Doenças Autoimunes Associadas ao Diabetes Mellitus Tipo 1


Dr. Antônio Carlos Pires
Professor Adjunto
Doutor da Disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto-FAMERP

O Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é resultante de destruição autoimune de células β de ilhotas pancreáticas em indivíduos geneticamente suscetíveis. Em geral, esses pacientes se não diagnosticados precocemente e não tratados de forma adequada tendem a desenvolver cetoacidose diabética, o qual é uma complicação aguda, grave e com taxa de mortalidade próxima de 5%, mesmo em serviços de excelência. O tratamento de DM1 é sempre a reposição contínua e intensiva de insulina. A sua patogenia, ou seja, os mecanismos de desenvolvimento da doença podem ser divididos em estágios evolutivos desde a suscetibilidade genética, passando pela ativação do sistema imune desencadeada por fatores ambientais, tais como viroses, até a falência quase total ou total de células β. A American Diabetes Association classifica o DM1 em dois tipos.

O tipo 1A, que é autoimune ou imune mediado e o tipo 1B que não é autoimune, também denominado de idiopático. No momento do diagnóstico de DM1, um ou mais auto anticorpos circulantes são detectados em aproximadamente 90% dos casos. Entre eles, Islet Cell Antigens - ICA, Tyrosine Phosphatase - IA2, Glutamic Acid Decarboxylase-65 - GAD, Insulin - IAA, Zinc Transporter - ZnT8. Na prática é importante salientar que o diabetes tipo 1 por se tratar de doença autoimune, em aproximadamente 30% dos casos está associado a outras doenças autoimunes. Entre as mais comuns observamos a Tireoidite de Hashimoto, a Doença de Graves, a Gastrite Atrófica Autoimune, a Anemia Perniciosa, a Doença Celíaca, a Doença de Addison e o Vitiligo. Essas entidades mórbidas evoluem com anticorpos contra antígenos específicos, tais como anticorpos contra a tiroperoxidase (Tireoidite de Hashimoto), contra os receptores de TSH (Doença de Graves), contra as células parietais gástricas ou ao fator intrínseco (Gastrite Atrófica ou a Anemia Perniciosa), contra a transglutaminase tecidual, anti gliadina e anti endomísio (Doença Celíaca) e contra a enzima 21-hidroxilase (Doença de Addison ou Insuficiência Adrenal Autoimune). Do ponto de vista clínico e de maneira resumida, a Tireoidite de Hashimoto o qual é a mais prevalente doença autoimune associada ao DM1, pode desencadear o hipotireoidismo subclínico ou clínico e apresentar-se com ganho de peso, dislipidemia, aumento do volume de tireóide e baixo desempenho escolar. Por outro lado, a Doença de Graves que é clinicamente caracterizada por emagrecimento, frequência cardíaca aumentada, tremores, nervosismo e intolerância ao calor.

A Gastrite Atrófica Autoimune evolui com hipergastrinemia e anemia por deficiência de ferro e a Anemia Perniciosa que resulta de deficiência de vitamina B12 cursa com anemia macrocítica e neuropatia dolorosa. A Doença Celíaca caracteriza-se pela intolerância ao glúten da dieta e evolui com desconforto abdominal, atraso de crescimento, perda de peso e baixa mineralização óssea. A Doença de Addison ou Insuficiência Adrenal Primária apresenta-se com fraqueza muscular, hiperpigmentação de pele, vômitos, fadiga e hipoglicemias moderadas ou graves. O Vitiligo clinicamente apresenta-se com despigmentação circunscrita ou generalizada de pele. Em conclusão, os pacientes com diabetes mellitus tipo1 tem maior risco de associação com as doenças autoimunes citadas anteriormente. Na prática, a pesquisa e a detecção de anticorpos contra antígenos específicos devem ser realizadas com o objetivo de diagnosticar e consequentemente, indicar os respectivos tratamentos o mais rápido possível.

Referências
N Engl J Med 2008;358:2594-2605.
J Clin Endocrinol Metab 2008;93:363-371.
N Engl J Med 2007;357:1731-1743.

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