Resultados finais do Veterans Affairs Diabetes Trial demonstram que a rosiglitazona não está associada a aumento da mortalidade.
 
Um dos trabalhos mais brilhantes da literatura médica foi publicado em 1984 por Goodwin e Goodwin no JAMA, sob o título “The Tomato Effect: Rejection of Highly Efficacious Therapies”. Nesse artigo, os autores descrevem o chamado “Efeito Tomate”, para caracterizar a situação na qual terapias altamente eficazes são simplesmente abandonadas em função de interpretações equivocadas de dados da literatura médica ou devido a puro preconceito científico. O termo “efeito tomate” deriva do seguinte fato histórico: o tomate pertence à família das solanaceae. As folhas e frutos de várias plantas desta família como, por exemplo, a beladona e o mandraque podem causar morte se ingeridas em quantidades suficientes caracterizando-se, assim, como plantas venenosas.

De acordo com o raciocínio vigente na época, o tomate também teria que ser venenoso em função de seu parentesco com...

O fato verídico aqui relatado mostra que intervenções terapêuticas eficazes podem, eventualmente, contrariar a lógica médica.

Estou entre aqueles que acreditam que a medicina deva ser utilizada para proporcionar, não apenas uma vida digna mas, também, uma morte com dignidade. O direito à vida deve se confundir com o dever de viver, sempre que ainda haja uma esperança de vida digna. Mas, o direito à dignidade na morte é inalienável e deve ser respeitado pelos que praticam a medicina como ciência e sacerdócio.

O ponto crucial desta questão reside, justamente, na capacidade de se definir, de forma precisa e inquestionável, a hora exata em que os esforços de sobrevivência devam dar lugar à resignação, frente a uma morte inevitável. Seguramente, este é o dilema mais crucial na vida profissional daqueles que compartilham esta filosofia de resignação perante o desfecho inevitável.

Certas vivências reais em nossa vida profissional parecem ter a finalidade de questionar nossos mais arraigados conceitos, fazendo com que nos...

Texto publicado pelo British Medical Journal, em resposta às conclusões desfavoráveis do estudo ESMON com relação à automonitorização glicêmica no diabetes tipo 2.

Transcrevo, a seguir, o conteúdo de minha resposta, publicada pelo British Medical Journal, no último dia 21 de abril, contestando as conclusões desfavoráveis do estudo ESMON com relação à automonitorização glicêmica em pessoas com diabetes tipo 2, recentemente diagnosticado, e sem a presença de complicações ou comorbidades.

As conclusões desse estudo ficam prejudicadas basicamente pela exigência da realização desnecessária de oito testes semanais, durante 12 meses, para pacientes bem controlados que, na realidade, necessitariam talvez de um ou dois testes semanais, em horários distintos. O teor de minha resposta foi o seguinte:

"Os estudos de Simon et al. e de O'Kane et al. incluíram apenas pacientes ideais, portadores de diabetes tipo 2, acompanhados a cada três meses, durante um ano inteiro. O estudo sobre a eficácia da (AMG) por O'Kane et al. incluiu apenas pacientes ‘cinco...

Lei Rouanet permite renúncia fiscal de cerca de R$ 1 bilhão para projetos de teatro, cinema e música, enquanto saúde e educação se deterioram.

Definitivamente, vivemos num país de idéias e prioridades tropicais, onde proliferam livremente as posturas de incoerência político-administrativa, subvertendo a ordem natural de nossas necessidades básicas como nação ainda subdesenvolvida, apesar do glorioso eufemismo de "país emergente".

Discutir essa postura global de incoerência seria por demais trabalhoso e não traria nenhuma contribuição adicional ao debate sobre as reais necessidades e as verdadeiras prioridades típicas de um país que ainda não conseguiu sair do subdesenvolvimento quase total nas áreas fundamentais de educação e saúde. A chamada "Lei Rouanet" é emblemática da total inversão de prioridades em nosso país tropical.

Promulgada em dezembro de 1991, a Lei 8313 (Lei Rouanet) chega quase à maioridade, com um histórico de generosa renúncia fiscal em favor de projetos que tratam de prioridades culturais,...

Cada vez mais, a visão filosófica do ato médico vem questionando a adequação das condutas terapêuticas, principalmente em relação àqueles pacientes nos quais os fatores adversos de ordem psicossocial se apresentam como obstáculos intransponíveis para o sucesso da condutaterapêutica.

Afinal, temos o direito de perturbar a tranqüilidade de um paciente polifragilizado na tentativa de impor nossos conceitos pétreos de metas adequadas de controle glicêmico?

Seria ético desestabilizar sua confortante ignorância sobre os riscos a que está sujeito em função da falta de controle adequado de fatores de risco importantes como diabetes, hipertensão, dislipidemias, entre outros?

Permitam-me apresentar a vocês o senhor "Poli-F", um típico polifragilizado, atendido em nosso no Grupo de Educação e Controle do Diabetes. Em termos de perfil de patologias associadas, ele difere pouco dos demais pacientes que nos são encaminhados, apresentando intenso descontrole glicêmico, A1C entre 8 a 12%, graus variáveis de insuficiência renal, dislipidemia, hipertensão, retinopatia e neuropatia. O que diferencia o senhor "Poli-F" dos demais pacientes é o grau...

Se me perguntarem qual é minha sensação em relação às bombásticas e altamente conflitantes conclusões dos estudos clínicos de alta confiabilidade durante os últimos anos minha pronta resposta seria algo como "Apertem os cintos...O piloto sumiu!!!" ou, para ser mais explícito e coerente, algo mais parecido com "O samba do crioulo doido..." A ciência está de cabeça para baixo. Assim como a corrupção no Brasil, a confusão científica não tem mais fim. Em muitas áreas, ninguém mais sabe o que é certo e o que é errado, ninguém mais conhece a verdade de plantão, ninguém mais sabe qual a conduta terapêutica mais apropriada.

A primeira bomba do ano explodiu em 16 de janeiro, quando foram anunciados os resultados do Estudo ENHANCE, que avaliou os efeitos da combinação de uma estatina (sinvastatina) com um bloqueador da absorção intestinal do colesterol (ezetimiba), em comparação com a sinvastatina em monoterapia. O desfecho primário...

Tomei conhecimento hoje, dia 10 de setembro de 2009, das normas publicadas pela Prefeitura do Município de São Paulo para a distribuição do material necessário para a avaliação do controle do diabetes (monitores, tiras, lancetas, seringas, etc.) dentro do Programa de Automonitoramento Glicêmico. Esse documento, sem data conhecida de publicação, foi desenvolvido com base na legislação federal e na estadual sobre o assunto e apresenta algumas impropriedades de significativo impacto clínico direto, utilizando termos como “insulinodependentes” e “não insulinodependentes”, termos já abandonados e condenados pelas sociedades médicas de diabetes há mais de 10 anos.

Além disso, menospreza a importância da automonitorização por pacientes “não insulinodependentes” (seriam estes os pacientes com diabetes tipo 2?), recomendando que os mesmos façam seus testes de glicemia nas Unidades de Saúde, uma postura que tende a perpetuar o mau controle glicêmico. Conforme informações contidas na Deliberação Del_CIB nº 43/2008, o investimento governamental em diabetes está...

As intervenções nutricionais inteligentes e adequadamente implementadas respeitando-se os gostos e preferências dos pacientes representam uma estratégia de alta eficácia na prevenção e no tratamento do diabetes. Classicamente, a orientação nutricional voltada à prevenção e ao controle do excesso de peso e da obesidade tem-se mostrado como uma das estratégias mais importantes nos esforços de se promover o controle glicêmico necessário. Quais seriam as dietas já consagradas e capazes de proporcionar benefícios indiscutíveis nesse sentido?

Dentre as intervenções nutricionais mais eficazes, a dieta do Mediterrâneo, sem sombra de dúvidas, é a que proporciona evidências científicas mais concretas. O papel dessa dieta na prevenção do diabetes tipo 2 foi avaliado em artigo publicado no British Medical Journal, em Maio de 2008. Os autores explicam que essa dieta inclui os seguintes componentes: alto coeficiente de ácidos graxos monoinsaturados/saturados, ingestão moderada de álcool, alta ingestão de legumes, vegetais, grãos, frutas e sementes, baixa ingestão...

No modelo clássico da relação médico-paciente a informação segue um fluxo de direção única, onde o médico emite ordens e o paciente obedece sem nenhuma preocupação com o aspecto educacional do ato médico. Essa forma impositiva de abordagem terapêutica, ao ignorar a importância da educação do paciente durante a consulta, acaba gerando consequências danosas aos efeitos clínicos desejáveis.  Mais modernamente, boa parte da classe médica passou a aceitar a importância do processo educacional do paciente como elemento fundamental para o sucesso terapêutico, com base no conceito óbvio segundo o qual o paciente educado será, sem dúvida, um paciente aderente aos tratamentos e às recomendações da equipe de saúde.
 
Não é fácil educar, uma vez que existe um longo caminho a percorrer entre a exposição ao conhecimento e a implementação efetiva desse conhecimento na rotina diária do paciente. Essa situação, conhecida como “a cascata do conhecimento”, está resumida na figura...

Meu primeiro e verdadeiro mestre em Educação em Diabetes foi o saudoso Dr. Donnell Etzwiller, fundador e presidente do International Diabetes Center de Minneapolis, USA, quando iniciei minha formação nessa fascinante área da diabetologia, ainda em 1985. 

Don, como era carinhosamente chamado, ensinou-me algumas regrinhas básicas para o sucesso dos projetos educacionais na prevenção da doença e na promoção da saúde, tais como: a educação em saúde deve ser um processo contínuo, que não se esgota com meia dúzia de aulinhas; o médico deve ser apenas o coordenador de uma equipe de saúde onde os profissionais não-médicos é que, efetivamente, promovem o conhecimento e a qualificação do paciente para a auto-gestão de sua doença; não basta a equipe de saúde ser multidisciplinar, mas ela precisa ser interdisciplinar, ou seja, cada membro da equipe precisa ter uma formação verticalizada em sua área de atuação e também uma formação horizontalizada nas demais áreas...

A avaliação correta do controle glicêmico é um recurso indispensável para se verificar a adequação do tratamento, tanto em portadores de diabetes tipo 1, como do tipo 2. é através dessa avaliação que o médico pode definir as necessidades de eventuais mudanças no esquema terapêutico. Na prática clínica, essa avaliação pode ser feita através de dois testes principais: a glicemia de ponta de dedo, realizada em casa pelo próprio paciente, e a hemoglobina glicada, também conhecida como hemoglobina glicosilada e abreviada como A1C ou HbA1c, sendo que este teste só pode ser realizado em laboratórios clínicos, não sendo recomendado ainda na rotina do controle domiciliar.

Embora ambos os testes sejam destinados à avaliação do controle glicêmico, cada um desses testes oferece um determinado tipo de informação. A glicemia de ponta de dedo, por exemplo, informa o nível de glicemia no momento exato do teste (lembrar que a glicemia varia continuamente durante...

Uma diferença estatisticamente significante traduz  obrigatoriamente uma significância clínica? *

Durante a Reunião Anual da American Diabetes Association aconteceu o ansiosamente esperado debate entre Steven Nissen, um cardiologista da Cleveland Clinic e Philip Home, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido. O primeiro defendeu ardorosamente os resultados da meta-análise que publicou recentemente no New England Journal of Medicine (NEJM), questionando a segurança de uso da rosiglitazona em função de uma suposta associação com um risco significativamente aumentado de infarto do miocárdio. O segundo, apresentou os resultados de uma análise parcial dos dados do estudo RECORD (Rosiglitazone Evaluated for Cardiac Outcomes and Regulation of Glycemia in Diabetes), um estudo prospectivo de longo prazo desenhado exclusivamente para avaliar o risco cardiovascular com o uso de rosiglitazona. 

Diferentemente da meta-análise de Nissen, o estudo RECORD, coordenado por Home e também publicado no NEJM, não conseguiu evidenciar nenhuma associação direta entre o uso de rosiglitazona...

A relação causa/efeito entre sobrepeso ou obesidade e os principais fatores de risco cardiovascular já está exaustivamente comprovada. Já é fato sobejamente conhecido que perdas de peso relativamente modestas, da ordem de 5% a 10% do peso original, conseguem proporcionar benefícios significativos a pacientes com diabetes com excesso de peso e portadores de patologias freqüentemente associadas ao diabetes, como a hipertensão e a dislipidemia. Muitos dos pacientes com diabetes tipo 2 (DM-2) que conseguem atingir tais níveis de perda de peso corpóreo descobrem que podem reduzir significativamente e até mesmo, em alguns casos, suspender os tratamentos farmacológicos que precisavam receber para o controle da hiperglicemia, da pressão arterial elevada e dos distúrbios do metabolismo do colesterol. 

A adoção da prática de atividades físicas regulares pode trazer benefícios adicionais que vão além daqueles derivados simplesmente da perda do excesso de peso corpóreo proporcionada por um tratamento dietético bem conduzido. Portanto, em tese, se a maioria dos...

Quase todos os dias nos deparamos com o conceito de “significância estatística” dos resultados de um estudo clínico, geralmente avaliada através da expressão “p<0,05” ou semelhantes. Mas, na realidade, o que significa isso em termos de verdade científica? O termo “nível de significância” não costuma ser adequadamente entendido pelos médicos na prática clínica.

Na linguagem coloquial, o termo “significante” quer dizer “algo importante” ao passo que, na linguagem estatística, esse termo tem o significado de “provavelmente verdadeiro” e, portanto, não resultante de uma situação aleatória. Um achado científico pode ser verdadeiro sem ser necessariamente importante. Quando os estaticistas dizem que um resultado é “altamente significante”, isto significa que a hipótese que está sendo testada é muito provavelmente verdadeira. Da mesma forma, em ciência, o fato de uma diferença entre tratamentos, por exemplo, ser estatisticamente significante, isso não significa necessariamente que esta diferença seja clinicamente importante ou interessante.

A definição do limite...

A Administração de Drogas e Alimentos (FDA) e a Comissão Federal de Comércio (FTC), dos Estados Unidos, iniciaram, no ano passado, uma campanha para coibir a veiculação de anúncios e vendas de produtos que são apresentados como eficazes para o controle do diabetes mas que, na verdade, constituem-se em falsos tratamentos. A FDA e a FTC também desenvolveram uma estratégia para evitar que empresas localizadas em países vizinhos aos Estados Unidos, como o Canadá e o México, também possam ser alcançadas por medidas legais sempre que veicularem informações sobre venda de produtos falsamente destinados ao controle do diabetes. Já foram identificados na Internet 112 sites que vendem ou propagam esses falsos tratamentos, sendo 84 sites localizados nos Estados Unidos, 7 no Canadá e 21 em outros países.

A ilustração mostra o anúncio do produto peruano, com o atraente apelo “diga adeus à insulina”.

Há algumas semanas, recebi um e-mail de uma empresa...

A evolução do conhecimento médico torna indispensável a revisão periódica dos conceitos vigentes. No transcorrer de cada ano, as entidades nacionais e internacionais ligadas ao diabetes produzem farto material de atualização sobre a doença. A American Diabetes Association (ADA) publica, em janeiro de cada ano, uma revisão de suas recomendações sobre os padrões de cuidados médicos em diabetes. Nesta atualização, vamos abordar algumas das novas recomendações da ADA de maior impacto clínico, utilizando um formato didático e simplificado. Um maior detalhamento dos tópicos abordados neste artigo pode ser obtido através de consulta às referências bibliográficas mencionadas.

RESUMO DE ATUALIZAÇÃO SOBRE OS NOVOS PADRÕES DA ADA PARA A PRÁTICA CLÍNICA EM DIABETES  

1. O teste de hemoglobina glicada (A1C) está agora indicado como um dos parâmetros para o diagnóstico do diabetes e de pré-diabetes.

O diagnóstico de diabetes pode ser feito quando o nível de A1C for superior a 6,5%. Valores...

A polêmica sobre o uso da A1C como parâmetro diagnóstico do diabetes e do pré-diabetes ainda está longe de ser resolvida. Ainda existem aspectos importantes que precisam ser esclarecidos antes que essa proposta seja definitivamente incorporada nas práticas médicas usuais na atenção ao diabetes. Do ponto de vista conceitual, o teste de hemoglobina glicada reflete efetivamente a MÉDIA de controle glicêmico dos últimos 2 a 4 meses sendo, portanto, um reflexo mais confiável da existência de hiperglicemia importante, em comparação a resultados pontuais dos testes de glicemia atualmente utilizados para a caracterização clínica e laboratorial do diabetes e do pré-diabetes.

De acordo com os conceitos tradicionalmente vigentes, os pontos de corte para a caracterização do pré-diabetes estão definidos entre 100 mg/dL e 126 mg/dL. Acima desse último valor, estaria caracterizada a presença do diabetes. Surge então a pergunta óbvia: não estaríamos utilizando padrões extremamente simplistas para o diagnóstico dessas condições,...

A edição Online First do New England Journal Medicine (NEJM) de hoje, 14 de março de 2010, nos traz os resultados de dois grandes estudos (ACCORD e NAVIGATOR), cujos resultados contestam conceitos tradicionais nas áreas de cardiologia diabetológica e prevenção do diabetes. 

Resultados preliminares do estudo ACCORD mostraram que uma estratégia muito intensificada de controle glicêmico aumentou o risco de morte em pacientes diabéticos, muito embora essa conclusão tenha sido recentemente contestada por uma metanálise publicada no Lancet [1]. Agora, a publicação do NEJM traz os resultados do braço do estudo ACCORD que avaliou o impacto do controle intensivo da pressão arterial [2], bem como a eficácia da terapia de combinação para o controle de lípides no paciente diabético [3]. 

Até agora, não havia evidência de estudos randomizados para se adotar metas abaixo de 135 a 140 mmHg para a pressão sistólica em portadores de diabetes tipo 2 (DM-2), muito embora a meta de...

Tecnicamente, existe uma diferença conceitual importante entre eficácia e efetividade. O termo eficácia refere-se aos resultados positivos de uma determinada intervenção ou de um determinado tratamento, em condições operacionais controladas como, por exemplo, no decorrer de um estudo clínico. Por outro lado, o termo efetividade representa a obtenção de resultados positivos de uma intervenção ou tratamento mas em condições não controladas de vida real, na prática clínica diária. Do ponto de vista prático, o que importa é a efetividade. Numa condição de estudo clínico, por exemplo, a aderência do paciente é exigida para que ele continue participando da pesquisa e, por isso, o próprio paciente sente-se motivado a aderir às recomendações e aos tratamentos ministrados. Entretanto, é importante ressaltar que um determinado tratamento pode demonstrar eficácia em condições controladas, mas não demonstrar efetividade na vida real, muitas vezes por falta de adesão ou de motivação do paciente.

Talvez o exemplo...

Técnica inédita confirma o papel potencial da microbiota intestinal nos distúrbios glicêmicos e no metabolismo lipídico em obesos.

Não se assuste. É isso mesmo que você leu acima: pacientes obesos e com pré-diabetes melhoram a sensibilidade à insulina depois de transplante fecal com material obtido de doadores magros e saudáveis.

Estudos animais já haviam confirmado uma associação entre a obesidade e a microbiota intestinal: animais que receberam bactérias de fezes de camundongos obesos apresentaram um aumento significativamente maior da gordura corpórea total do que aqueles colonizados com a microbiota de camundongos magros.

Esse estudo promoveu grande interesse e intenso debate sobre sua aplicabilidade prática depois de sua apresentação no recente Congresso Europeu de Diabetes, realizado na semana passada, em Estocolmo. Foi um estudo piloto, randomizado e controlado, avaliando o efeito do transplante de fezes para o controle de disfunções metabólicas importantes no homem.

Foram incluídos 18 pacientes do sexo masculino...

Em janeiro de cada ano, a American Diabetes Association publica uma revisão dos padrões e recomendações para os cuidados médicos de pessoas com diabetes. Este nosso artigo resume os principais tópicos abordados na publicação Standards of Medical Care in Diabetes – 2011.

Critérios atuais para o diagnóstico do diabetes

Não houve modificações quanto aos critérios recomendados para o diagnóstico do diabetes em relação a 2010. Assim, os seguintes critérios foram revalidados para fins diagnósticos: A1C ≥ 6,5%; glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL; glicemia pós-prandial de 2 horas ≥ 200 mg/dL durante teste oral de tolerância à glicose, com a utilização de uma carga de 75 g de glicose em água; glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL, na presença de sintomas clássicos de hiperglicemia.

Rastreio para diabetes em indivíduos assintomáticos

O teste de rastreio para a detecção de diabetes tipo 2 (DM2) e para a avaliação do risco futuro para diabetes...

Não é novidade para ninguém que o diabetes está relacionado com várias complicações crônicas, principalmente as de caráter microvascular. Por outro lado, o que talvez poucos saibam, é que 10% a 15% das pessoas com diabetes nunca desenvolvem as complicações clássicas da doença. Qual seria o segredo desse mecanismo protetor? Pesquisadores suecos da Lund University Diabetes Center irão pesquisar esse assunto através do Estudo PROLONG (Protective Genes in Diabetes and Longevity).

Na Suécia, há 12.000 pessoas com diabetes há mais de 30 anos, das quais 1.600 há mais de 50 anos. Cerca de 2/3 dessa população com mais de 50 anos de diabetes (± 1066 pessoas) nunca apresentou complicações, o que leva os autores a acreditar que essas pessoas efetivamente são diferentes das outras que constituem a maioria da população diabética.

O Estudo PROLONG tentará identificar as causas desse invejável mecanismo protetor, selecionando inicialmente uma população de pessoas com diabetes...

A situação do controle glicêmico no Brasil é desastrosa e altamente preocupante: 90% dos diabéticos tipo 1 e 73% dos diabéticos tipo 2 estão com o diabetes fora de controle. Uma das principais causas dessa situação é a falta de uma prática adequada de automonitorização da glicemia, o que retarda o diagnóstico do descontrole e não permite ao médico tomar decisões terapêuticas mais eficazes, exatamente pela falta de conhecimento do estado do controle glicêmico de seus pacientes.

A maioria dos pacientes simplesmente não dispõe dos monitores de glicemia e das tiras reagentes para essa prática. Dentre os que dispõem desse recurso, a grande maioria o utiliza de maneira equivocada, seja realizando os testes de forma totalmente aleatória e não freqüente, seja realizando seus testes sempre à mesma hora do dia, em geral sempre em jejum. Assim procedendo, o paciente jamais poderá conhecer o real estado de seu controle glicêmico: ele poderá...

Os relatos de efeitos colaterais sérios de medicamentos contra diabetes vêm se transformando numa angustiante rotina para todos aqueles que têm sob sua responsabilidade proporcionar o melhor e mais seguro esquema terapêutico para seus pacientes com diabetes. Com raras exceções, muitos dos fármacos lançados mais recentemente estão sob suspeita de aumentar o risco de diversos tipos de câncer e/ou o risco cardiovascular, muito embora jamais se tenha comprovado, de maneira indiscutível, esse suposto aumento de risco.

Normas recentes emanadas pela Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, exigem avaliações muito mais rigorosas de possíveis efeitos colaterais mais sérios que impliquem em aumento de risco de câncer ou de outras patologias de maior significado clínico e epidemiológico. Estudos especificamente desenhados para avaliar questões de segurança de uso são hoje exigidos com o máximo rigor pelas autoridades regulatórias. Por outro lado, as metanálises conduzidas para fins de avaliação de segurança dos fármacos acabam...

De tempos em tempos, os adoçantes artificiais e os refrigerantes dietéticos são acusados de promover efeitos indesejáveis sobre o organismo como, por exemplo, o aumento do risco de obesidade e mesmo de diabetes. Os resultados do San Antonio Longitudinal Study of Aging, apresentado no Congresso da ADA, em junho último, mostrou uma associação entre o consumo de refrigerante dietético com um aparentemente inexplicável aumento da circunferência abdominal. Como isso seria possível?

O estudo acompanhou 474 participantes, com idades entre 65 e 74 anos, por um prazo médio de 9 anos, avaliando as alterações na circunferência abdominal durante o tempo em relação ao consumo de refrigerantes dietéticos pelos participantes. Os resultados mostraram que houve um aumento de 70% na circunferência abdominal, em comparação a aqueles que não consumiam refrigerantes dietéticos. Aqueles que consumiam dois ou mais refrigerantes dietéticos por dia apresentaram um aumento cinco vezes maior na circunferência abdominal, mesmo excluindo a...

O estudo Look AHEAD (Action for Health in Diabetes) teve por objetivo avaliar se as intervenções de estilo de vida que resultam em perda de peso também reduziriam as taxas de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e mortes cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 2 (DM2) apresentando sobrepeso ou obesidade. O estudo incluiu 5.145 pessoas e foi conduzido em 16 centros de pesquisa nos Estados Unidos. Esses pacientes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de intervenção: uma intervenção intensiva de estilo de vida ou um programa geral de apoio e educação em diabetes. Ambos os grupos receberam cuidados médicos de rotina.

Apesar de muito bem planejado, o estudo foi interrompido precocemente, em setembro de 2012, após a constatação de que as pessoas obesas e com DM2 podem perder peso e manter essa perda com intervenções de estilo de vida, porém, não obtêm benefícios cardiovasculares. Ou seja, embora o estudo indicasse...

Tecnicamente, existe uma diferença conceitual importante entre eficácia e efetividade. O termo “eficácia” refere-se aos resultados positivos de uma determinada intervenção ou de um determinado tratamento, em condições operacionais controladas como, por exemplo, no decorrer de um estudo clínico. Por outro lado, o termo “efetividade” representa a obtenção de resultados positivos de uma intervenção ou tratamento, mas em condições não controladas de vida real, na prática clínica diária. Do ponto de vista prático, o que importa é a efetividade. Numa condição de estudo clínico, por exemplo, a aderência do paciente é exigida para que ele continue participando da pesquisa e, por isso, o próprio paciente sente-se motivado a aderir às recomendações e aos tratamentos ministrados. Entretanto, é importante ressaltar que um determinado tratamento pode demonstrar eficácia em condições controladas, mas não demonstrar efetividade na vida real, muitas vezes por falta de adesão ou de motivação do paciente.

Talvez o exemplo mais expressivo dessa diferença entre...

Definitivamente, deu a louca na literatura médica internacional que, a cada dia, intensifica a divulgação de resultados controversos entre diferentes estudos clínicos, promovendo intensa confusão e uma certa insegurança mesmo em especialistas do mais alto gabarito, gerando mais calor do que luz, mais discurso do que recurso, mais metas do que meios e mais verbo do que verba, como diria Joelmir Beting. A situação é catastrófica e tende a ficar cada vez pior na medida em que se agigantam as controvérsias, inclusive em relação a conceitos básicos tradicionais da ciência médica.

Agora, a controvérsia chegou aos refrigerantes dietéticos, inicialmente considerados a "salvação da lavoura" para o paladar dos portadores de diabetes, posteriormente considerados como fator de risco para síndrome metabólica e diabetes tipo 2 e, mais recentemente, mostrando uma eficácia ainda experimental no sentido de aumentar a liberação de GLP-1, nos moldes da ação farmacológica dos inibidores da DPP-IV, também...

Todo novo conceito, toda nova abordagem fatalmente enfrenta alguma resistência e desperta  alguma polêmica até ser definitivamente incorporado ao rol de procedimentos aceitos pela comunidade médica. O uso da A1c no diagnóstico do diabetes tipo 2 não seria exceção. Em janeiro de 2010, a American Diabetes Association (ADA) recomendou os seguintes pontos de corte para caracterização das condições de normalidade, pré-diabetes e diabetes[1]: 

- A1C entre 5,0% a 5,5% = Ausência de diabetes. Faixa normal
- A1C entre 5,5% a 6,0% = Nível adequado para implementar ações preventivas
- A1C entre 5,7% a 6,4% = Pré-diabetes: Alto risco de desenvolver diabetes
- A1C maior ou igual a 6,5% = Presença de diabetes 

Por sua vez, a American Association of Clinical Endocrinologists (AACE) discorda dos critérios da ADA para a caracterização do estado de pré-diabetes, defendendo a idéia de que um nível de A1C na faixa de 5,5% a 6,4% valeria apenas como um...

Recomendações Oficiais de Revisão da Conduta Terapêutica a Cada Três Meses Retardam a Obtenção do Controle Glicêmico e Promovem a Inércia Clínica

Estudo clínico conduzido por nosso Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo confirmou a eficácia e a segurança do controle intensivo do diabetes em pacientes com DM2 e resistentes às abordagens terapêuticas tradicionais. Os resultados preliminares desse estudo foram apresentados durante o último Congresso Brasileiro de Diabetes, realizado em Fortaleza, em novembro de 2009, tendo recebido o Prêmio Procópio do Valle, atribuído pela Sociedade Brasileira de Diabetes ao melhor trabalho apresentado no Congresso na área de Educação e Controle do Diabetes. (Os resultados finais e definitivos desse estudo serão apresentados em duas ocasiões durante o próximo congresso da American Diabetes Association (ADA): 1-) no evento especial “Back to the Future – Glicose Measuring, Monitoring and Predicting”, às...

Pagina 1 de 2

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

secretaria@diabetes.org.br

SBD nas Redes