A luta contra o tabagismo já chegou em seu 50º aniversário e, por isso, mereceu um relatório especial do Centers for Disease Control and Prevention, dos Estados Unidos, o qual trouxe novas informações que sugerem que o tabagismo não é apenas maléfico para o diabetes mas, também, atua como um fator causal para o desenvolvimento do diabetes. Esta nova informação deriva de uma metanálise de 24 estudos prospectivos, abrangendo 3,9 milhões de indivíduos, que não apresentavam diabetes no início da observação. O estudo indicou que os fumantes ativos têm um risco de 30% a 40% maior para desenvolver DM2 em comparação com os não fumantes.

Alguns dos estudos considerados compararam os dados de pessoas que nunca fumaram com ex-fumantes, incluídos nas categorias de fumantes leves (0-15 cigarros/dia) e fumantes pesados (>15 cigarros/dia). Em comparação com aqueles que nunca fumaram, o risco relativo de desenvolver diabetes foi 14% maior em ex-fumantes,...

Quanto maior for o problema, maior é o número de medidas inócuas criadas como pseudo soluções. E quanto maior o número de pseudo soluções, menor é o número de propostas e estratégias realmente criativas e eficazes para a solução dos problemas. A obesidade é uma perigosa epidemia que vem avançando em todo o mundo a passos largos e mostra-se resistente às várias tentativas para o seu controle efetivo.

Em setembro de 2012, a Comissão de Saúde da Prefeitura de Nova Iorque determinou a proibição da venda de frascos de refrigerantes açucarados com mais de 16 onças (cerca de 480 ml), com a nobre motivação de auxiliar no combate à obesidade, muito embora tal estratégia representasse apenas uma gota d’água no oceano de fatores que geram e que nutrem generosamente a epidemia de obesidade. Sem dúvida, o excesso de consumo de refrigerantes açucarados é um problema sério, mas talvez seja mais crítico...

Muito antes de assumir a editoria do site da SBD, nosso grande amigo Reginaldo Albuquerque dava mostras de sua criatividade e de sua inquietude científica quando começou a editar os “Portulanos”, uma espécie de newsletter eletrônica na qual Reginaldo propunha o debate de temas polêmicos em diabetes, muito antes da entronização dessa técnica como uma das modalidades mais eficientes de incorporação de conhecimento médico.

Cada edição dos Portulanos se transformava num sucesso de público e de crítica muito maior que a edição anterior. Os Portulanos sempre contavam com a participação dos nomes mais expressivos da diabetologia brasileira e, sem sombra de dúvidas, pode ser considerado como um dos maiores sucessos editoriais da mídia eletrônica dos últimos tempos.

Participei dos Portulanos em várias oportunidades e, em uma delas, coloquei para discussão uma questão relativa à minha própria condição de portador de diabetes, instigando o debate em cima de um caso clínico...

Recentemente, tem-se cogitado em utilizar a hemoglobina glicada como teste de rastreio ou mesmo de diagnóstico para o diabetes como um possível substituto do teste de glicemia de jejum e do teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Entretanto, os estudos têm demonstrado que a limitação dessa proposta não está relacionada ao fato de que valores altos de A1C indiquem a presença de diabetes, mas, sim, ao fato de que um resultado "normal" não exclui a doença. Em outras palavras, a utilização da A1C no rastreio ou no diagnóstico do diabetes seria uma opção diagnóstica dotada de especificidade, porém, sem sensibilidade. Outro aspecto a ser considerado é o custo de realização do teste de A1C, que ainda é incompatível com sua utilização como teste de rastreio, do ponto de vista de economia da saúde.

No Congresso da American Diabetes Association, ocorrido em junho de 2009, em New Orleans, EUA, um...

Caros leitores,

Nesta edição da coluna "Debates", tenho a honra de veicular um assunto de extrema importância prática para o sucesso da educação em diabetes, desenvolvido pela psicóloga e especialista em educação em saúde, Graça Camara, com invejável currículo nessa área tão crítica de promoção da saúde e prevenção de doenças. A Graça tem atuação destacada como membro do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da UNIFESP e, também, do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Centro de Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Também atua como coordenadora educacional do projeto "Educando Educadores", um projeto conjunto SBD/ADJ.

Aumentando a Efetividade dos Grupos de Educação em Diabetes

Graça Maria de Carvalho Camara
Psicóloga - especialista em Educação em Saúde

A educação em diabetes tem se mostrado um recurso poderoso no tratamento e controle do diabetes. Muitos estudos revelam resultados excepcionais nesse sentido, quando...

A depressão tem impacto nocivo sobre o controle glicêmico e o diabetes mal controlado intensifica os sintomas depressivos

Para dar uma idéia das correlações negativas entre a depressão e o controle do diabetes, nada melhor do que um caso clínico real: Mariana (nome fictício) foi atendida em nosso serviço com uma glicemia média semanal de 476 mg/dL e uma variabilidade glicêmica, medida através do desvio padrão, de 60 mg/dL. Mulher sofrida, com sérios problemas familiares que incluíam alcoolismo e violência doméstica, manifestou claramente sua conformidade com o fato de nunca ter controlado seu diabetes, alegando que as consequências desse fato eram irrelevantes diante dos problemas que enfrentava.

Os esforços educacionais da equipe multidisciplinar conseguiram convencê-la a, pelo menos, tentar seguir as novas orientações para ajudá-la a obter o necessário controle glicêmico que, por sua vez, iria contribuir para a melhoria de seu depressivo estado emocional. Contra todas as expectativas, ela aderiu totalmente ao...

Um resumo do Posicionamento Oficial da American Diabetes Association, da American College of Cardiology Foundation e da American Heart Association, em janeiro de 2009.

A comunidade científica internacional vem enfrentando uma verdadeira epidemia de conclusões conflitantes emanadas de grandes estudos clínicosbem controlados. No caso específico do diabetes, estudos recentes como o ACCORD, o ADVANCE e o VADT mostraram resultados que contestam o conceito clássico segundo o qual o bom controle glicêmico é uma estratégia eficaz para a redução do risco cardiovascular. Por outro lado, na direção oposta, um estudo recente avaliando, após 9 anos, a proteção em longo prazo proporcionada pelo tratamento intensivo em indivíduos comdiabetes tipo 1 que participaram do estudo DCCT original mostrou uma redução de 42% nos eventos cardiovasculares e de 57% no risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou morte por doença cardiovascular no grupo de tratamento intensivo, em comparação com o grupo submetido a tratamento padrão [1].

Na mesma direção, um estudo de...

Instituições públicas e privadas ainda são pouco sensíveis às evidências de ações preventivas como fator de geração de ganhos econômicos.

Patrícia (nome fictício) é uma jovem senhora de 30 anos de idade, portadora de diabetes há apenas 14 anos, casada, com um filho e...provável candidata a um transplante duplo de rim e pâncreas por insuficiência renal crônica. Ela está cega de ambos os olhos por descolamento bilateral da retina devido à retinopatia diabética. Hipertensão arterial, cardiopatia e insuficiência cardíaca, dislipidemia, anemia profunda e edema generalizado complementam seu quadro clínico. Ah, ia me esquecendo de mencionar uma neuropatia muito importante a ponto dela acidentalmente enterrar um prego na sola do pé, sem sentir absolutamente nada.  Na primeira consulta, sua A1C era de 10,1%.

Graças a um invejável desejo de viver, Patrícia é um exemplo de garra, dedicação, empenho e...esperança. Através de uma intensiva intervenção educacional e farmacológica, ela conseguiu atingir uma glicemia média semanal de...

Na falta de estudos comparativos mais recentes, autoridades de saúde tendem a subestimar o tamanho real da população de portadores de diabetes no país.

O Estudo Multicêntrico sobre a Prevalência do Diabetes Mellitus no Brasil, também conhecido como “Censo Brasileiro de Diabetes”, foi um marco histórico na medicina preventiva brasileira. Sob o comando de Reginaldo Albuquerque, no CNPq, e de Geniberto Paiva Campos, no Ministério da Saúde, o Censo de Diabetes teve a coordenação técnica de Laércio Joel Franco e Maria Inês Schmidt, contando com a colaboração de um grupo assessor do qual tivemos a honra de participar, juntamente com Domingos Malerbi, Adolpho Milech, Luciano Almeida, Laurenice Pereira Lima, José Bernardo Peniche e Corina Costa Braga.

A prevalência do diabetes foi avaliada, no período de 1986 e 1988, em nove capitais brasileiras (Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife, João Pessoa, Fortaleza e Belém), através de medidas diretas de...

Dados do estudo A1C-Derived Average Glucose (ADAG) modificam a correlação entre valores de A1C e glicemia média.

Até recentemente, a avaliação do controle glicêmico de longo prazo no paciente diabético era feita exclusivamente com base nos resultados da hemoglobina glicada (A1C). Resultados de A1C abaixo de 7% eram considerados como metas de controle adequado da glicemia, o que contribuiria para a redução do risco de complicações crônicas atribuídas ao diabetes. Por muitos anos, a A1C foi considerada como padrão-ouro para a avaliação de longo prazo do controle glicêmico.

Em fevereiro de 2008, os pesquisadores franceses Louis Monnier e Claude Colette, em artigo publicado no Diabetes Care, mostraram evidências concretas dos efeitos perniciosos relacionados não apenas à hiperglicemia crônica sustentada mas, também, à variabilidade glicêmica, a qual também contribuiria de maneira significativa para o aumento do risco de complicações crônicas do diabetes, uma vez que as flutuações agudas dos níveis de glicemia ao redor de um...

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