 12 meses, para pacientes bem controlados que, na realidade, necessitariam talvez de um ou dois testes semanais, em horários distintos. O teor de minha resposta foi o seguinte:

"Os estudos de Simon et al. e de O'Kane et al. incluíram apenas pacientes ideais, portadores de diabetes tipo 2, acompanhados a cada três meses, durante um ano inteiro. O estudo sobre a eficácia da (AMG) por O'Kane et al. incluiu apenas pacientes ‘cinco...

Lei Rouanet permite renúncia fiscal de cerca de R$ 1 bilhão para projetos de teatro, cinema e música, enquanto saúde e educação se deterioram.

Definitivamente, vivemos num país de idéias e prioridades tropicais, onde proliferam livremente as posturas de incoerência político-administrativa, subvertendo a ordem natural de nossas necessidades básicas como nação ainda subdesenvolvida, apesar do glorioso eufemismo de "país emergente".

Discutir essa postura global de incoerência seria por demais trabalhoso e não traria nenhuma contribuição adicional ao debate sobre as reais necessidades e as verdadeiras prioridades típicas de um país que ainda não conseguiu sair do subdesenvolvimento quase total nas áreas fundamentais de educação e saúde. A chamada "Lei Rouanet" é emblemática da total inversão de prioridades em nosso país tropical.

Promulgada em dezembro de 1991, a Lei 8313 (Lei Rouanet) chega quase à maioridade, com um histórico de generosa renúncia fiscal em favor de projetos que tratam de prioridades culturais,...

Cada vez mais, a visão filosófica do ato médico vem questionando a adequação das condutas terapêuticas, principalmente em relação àqueles pacientes nos quais os fatores adversos de ordem psicossocial se apresentam como obstáculos intransponíveis para o sucesso da condutaterapêutica.

Afinal, temos o direito de perturbar a tranqüilidade de um paciente polifragilizado na tentativa de impor nossos conceitos pétreos de metas adequadas de controle glicêmico?

Seria ético desestabilizar sua confortante ignorância sobre os riscos a que está sujeito em função da falta de controle adequado de fatores de risco importantes como diabetes, hipertensão, dislipidemias, entre outros?

Permitam-me apresentar a vocês o senhor "Poli-F", um típico polifragilizado, atendido em nosso no Grupo de Educação e Controle do Diabetes. Em termos de perfil de patologias associadas, ele difere pouco dos demais pacientes que nos são encaminhados, apresentando intenso descontrole glicêmico, A1C entre 8 a 12%, graus variáveis de insuficiência renal, dislipidemia, hipertensão, retinopatia e neuropatia. O que diferencia o senhor "Poli-F" dos demais pacientes é o grau...

Se me perguntarem qual é minha sensação em relação às bombásticas e altamente conflitantes conclusões dos estudos clínicos de alta confiabilidade durante os últimos anos minha pronta resposta seria algo como "Apertem os cintos...O piloto sumiu!!!" ou, para ser mais explícito e coerente, algo mais parecido com "O samba do crioulo doido..." A ciência está de cabeça para baixo. Assim como a corrupção no Brasil, a confusão científica não tem mais fim. Em muitas áreas, ninguém mais sabe o que é certo e o que é errado, ninguém mais conhece a verdade de plantão, ninguém mais sabe qual a conduta terapêutica mais apropriada.

A primeira bomba do ano explodiu em 16 de janeiro, quando foram anunciados os resultados do Estudo ENHANCE, que avaliou os efeitos da combinação de uma estatina (sinvastatina) com um bloqueador da absorção intestinal do colesterol (ezetimiba), em comparação com a sinvastatina em monoterapia. O desfecho primário...

Tomei conhecimento hoje, dia 10 de setembro de 2009, das normas publicadas pela Prefeitura do Município de São Paulo para a distribuição do material necessário para a avaliação do controle do diabetes (monitores, tiras, lancetas, seringas, etc.) dentro do Programa de Automonitoramento Glicêmico. Esse documento, sem data conhecida de publicação, foi desenvolvido com base na legislação federal e na estadual sobre o assunto e apresenta algumas impropriedades de significativo impacto clínico direto, utilizando termos como “insulinodependentes” e “não insulinodependentes”, termos já abandonados e condenados pelas sociedades médicas de diabetes há mais de 10 anos.

Além disso, menospreza a importância da automonitorização por pacientes “não insulinodependentes” (seriam estes os pacientes com diabetes tipo 2?), recomendando que os mesmos façam seus testes de glicemia nas Unidades de Saúde, uma postura que tende a perpetuar o mau controle glicêmico. Conforme informações contidas na Deliberação Del_CIB nº 43/2008, o investimento governamental em diabetes está...

As intervenções nutricionais inteligentes e adequadamente implementadas respeitando-se os gostos e preferências dos pacientes representam uma estratégia de alta eficácia na prevenção e no tratamento do diabetes. Classicamente, a orientação nutricional voltada à prevenção e ao controle do excesso de peso e da obesidade tem-se mostrado como uma das estratégias mais importantes nos esforços de se promover o controle glicêmico necessário. Quais seriam as dietas já consagradas e capazes de proporcionar benefícios indiscutíveis nesse sentido?

Dentre as intervenções nutricionais mais eficazes, a dieta do Mediterrâneo, sem sombra de dúvidas, é a que proporciona evidências científicas mais concretas. O papel dessa dieta na prevenção do diabetes tipo 2 foi avaliado em artigo publicado no British Medical Journal, em Maio de 2008. Os autores explicam que essa dieta inclui os seguintes componentes: alto coeficiente de ácidos graxos monoinsaturados/saturados, ingestão moderada de álcool, alta ingestão de legumes, vegetais, grãos, frutas e sementes, baixa ingestão...

No modelo clássico da relação médico-paciente a informação segue um fluxo de direção única, onde o médico emite ordens e o paciente obedece sem nenhuma preocupação com o aspecto educacional do ato médico. Essa forma impositiva de abordagem terapêutica, ao ignorar a importância da educação do paciente durante a consulta, acaba gerando consequências danosas aos efeitos clínicos desejáveis.  Mais modernamente, boa parte da classe médica passou a aceitar a importância do processo educacional do paciente como elemento fundamental para o sucesso terapêutico, com base no conceito óbvio segundo o qual o paciente educado será, sem dúvida, um paciente aderente aos tratamentos e às recomendações da equipe de saúde.
 
Não é fácil educar, uma vez que existe um longo caminho a percorrer entre a exposição ao conhecimento e a implementação efetiva desse conhecimento na rotina diária do paciente. Essa situação, conhecida como “a cascata do conhecimento”, está resumida na figura...

Meu primeiro e verdadeiro mestre em Educação em Diabetes foi o saudoso Dr. Donnell Etzwiller, fundador e presidente do International Diabetes Center de Minneapolis, USA, quando iniciei minha formação nessa fascinante área da diabetologia, ainda em 1985. 

Don, como era carinhosamente chamado, ensinou-me algumas regrinhas básicas para o sucesso dos projetos educacionais na prevenção da doença e na promoção da saúde, tais como: a educação em saúde deve ser um processo contínuo, que não se esgota com meia dúzia de aulinhas; o médico deve ser apenas o coordenador de uma equipe de saúde onde os profissionais não-médicos é que, efetivamente, promovem o conhecimento e a qualificação do paciente para a auto-gestão de sua doença; não basta a equipe de saúde ser multidisciplinar, mas ela precisa ser interdisciplinar, ou seja, cada membro da equipe precisa ter uma formação verticalizada em sua área de atuação e também uma formação horizontalizada nas demais áreas...

Pagina 1 de 2

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

secretaria@diabetes.org.br

SBD nas Redes