A avaliação correta do controle glicêmico é um recurso indispensável para se verificar a adequação do tratamento, tanto em portadores de diabetes tipo 1, como do tipo 2. é através dessa avaliação que o médico pode definir as necessidades de eventuais mudanças no esquema terapêutico. Na prática clínica, essa avaliação pode ser feita através de dois testes principais: a glicemia de ponta de dedo, realizada em casa pelo próprio paciente, e a hemoglobina glicada, também conhecida como hemoglobina glicosilada e abreviada como A1C ou HbA1c, sendo que este teste só pode ser realizado em laboratórios clínicos, não sendo recomendado ainda na rotina do controle domiciliar.

Embora ambos os testes sejam destinados à avaliação do controle glicêmico, cada um desses testes oferece um determinado tipo de informação. A glicemia de ponta de dedo, por exemplo, informa o nível de glicemia no momento exato do teste (lembrar que a glicemia varia continuamente durante...

Uma diferença estatisticamente significante traduz  obrigatoriamente uma significância clínica? *

Durante a Reunião Anual da American Diabetes Association aconteceu o ansiosamente esperado debate entre Steven Nissen, um cardiologista da Cleveland Clinic e Philip Home, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido. O primeiro defendeu ardorosamente os resultados da meta-análise que publicou recentemente no New England Journal of Medicine (NEJM), questionando a segurança de uso da rosiglitazona em função de uma suposta associação com um risco significativamente aumentado de infarto do miocárdio. O segundo, apresentou os resultados de uma análise parcial dos dados do estudo RECORD (Rosiglitazone Evaluated for Cardiac Outcomes and Regulation of Glycemia in Diabetes), um estudo prospectivo de longo prazo desenhado exclusivamente para avaliar o risco cardiovascular com o uso de rosiglitazona. 

Diferentemente da meta-análise de Nissen, o estudo RECORD, coordenado por Home e também publicado no NEJM, não conseguiu evidenciar nenhuma associação direta entre o uso de rosiglitazona...

A relação causa/efeito entre sobrepeso ou obesidade e os principais fatores de risco cardiovascular já está exaustivamente comprovada. Já é fato sobejamente conhecido que perdas de peso relativamente modestas, da ordem de 5% a 10% do peso original, conseguem proporcionar benefícios significativos a pacientes com diabetes com excesso de peso e portadores de patologias freqüentemente associadas ao diabetes, como a hipertensão e a dislipidemia. Muitos dos pacientes com diabetes tipo 2 (DM-2) que conseguem atingir tais níveis de perda de peso corpóreo descobrem que podem reduzir significativamente e até mesmo, em alguns casos, suspender os tratamentos farmacológicos que precisavam receber para o controle da hiperglicemia, da pressão arterial elevada e dos distúrbios do metabolismo do colesterol. 

A adoção da prática de atividades físicas regulares pode trazer benefícios adicionais que vão além daqueles derivados simplesmente da perda do excesso de peso corpóreo proporcionada por um tratamento dietético bem conduzido. Portanto, em tese, se a maioria dos...

Quase todos os dias nos deparamos com o conceito de “significância estatística” dos resultados de um estudo clínico, geralmente avaliada através da expressão “p<0,05” ou semelhantes. Mas, na realidade, o que significa isso em termos de verdade científica? O termo “nível de significância” não costuma ser adequadamente entendido pelos médicos na prática clínica.

Na linguagem coloquial, o termo “significante” quer dizer “algo importante” ao passo que, na linguagem estatística, esse termo tem o significado de “provavelmente verdadeiro” e, portanto, não resultante de uma situação aleatória. Um achado científico pode ser verdadeiro sem ser necessariamente importante. Quando os estaticistas dizem que um resultado é “altamente significante”, isto significa que a hipótese que está sendo testada é muito provavelmente verdadeira. Da mesma forma, em ciência, o fato de uma diferença entre tratamentos, por exemplo, ser estatisticamente significante, isso não significa necessariamente que esta diferença seja clinicamente importante ou interessante.

A definição do limite...

A Administração de Drogas e Alimentos (FDA) e a Comissão Federal de Comércio (FTC), dos Estados Unidos, iniciaram, no ano passado, uma campanha para coibir a veiculação de anúncios e vendas de produtos que são apresentados como eficazes para o controle do diabetes mas que, na verdade, constituem-se em falsos tratamentos. A FDA e a FTC também desenvolveram uma estratégia para evitar que empresas localizadas em países vizinhos aos Estados Unidos, como o Canadá e o México, também possam ser alcançadas por medidas legais sempre que veicularem informações sobre venda de produtos falsamente destinados ao controle do diabetes. Já foram identificados na Internet 112 sites que vendem ou propagam esses falsos tratamentos, sendo 84 sites localizados nos Estados Unidos, 7 no Canadá e 21 em outros países.

A ilustração mostra o anúncio do produto peruano, com o atraente apelo “diga adeus à insulina”.

Há algumas semanas, recebi um e-mail de uma empresa...

A evolução do conhecimento médico torna indispensável a revisão periódica dos conceitos vigentes. No transcorrer de cada ano, as entidades nacionais e internacionais ligadas ao diabetes produzem farto material de atualização sobre a doença. A American Diabetes Association (ADA) publica, em janeiro de cada ano, uma revisão de suas recomendações sobre os padrões de cuidados médicos em diabetes. Nesta atualização, vamos abordar algumas das novas recomendações da ADA de maior impacto clínico, utilizando um formato didático e simplificado. Um maior detalhamento dos tópicos abordados neste artigo pode ser obtido através de consulta às referências bibliográficas mencionadas.

RESUMO DE ATUALIZAÇÃO SOBRE OS NOVOS PADRÕES DA ADA PARA A PRÁTICA CLÍNICA EM DIABETES  

1. O teste de hemoglobina glicada (A1C) está agora indicado como um dos parâmetros para o diagnóstico do diabetes e de pré-diabetes.

O diagnóstico de diabetes pode ser feito quando o nível de A1C for superior a 6,5%. Valores...

A polêmica sobre o uso da A1C como parâmetro diagnóstico do diabetes e do pré-diabetes ainda está longe de ser resolvida. Ainda existem aspectos importantes que precisam ser esclarecidos antes que essa proposta seja definitivamente incorporada nas práticas médicas usuais na atenção ao diabetes. Do ponto de vista conceitual, o teste de hemoglobina glicada reflete efetivamente a MÉDIA de controle glicêmico dos últimos 2 a 4 meses sendo, portanto, um reflexo mais confiável da existência de hiperglicemia importante, em comparação a resultados pontuais dos testes de glicemia atualmente utilizados para a caracterização clínica e laboratorial do diabetes e do pré-diabetes.

De acordo com os conceitos tradicionalmente vigentes, os pontos de corte para a caracterização do pré-diabetes estão definidos entre 100 mg/dL e 126 mg/dL. Acima desse último valor, estaria caracterizada a presença do diabetes. Surge então a pergunta óbvia: não estaríamos utilizando padrões extremamente simplistas para o diagnóstico dessas condições,...

A edição Online First do New England Journal Medicine (NEJM) de hoje, 14 de março de 2010, nos traz os resultados de dois grandes estudos (ACCORD e NAVIGATOR), cujos resultados contestam conceitos tradicionais nas áreas de cardiologia diabetológica e prevenção do diabetes. 

Resultados preliminares do estudo ACCORD mostraram que uma estratégia muito intensificada de controle glicêmico aumentou o risco de morte em pacientes diabéticos, muito embora essa conclusão tenha sido recentemente contestada por uma metanálise publicada no Lancet [1]. Agora, a publicação do NEJM traz os resultados do braço do estudo ACCORD que avaliou o impacto do controle intensivo da pressão arterial [2], bem como a eficácia da terapia de combinação para o controle de lípides no paciente diabético [3]. 

Até agora, não havia evidência de estudos randomizados para se adotar metas abaixo de 135 a 140 mmHg para a pressão sistólica em portadores de diabetes tipo 2 (DM-2), muito embora a meta de...

Tecnicamente, existe uma diferença conceitual importante entre eficácia e efetividade. O termo eficácia refere-se aos resultados positivos de uma determinada intervenção ou de um determinado tratamento, em condições operacionais controladas como, por exemplo, no decorrer de um estudo clínico. Por outro lado, o termo efetividade representa a obtenção de resultados positivos de uma intervenção ou tratamento mas em condições não controladas de vida real, na prática clínica diária. Do ponto de vista prático, o que importa é a efetividade. Numa condição de estudo clínico, por exemplo, a aderência do paciente é exigida para que ele continue participando da pesquisa e, por isso, o próprio paciente sente-se motivado a aderir às recomendações e aos tratamentos ministrados. Entretanto, é importante ressaltar que um determinado tratamento pode demonstrar eficácia em condições controladas, mas não demonstrar efetividade na vida real, muitas vezes por falta de adesão ou de motivação do paciente.

Talvez o exemplo...

Técnica inédita confirma o papel potencial da microbiota intestinal nos distúrbios glicêmicos e no metabolismo lipídico em obesos.

Não se assuste. É isso mesmo que você leu acima: pacientes obesos e com pré-diabetes melhoram a sensibilidade à insulina depois de transplante fecal com material obtido de doadores magros e saudáveis.

Estudos animais já haviam confirmado uma associação entre a obesidade e a microbiota intestinal: animais que receberam bactérias de fezes de camundongos obesos apresentaram um aumento significativamente maior da gordura corpórea total do que aqueles colonizados com a microbiota de camundongos magros.

Esse estudo promoveu grande interesse e intenso debate sobre sua aplicabilidade prática depois de sua apresentação no recente Congresso Europeu de Diabetes, realizado na semana passada, em Estocolmo. Foi um estudo piloto, randomizado e controlado, avaliando o efeito do transplante de fezes para o controle de disfunções metabólicas importantes no homem.

Foram incluídos 18 pacientes do sexo masculino...

Pagina 4 de 6

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

secretaria@diabetes.org.br

SBD nas Redes