FDA Alerta Sobre Falsos Tratamentos Para Diabetes: Cuidado Com as Promessas Milagrosas


Dr. Augusto Pimazoni Netto
Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim – Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
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A Administração de Drogas e Alimentos (FDA) e a Comissão Federal de Comércio (FTC), dos Estados Unidos, iniciaram, no ano passado, uma campanha para coibir a veiculação de anúncios e vendas de produtos que são apresentados como eficazes para o controle do diabetes mas que, na verdade, constituem-se em falsos tratamentos. A FDA e a FTC também desenvolveram uma estratégia para evitar que empresas localizadas em países vizinhos aos Estados Unidos, como o Canadá e o México, também possam ser alcançadas por medidas legais sempre que veicularem informações sobre venda de produtos falsamente destinados ao controle do diabetes. Já foram identificados na Internet 112 sites que vendem ou propagam esses falsos tratamentos, sendo 84 sites localizados nos Estados Unidos, 7 no Canadá e 21 em outros países.

A ilustração mostra o anúncio do produto peruano, com o atraente apelo “diga adeus à insulina”.

Há algumas semanas, recebi um e-mail de uma empresa localizada no Peru, promovendo os efeitos milagrosos da Farinha de Abuta, um suplemento alimentício de origem vegetal, extraído de planta da região amazônica. Antes de qualquer coisa, prestem atenção no crime contra a saúde pública que a empresa comete ao induzir os pacientes diabéticos insulinizados a abandonar a insulina, substituindo-a pela farinha de abuta. O apelo promocional é extremamente atraente: Diga adeus à insulina...Notem que, na ilustração, aparece uma bela jovem e não uma pessoa de mais idade, o que leva a crer que a mensagem esteja dirigida a portadores de diabetes tipo 1. Mas os crimes contra a saúde pública não param por aí: no site da empresa, verificamos que o referido suplemento é muito eficaz não apenas para o controle do diabetes mas, também, como “antiinflamatório, anti-histamínico, antipalúdico (contra a malária), antibacteriano, antioxidante, antiespasmódico, diurético (segundo o fabricante, este efeito diurético é específico para pacientes do Brasil, Venezuela e México), hipotensor, relaxante muscular, relaxante uterino, analgésico, anti-hemorrágico, anti-séptico, afrodisíaco, cardiotônico, diaforético (promove a sudorese), expectorante, antitérmico, hepatoprotetor, estimulante tônico e... hipoglicemiante!!! ”Este exemplo é de fazer inveja aos picaretas nacionais que invadem a programação ddo rádio e da televisão para anunciar as propriedades absurdas de diversos “suplementos alimentares”, principalmente para o controle da obesidade, do colesterol e do diabetes. Com uma “maravilha terapêutica” como essa, quem precisa de insulina???

Por outro lado, não se pode ter preconceitos gratuitos contra tratamentos chamados de “naturais” que tenham apresentado evidências que suportem uma eventual ação terapêutica. A finalidade da coluna “Debates” é exatamente a de abrir uma discussão ampla, geral e irrestrita sobre assuntos controversos como este. Portanto, sua participação neste diálogo será extremamente bem-vinda, apresentando dados e argumentos favoráveis ou desfavoráveis aos tratamentos ditos “naturais”. Estamos convidando alguns colegas profissionais de saúde que têm experiência mais direta com esse tipo de tratamento para que eles tragam para este debate suas experiências.

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