Em janeiro de cada ano, a American Diabetes Association publica uma revisão dos padrões e recomendações para os cuidados médicos de pessoas com diabetes. Este nosso artigo resume os principais tópicos abordados na publicação Standards of Medical Care in Diabetes – 2011.

Critérios atuais para o diagnóstico do diabetes

Não houve modificações quanto aos critérios recomendados para o diagnóstico do diabetes em relação a 2010. Assim, os seguintes critérios foram revalidados para fins diagnósticos: A1C ≥ 6,5%; glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL; glicemia pós-prandial de 2 horas ≥ 200 mg/dL durante teste oral de tolerância à glicose, com a utilização de uma carga de 75 g de glicose em água; glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL, na presença de sintomas clássicos de hiperglicemia.

Rastreio para diabetes em indivíduos assintomáticos

O teste de rastreio para a detecção de diabetes tipo 2 (DM2) e para a avaliação do risco futuro para diabetes...

Não é novidade para ninguém que o diabetes está relacionado com várias complicações crônicas, principalmente as de caráter microvascular. Por outro lado, o que talvez poucos saibam, é que 10% a 15% das pessoas com diabetes nunca desenvolvem as complicações clássicas da doença. Qual seria o segredo desse mecanismo protetor? Pesquisadores suecos da Lund University Diabetes Center irão pesquisar esse assunto através do Estudo PROLONG (Protective Genes in Diabetes and Longevity).

Na Suécia, há 12.000 pessoas com diabetes há mais de 30 anos, das quais 1.600 há mais de 50 anos. Cerca de 2/3 dessa população com mais de 50 anos de diabetes (± 1066 pessoas) nunca apresentou complicações, o que leva os autores a acreditar que essas pessoas efetivamente são diferentes das outras que constituem a maioria da população diabética.

O Estudo PROLONG tentará identificar as causas desse invejável mecanismo protetor, selecionando inicialmente uma população de pessoas com diabetes...

A situação do controle glicêmico no Brasil é desastrosa e altamente preocupante: 90% dos diabéticos tipo 1 e 73% dos diabéticos tipo 2 estão com o diabetes fora de controle. Uma das principais causas dessa situação é a falta de uma prática adequada de automonitorização da glicemia, o que retarda o diagnóstico do descontrole e não permite ao médico tomar decisões terapêuticas mais eficazes, exatamente pela falta de conhecimento do estado do controle glicêmico de seus pacientes.

A maioria dos pacientes simplesmente não dispõe dos monitores de glicemia e das tiras reagentes para essa prática. Dentre os que dispõem desse recurso, a grande maioria o utiliza de maneira equivocada, seja realizando os testes de forma totalmente aleatória e não freqüente, seja realizando seus testes sempre à mesma hora do dia, em geral sempre em jejum. Assim procedendo, o paciente jamais poderá conhecer o real estado de seu controle glicêmico: ele poderá...

Os relatos de efeitos colaterais sérios de medicamentos contra diabetes vêm se transformando numa angustiante rotina para todos aqueles que têm sob sua responsabilidade proporcionar o melhor e mais seguro esquema terapêutico para seus pacientes com diabetes. Com raras exceções, muitos dos fármacos lançados mais recentemente estão sob suspeita de aumentar o risco de diversos tipos de câncer e/ou o risco cardiovascular, muito embora jamais se tenha comprovado, de maneira indiscutível, esse suposto aumento de risco.

Normas recentes emanadas pela Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, exigem avaliações muito mais rigorosas de possíveis efeitos colaterais mais sérios que impliquem em aumento de risco de câncer ou de outras patologias de maior significado clínico e epidemiológico. Estudos especificamente desenhados para avaliar questões de segurança de uso são hoje exigidos com o máximo rigor pelas autoridades regulatórias. Por outro lado, as metanálises conduzidas para fins de avaliação de segurança dos fármacos acabam...

De tempos em tempos, os adoçantes artificiais e os refrigerantes dietéticos são acusados de promover efeitos indesejáveis sobre o organismo como, por exemplo, o aumento do risco de obesidade e mesmo de diabetes. Os resultados do San Antonio Longitudinal Study of Aging, apresentado no Congresso da ADA, em junho último, mostrou uma associação entre o consumo de refrigerante dietético com um aparentemente inexplicável aumento da circunferência abdominal. Como isso seria possível?

O estudo acompanhou 474 participantes, com idades entre 65 e 74 anos, por um prazo médio de 9 anos, avaliando as alterações na circunferência abdominal durante o tempo em relação ao consumo de refrigerantes dietéticos pelos participantes. Os resultados mostraram que houve um aumento de 70% na circunferência abdominal, em comparação a aqueles que não consumiam refrigerantes dietéticos. Aqueles que consumiam dois ou mais refrigerantes dietéticos por dia apresentaram um aumento cinco vezes maior na circunferência abdominal, mesmo excluindo a...

O estudo Look AHEAD (Action for Health in Diabetes) teve por objetivo avaliar se as intervenções de estilo de vida que resultam em perda de peso também reduziriam as taxas de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e mortes cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 2 (DM2) apresentando sobrepeso ou obesidade. O estudo incluiu 5.145 pessoas e foi conduzido em 16 centros de pesquisa nos Estados Unidos. Esses pacientes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de intervenção: uma intervenção intensiva de estilo de vida ou um programa geral de apoio e educação em diabetes. Ambos os grupos receberam cuidados médicos de rotina.

Apesar de muito bem planejado, o estudo foi interrompido precocemente, em setembro de 2012, após a constatação de que as pessoas obesas e com DM2 podem perder peso e manter essa perda com intervenções de estilo de vida, porém, não obtêm benefícios cardiovasculares. Ou seja, embora o estudo indicasse...

Tecnicamente, existe uma diferença conceitual importante entre eficácia e efetividade. O termo “eficácia” refere-se aos resultados positivos de uma determinada intervenção ou de um determinado tratamento, em condições operacionais controladas como, por exemplo, no decorrer de um estudo clínico. Por outro lado, o termo “efetividade” representa a obtenção de resultados positivos de uma intervenção ou tratamento, mas em condições não controladas de vida real, na prática clínica diária. Do ponto de vista prático, o que importa é a efetividade. Numa condição de estudo clínico, por exemplo, a aderência do paciente é exigida para que ele continue participando da pesquisa e, por isso, o próprio paciente sente-se motivado a aderir às recomendações e aos tratamentos ministrados. Entretanto, é importante ressaltar que um determinado tratamento pode demonstrar eficácia em condições controladas, mas não demonstrar efetividade na vida real, muitas vezes por falta de adesão ou de motivação do paciente.

Talvez o exemplo mais expressivo dessa diferença entre...

Definitivamente, deu a louca na literatura médica internacional que, a cada dia, intensifica a divulgação de resultados controversos entre diferentes estudos clínicos, promovendo intensa confusão e uma certa insegurança mesmo em especialistas do mais alto gabarito, gerando mais calor do que luz, mais discurso do que recurso, mais metas do que meios e mais verbo do que verba, como diria Joelmir Beting. A situação é catastrófica e tende a ficar cada vez pior na medida em que se agigantam as controvérsias, inclusive em relação a conceitos básicos tradicionais da ciência médica.

Agora, a controvérsia chegou aos refrigerantes dietéticos, inicialmente considerados a "salvação da lavoura" para o paladar dos portadores de diabetes, posteriormente considerados como fator de risco para síndrome metabólica e diabetes tipo 2 e, mais recentemente, mostrando uma eficácia ainda experimental no sentido de aumentar a liberação de GLP-1, nos moldes da ação farmacológica dos inibidores da DPP-IV, também...

Todo novo conceito, toda nova abordagem fatalmente enfrenta alguma resistência e desperta  alguma polêmica até ser definitivamente incorporado ao rol de procedimentos aceitos pela comunidade médica. O uso da A1c no diagnóstico do diabetes tipo 2 não seria exceção. Em janeiro de 2010, a American Diabetes Association (ADA) recomendou os seguintes pontos de corte para caracterização das condições de normalidade, pré-diabetes e diabetes[1]: 

- A1C entre 5,0% a 5,5% = Ausência de diabetes. Faixa normal
- A1C entre 5,5% a 6,0% = Nível adequado para implementar ações preventivas
- A1C entre 5,7% a 6,4% = Pré-diabetes: Alto risco de desenvolver diabetes
- A1C maior ou igual a 6,5% = Presença de diabetes 

Por sua vez, a American Association of Clinical Endocrinologists (AACE) discorda dos critérios da ADA para a caracterização do estado de pré-diabetes, defendendo a idéia de que um nível de A1C na faixa de 5,5% a 6,4% valeria apenas como um...

Recomendações Oficiais de Revisão da Conduta Terapêutica a Cada Três Meses Retardam a Obtenção do Controle Glicêmico e Promovem a Inércia Clínica

Estudo clínico conduzido por nosso Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo confirmou a eficácia e a segurança do controle intensivo do diabetes em pacientes com DM2 e resistentes às abordagens terapêuticas tradicionais. Os resultados preliminares desse estudo foram apresentados durante o último Congresso Brasileiro de Diabetes, realizado em Fortaleza, em novembro de 2009, tendo recebido o Prêmio Procópio do Valle, atribuído pela Sociedade Brasileira de Diabetes ao melhor trabalho apresentado no Congresso na área de Educação e Controle do Diabetes. (Os resultados finais e definitivos desse estudo serão apresentados em duas ocasiões durante o próximo congresso da American Diabetes Association (ADA): 1-) no evento especial “Back to the Future – Glicose Measuring, Monitoring and Predicting”, às...

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