Resultados finais do Veterans Affairs Diabetes Trial demonstram que a rosiglitazona não está associada a aumento da mortalidade.
 
Um dos trabalhos mais brilhantes da literatura médica foi publicado em 1984 por Goodwin e Goodwin no JAMA, sob o título “The Tomato Effect: Rejection of Highly Efficacious Therapies”. Nesse artigo, os autores descrevem o chamado “Efeito Tomate”, para caracterizar a situação na qual terapias altamente eficazes são simplesmente abandonadas em função de interpretações equivocadas de dados da literatura médica ou devido a puro preconceito científico. O termo “efeito tomate” deriva do seguinte fato histórico: o tomate pertence à família das solanaceae. As folhas e frutos de várias plantas desta família como, por exemplo, a beladona e o mandraque podem causar morte se ingeridas em quantidades suficientes caracterizando-se, assim, como plantas venenosas.

De acordo com o raciocínio vigente na época, o tomate também teria que ser venenoso em função de seu parentesco com...

O fato verídico aqui relatado mostra que intervenções terapêuticas eficazes podem, eventualmente, contrariar a lógica médica.

Estou entre aqueles que acreditam que a medicina deva ser utilizada para proporcionar, não apenas uma vida digna mas, também, uma morte com dignidade. O direito à vida deve se confundir com o dever de viver, sempre que ainda haja uma esperança de vida digna. Mas, o direito à dignidade na morte é inalienável e deve ser respeitado pelos que praticam a medicina como ciência e sacerdócio.

O ponto crucial desta questão reside, justamente, na capacidade de se definir, de forma precisa e inquestionável, a hora exata em que os esforços de sobrevivência devam dar lugar à resignação, frente a uma morte inevitável. Seguramente, este é o dilema mais crucial na vida profissional daqueles que compartilham esta filosofia de resignação perante o desfecho inevitável.

Certas vivências reais em nossa vida profissional parecem ter a finalidade de questionar nossos mais arraigados conceitos, fazendo com que nos...

Texto publicado pelo British Medical Journal, em resposta às conclusões desfavoráveis do estudo ESMON com relação à automonitorização glicêmica no diabetes tipo 2.

Transcrevo, a seguir, o conteúdo de minha resposta, publicada pelo British Medical Journal, no último dia 21 de abril, contestando as conclusões desfavoráveis do estudo ESMON com relação à automonitorização glicêmica em pessoas com diabetes tipo 2, recentemente diagnosticado, e sem a presença de complicações ou comorbidades.

As conclusões desse estudo ficam prejudicadas basicamente pela exigência da realização desnecessária de oito testes semanais, durante 12 meses, para pacientes bem controlados que, na realidade, necessitariam talvez de um ou dois testes semanais, em horários distintos. O teor de minha resposta foi o seguinte:

"Os estudos de Simon et al. e de O'Kane et al. incluíram apenas pacientes ideais, portadores de diabetes tipo 2, acompanhados a cada três meses, durante um ano inteiro. O estudo sobre a eficácia da (AMG) por O'Kane et al. incluiu apenas pacientes ‘cinco...

Lei Rouanet permite renúncia fiscal de cerca de R$ 1 bilhão para projetos de teatro, cinema e música, enquanto saúde e educação se deterioram.

Definitivamente, vivemos num país de idéias e prioridades tropicais, onde proliferam livremente as posturas de incoerência político-administrativa, subvertendo a ordem natural de nossas necessidades básicas como nação ainda subdesenvolvida, apesar do glorioso eufemismo de "país emergente".

Discutir essa postura global de incoerência seria por demais trabalhoso e não traria nenhuma contribuição adicional ao debate sobre as reais necessidades e as verdadeiras prioridades típicas de um país que ainda não conseguiu sair do subdesenvolvimento quase total nas áreas fundamentais de educação e saúde. A chamada "Lei Rouanet" é emblemática da total inversão de prioridades em nosso país tropical.

Promulgada em dezembro de 1991, a Lei 8313 (Lei Rouanet) chega quase à maioridade, com um histórico de generosa renúncia fiscal em favor de projetos que tratam de prioridades culturais,...

Cada vez mais, a visão filosófica do ato médico vem questionando a adequação das condutas terapêuticas, principalmente em relação àqueles pacientes nos quais os fatores adversos de ordem psicossocial se apresentam como obstáculos intransponíveis para o sucesso da condutaterapêutica.

Afinal, temos o direito de perturbar a tranqüilidade de um paciente polifragilizado na tentativa de impor nossos conceitos pétreos de metas adequadas de controle glicêmico?

Seria ético desestabilizar sua confortante ignorância sobre os riscos a que está sujeito em função da falta de controle adequado de fatores de risco importantes como diabetes, hipertensão, dislipidemias, entre outros?

Permitam-me apresentar a vocês o senhor "Poli-F", um típico polifragilizado, atendido em nosso no Grupo de Educação e Controle do Diabetes. Em termos de perfil de patologias associadas, ele difere pouco dos demais pacientes que nos são encaminhados, apresentando intenso descontrole glicêmico, A1C entre 8 a 12%, graus variáveis de insuficiência renal, dislipidemia, hipertensão, retinopatia e neuropatia. O que diferencia o senhor "Poli-F" dos demais pacientes é o grau...

Se me perguntarem qual é minha sensação em relação às bombásticas e altamente conflitantes conclusões dos estudos clínicos de alta confiabilidade durante os últimos anos minha pronta resposta seria algo como "Apertem os cintos...O piloto sumiu!!!" ou, para ser mais explícito e coerente, algo mais parecido com "O samba do crioulo doido..." A ciência está de cabeça para baixo. Assim como a corrupção no Brasil, a confusão científica não tem mais fim. Em muitas áreas, ninguém mais sabe o que é certo e o que é errado, ninguém mais conhece a verdade de plantão, ninguém mais sabe qual a conduta terapêutica mais apropriada.

A primeira bomba do ano explodiu em 16 de janeiro, quando foram anunciados os resultados do Estudo ENHANCE, que avaliou os efeitos da combinação de uma estatina (sinvastatina) com um bloqueador da absorção intestinal do colesterol (ezetimiba), em comparação com a sinvastatina em monoterapia. O desfecho primário...

Tomei conhecimento hoje, dia 10 de setembro de 2009, das normas publicadas pela Prefeitura do Município de São Paulo para a distribuição do material necessário para a avaliação do controle do diabetes (monitores, tiras, lancetas, seringas, etc.) dentro do Programa de Automonitoramento Glicêmico. Esse documento, sem data conhecida de publicação, foi desenvolvido com base na legislação federal e na estadual sobre o assunto e apresenta algumas impropriedades de significativo impacto clínico direto, utilizando termos como “insulinodependentes” e “não insulinodependentes”, termos já abandonados e condenados pelas sociedades médicas de diabetes há mais de 10 anos.

Além disso, menospreza a importância da automonitorização por pacientes “não insulinodependentes” (seriam estes os pacientes com diabetes tipo 2?), recomendando que os mesmos façam seus testes de glicemia nas Unidades de Saúde, uma postura que tende a perpetuar o mau controle glicêmico. Conforme informações contidas na Deliberação Del_CIB nº 43/2008, o investimento governamental em diabetes está...

As intervenções nutricionais inteligentes e adequadamente implementadas respeitando-se os gostos e preferências dos pacientes representam uma estratégia de alta eficácia na prevenção e no tratamento do diabetes. Classicamente, a orientação nutricional voltada à prevenção e ao controle do excesso de peso e da obesidade tem-se mostrado como uma das estratégias mais importantes nos esforços de se promover o controle glicêmico necessário. Quais seriam as dietas já consagradas e capazes de proporcionar benefícios indiscutíveis nesse sentido?

Dentre as intervenções nutricionais mais eficazes, a dieta do Mediterrâneo, sem sombra de dúvidas, é a que proporciona evidências científicas mais concretas. O papel dessa dieta na prevenção do diabetes tipo 2 foi avaliado em artigo publicado no British Medical Journal, em Maio de 2008. Os autores explicam que essa dieta inclui os seguintes componentes: alto coeficiente de ácidos graxos monoinsaturados/saturados, ingestão moderada de álcool, alta ingestão de legumes, vegetais, grãos, frutas e sementes, baixa ingestão...

No modelo clássico da relação médico-paciente a informação segue um fluxo de direção única, onde o médico emite ordens e o paciente obedece sem nenhuma preocupação com o aspecto educacional do ato médico. Essa forma impositiva de abordagem terapêutica, ao ignorar a importância da educação do paciente durante a consulta, acaba gerando consequências danosas aos efeitos clínicos desejáveis.  Mais modernamente, boa parte da classe médica passou a aceitar a importância do processo educacional do paciente como elemento fundamental para o sucesso terapêutico, com base no conceito óbvio segundo o qual o paciente educado será, sem dúvida, um paciente aderente aos tratamentos e às recomendações da equipe de saúde.
 
Não é fácil educar, uma vez que existe um longo caminho a percorrer entre a exposição ao conhecimento e a implementação efetiva desse conhecimento na rotina diária do paciente. Essa situação, conhecida como “a cascata do conhecimento”, está resumida na figura...

Meu primeiro e verdadeiro mestre em Educação em Diabetes foi o saudoso Dr. Donnell Etzwiller, fundador e presidente do International Diabetes Center de Minneapolis, USA, quando iniciei minha formação nessa fascinante área da diabetologia, ainda em 1985. 

Don, como era carinhosamente chamado, ensinou-me algumas regrinhas básicas para o sucesso dos projetos educacionais na prevenção da doença e na promoção da saúde, tais como: a educação em saúde deve ser um processo contínuo, que não se esgota com meia dúzia de aulinhas; o médico deve ser apenas o coordenador de uma equipe de saúde onde os profissionais não-médicos é que, efetivamente, promovem o conhecimento e a qualificação do paciente para a auto-gestão de sua doença; não basta a equipe de saúde ser multidisciplinar, mas ela precisa ser interdisciplinar, ou seja, cada membro da equipe precisa ter uma formação verticalizada em sua área de atuação e também uma formação horizontalizada nas demais áreas...

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