Controle da Obesidade ou Controle Farmacológico dos Fatores de Risco para a Redução do Risco Cardiovascular?


Dr. Augusto Pimazoni Netto
Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim – Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
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A relação causa/efeito entre sobrepeso ou obesidade e os principais fatores de risco cardiovascular já está exaustivamente comprovada. Já é fato sobejamente conhecido que perdas de peso relativamente modestas, da ordem de 5% a 10% do peso original, conseguem proporcionar benefícios significativos a pacientes com diabetes com excesso de peso e portadores de patologias freqüentemente associadas ao diabetes, como a hipertensão e a dislipidemia. Muitos dos pacientes com diabetes tipo 2 (DM-2) que conseguem atingir tais níveis de perda de peso corpóreo descobrem que podem reduzir significativamente e até mesmo, em alguns casos, suspender os tratamentos farmacológicos que precisavam receber para o controle da hiperglicemia, da pressão arterial elevada e dos distúrbios do metabolismo do colesterol. 

A adoção da prática de atividades físicas regulares pode trazer benefícios adicionais que vão além daqueles derivados simplesmente da perda do excesso de peso corpóreo proporcionada por um tratamento dietético bem conduzido. Portanto, em tese, se a maioria dos pacientes com DM-2 conseguisse implementar com sucesso essas alterações positivas no estilo de vida, alguns tratamentos farmacológicos estariam com os dias contados.

Na prática, infelizmente, todos nós reconhecemos que os estilos saudáveis de vida não são tão fáceis assim de serem implementados e muito menos ainda de serem mantidos por períodos prolongados. Imaginemos um paciente com diabetes com 120 quilos de peso: para este paciente, perder 10% de seu peso corpóreo implicaria em perder nada menos do que 12 quilos. Profissionais de saúde podem considerar essa tarefa como uma meta perfeitamente atingível e, portanto, perfeitamente viável. Mas pergunte a um obeso de 120 quilos o que significa para ele atingir essa meta e, acima de tudo, mantê-la no decorrer dos anos. Certamente ela será considerada uma missão “quase impossível”.

Diante desse impasse, na prática clínica, como contornar esse dilema e vencer esse obstáculo? Basicamente, o paciente com DM-2 e obeso poderá escolher entre duas opções: a mais recomendada, racional e econômica seria a adoção de estilos saudáveis de vida em termos de alimentação e atividades físicas. 

A outra opção disponível seria lançar mão dos tratamentos farmacológicos disponíveis para o controle da hiperglicemia, da hipertensão e dos distúrbios lipídicos para manter todas as metas estabelecidas para os parâmetros laboratoriais de controle, recorrendo à estratégia da polifarmácia, tão comum nos dias de hoje, mas que expõe o paciente a um risco aumentado de efeitos colaterais de medicamentos, além de representar um custo econômico cada vez mais crescente, em função das novas opções terapêuticas que costumam ser mais eficazes e seguras, porém, muito mais custosas. Mesmo assim, muitos diabéticos com excesso de peso optam pelo controle farmacológico para obterem uma redução do risco cardiovascular, sem ter que se submeter aos rigores de uma dieta permanente e da prática de atividades físicas,

Portanto, diante das duas opções de conduta terapêutica aqui apresentadas, convido aos leitores desta coluna a participar deste debate, respondendo a questões do tipo: 

1) Qual dessas condutas terapêuticas é mais eficaz e segura? Teriam elas uma eficácia comparável em termos de reduzir o risco cardiovascular?

2) O indivíduo com diabetes e obeso, mantendo sob controle as metas laboratoriais dos fatores de risco e de pressão arterial estaria mesmo reduzindo o risco cardiovascular, em comparação com aquele paciente que efetivamente conseguiu perder peso? 

3) Que críticas ou advertências poderiam ser feitas aos pacientes diabéticos obesos que optarem pelo tratamento farmacológico? 

4) Que estratégias você recomendaria para a adoção efetiva de estilos saudáveis de vida pelo diabético obeso? Do debate vem a luz. 

Vamos participar...

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