Há muitos anos atrás, o extrato da planta Galega officinalis demonstrou importante efeito terapêutico ao reduzir os sinais e sintomas clássicos de diabetes melito descompensado. Em seguida, quando foi melhor estudada demonstrou ser rica em guanidina, um composto altamente tóxico para o uso clínico diário. Por isso, em 1920 dois compostos químicos foram sintetizados, decametilene biguanida (Sintalina A) e dodecametilene biguanida (Sintalina B) que demonstraram boa tolerância e eficácia como opção terapêutica para o diabetes.
Quase dez anos após, na Alemanha, foi sintetizada a dimetil biguanida, denominada metformina onde se tornou disponível para o uso no tratamento do diabetes melito. Mas na época, coincidente com o advento da insulina a metformina foi automaticamente esquecida como alternativa terapêutica. Em 1950, foram melhor estudas as suas atividades farmacológicas e liberadas em vários países europeus durante muito tempo, mas somente em 1995 foi aprovada nos EUA pela Food and Drug Administration (FDA).

Atualmente, a...

A síndrome denominada de morte súbita no leito ou como originalmente descrita no idioma inglês Dead in Bed syndrome foi descrita pela primeira vez em pacientes com diabetes melito tipo 1 em 1991 pelos pesquisadores Tattersal RB e Gil GL. Essa entidade clínica caracteriza-se por morte súbita no leito durante a noite em indivíduos jovens com diabetes melito tipo 1.

Normalmente, esses pacientes são encontrados mortos no leito sem qualquer sinal de violência física ou de envenenamento que pudesse ser suspeitado como causa da morte. De comum entre eles, os familiares referiram vários episódios prévios de hipoglicemias graves. Inicialmente, como causa dessas mortes foi levantada à hipótese de taquiarritmia ventricular precipitada pelas hipoglicemias graves noturnas, principalmente em pacientes com sinais clínicos sugestivos de neuropatia autonômica cardíaca.   

Mais recentemente, foi demonstrado em pacientes com diabetes melito tipo 1 monitorados por meio de eletrocardiograma que durante os episódios de hipoglicemias graves...

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e UNAIDS (ONU), há no mundo 33 milhões de indivíduos portadores de HIV-AIDS. A boa notícia é que houve redução da prevalência em 16% e da mortalidade em 27,5% em relação à última avaliação.

Os países mais prevalentes são os africanos localizados abaixo do Saara com 22,5 milhões de pessoas afetadas. A mortalidade por AIDS teve queda significativa a partir de 1995 com a introdução no arsenal terapêutico, dos chamados inibidores de proteases e ao longo desses últimos anos, de outros novos antiretrovirais. Na prática, AIDS pode ser hoje considerada uma doença crônica.

Com o aumento da sobrevida desses pacientes, decorrentes dos efeitos colaterais da terapia antiretroviral e da própria ação de proteínas virais, passamos a diagnosticar ao longo da evolução as denominadas alterações metabólicas, mais especificamente a hipertrigliceridemia, o aumento de LDL-C, a redução de HDL-C, as lipodistrofias e graus...

O diabetes melito é uma doença tão antiga quanto à própria humanidade. O papiro de Ebers, manuscrito da época 1500 a.C., menciona esta entidade e chama a atenção para a diurese freqüente e abundante, sede incontrolável e emagrecimento acentuado como suas principais manifestações clínicas.

Aretaeus, médico romano, criou o termo dia-betes que significa “passar através” devido à excessiva diurese, um dos sintomas mais evidentes da doença, ser parecido à drenagem de água por meio de um sifão. No século VI, médicos hindus descreveram mais detalhadamente alguns sintomas da doença e relataram pela primeira vez, o sabor adocicado da urina destes indivíduos.

Em 1869, Langerhans identificou conjuntos de células no tecido pancreático que denominou de ilhotas celulares.

Em 1889, na França, Joseph Von Mering e Oskar Minkowski da Universidade de Strasbourg durante pesquisas sobre a digestão de gorduras observaram que a remoção do pâncreas de cães desencadeava sinais e sintomas similares aos de...

O diabetes melito é hoje considerado mundialmente uma doença epidêmica e do ponto de vista de saúde pública é sem a menor sombra de dúvida um dos maiores desafios para o século 21. Atualmente, para uma população mundial próxima de 7 bilhões o diabetes acomete 285 milhões de pessoas e o estado de intolerância à glicose, denominado de pré diabetes 344 milhões. De acordo com a International Diabetes Federation (IDF), a projeção desses dados para 2030 em uma população mundial esperada de 8,4 bilhões de pessoas, 439 e 472 milhões terão diabetes e pré diabetes, respectivamente.

Diante desse quadro, a meta terapêutica é à busca do controle glicêmico o mais próximo possível dos valores de não diabéticos, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida desses indivíduos e reduzir o risco e a progressão das chamadas complicações de longo prazo, tais como as micro e macroangiopatias.

Atualmente, a grande preocupação em...

Pacientes com Diabetes Melito, normalmente evoluem com risco aumentado de doença micro e macrovascular. Não existem mais dúvidas quanto ao benefício do tratamento intensivo da glicemia em relação à retinopatia, nefropatia e neuropatia, mas quanto à doença macrovascular os múltiplos ensaios clínicos ainda não conseguiram demonstrar resultados favoráveis.  

Obviamente, o tratamento mais rigoroso da glicemia pode aumentar o risco de episódios hipoglicêmicos graves. Atualmente, a associação de eventos hipoglicêmicos graves e o risco de doenças cardiovasculares são objeto de muitos estudos e debates. Mas, recentemente, vários ensaios epidemiológicos têm demonstrado a associação de crises hipoglicêmicas graves e risco aumentado de mortalidade cardiovascular. É sabido que valores glicêmicos abaixo de 70mg/dL provocam a liberação de vários hormônios e neuro transmissores entre eles, o glucagon, o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina.  

Esses dois últimos compostos provocam profundos efeitos sobre o miocárdio e também, sobre os vasos sanguíneos. Entre eles,...

No momento, há crescente interesse em demonstrar ou entender melhor o papel da Vitamina D no desenvolvimento de Diabetes Melito, de Hipertensão Arterial e de Doença Cardiovascular.

Especificamente em Diabetes, alguns achados em modelos animais associam a deficiência de Vitamina D com a redução de secreção de insulina pelas células β e também, a resistência à insulina.  

Estudos recentes dão ênfase à hipótese de que baixos valores de Vitamina D poderiam estar associados com a evolução para Diabetes manifesto. Em animais com raquitismo, foi observado redução na liberação de insulina pelas células β e subsequente intolerância a glicose.  

Outros modelos experimentais de deficiência grave de Vitamina D, também demonstram risco elevado de diabetes melito. E o contrário também foi observado em camundongos em estudos de prevenção primária de Diabetes e o uso de altas doses de vitamina D.

Além disso, especula-se que em humanos a Hipovitaminose D durante o...

A molécula de hemoglobina é uma proteína de estrutura quaternária encontrada nas hemácias e que tem como função a distribuição de oxigênio nos diferentes tecidos do organismo.

Essa proteína é composta por duas cadeias α com 141 aminoácidos e duas cadeias β com146 aminoácidos ligadas a quatro grupamentos heme, sendo que cada um deles contém um átomo de ferro. A chamada hemoglobina A1c ou hemoglobina glicada é produto de uma modificação pós-traducional, que na realidade, é uma glicação na posição N terminal da valina da cadeia β.

Na prática clínica há inúmeras entidades nosológicas que envolvem a estrutura da hemoglobina, incluindo alterações secundárias a mutações nos genes que expressam o grupamento heme, resultando assim em microcitose e anemia. Também existem as hemoglobinopatias adquiridas, como por exemplo, a carboxihemoglobina que é associada ao hábito de fumar e a carbamilhemoglobina que é observada nos pacientes que evoluem com uremia.

Historicamente, pela primeira...

Na prática médica, os diversos graus de alterações depressivas estão entre os mais comuns problemas psicológicos encontrados pelos profissionais de saúde. Atualmente, dados mais recentes de literatura indicam que menos de 30% desses indivíduos fazem algum tipo de tratamento especializado. Entre as razões para justificar esse baixo índice seriam a dificuldade no diagnóstico adequado e também, a refratariedade da família ou do próprio paciente em procurar um profissional certo com perfil apropriado para tal cuidado.

Além disso, a associação de outras doenças crônicas, tais como o diabetes melito, hipertensão arterial, obesidade e outras se tornam ainda mais complexo o cuidado a esses pacientes. Os pacientes com diabetes melito e depressão tem pior qualidade de vida, maior dificuldade para o controle metabólico e consequentemente, maior risco de desenvolvimento de complicações de longo prazo. Do ponto de vista científico, não está muito claro se o diabetes aumenta o rico de depressão ou...

A molécula dimetil biguanida ou metformina foi sintetizada na Alemanha em 1930. Após vários estudos de suas propriedades farmacológicas e terapêuticas na década de 1950 apenas a partir de 1970 o seu uso para o tratamento de Diabetes Melito foi difundido nos países europeus.

Devido ao risco de acidose lática, um efeito adverso sério da fenformina que antecedeu a molécula de metformina, somente em 1995 o seu uso foi liberado nos Estados Unidos pela Food and Drugs Administration (FDA). No Brasil, a metformina tornou-se disponível a partir de 1980. Mas, depois da publicação do ensaio clínico UK Prospective Diabetes Study (UKPDS) em 1998 pode-se demonstrar com base em evidências a eficácia terapêutica da metformina.

Inclusive, quando foi estudada em um subgrupo de obesos desse ensaio, observou-se a redução de risco relativo de 39% de infarto agudo do miocárdio e de 41% de acidente vascular cerebral. Mais recentemente foram observados por meio de ensaios...

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