Meta de hemoglobina glicada em idosos com Diabete Melito tipo 2


Dr. Antônio Carlos Pires
Professor Adjunto
Doutor da Disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto-FAMERP

O diabete melito é uma síndrome metabólica crônica que clinicamente se manifesta com hiperglicemia sustentada e se não tratada adequadamente, evolui com complicações vasculares de pequenos e grandes vasos. Do ponto de vista epidemiológico, tanto o diabete tipo 1 como o tipo 2, são considerados epidêmicos devido à crescente incidência e prevalência. A título de exemplo, hoje a incidência de diabete melito tipo1 cresce 3% ao ano. Atualmente, de acordo com a International Diabetes Federation-IDF para a população mundial de sete bilhões de pessoas a prevalência de pré-diabetes e de diabetes é de 344 e 285 milhões, respectivamente. Mas ainda, o mais importante e preocupante é que para o ano 2030 com a população esperada de 8,4 bilhões de pessoas a expectativa de pré-diabetes e de diabetes é de 472 e 439 milhões, respectivamente. Portanto, tanto o pré-diabetes como o diabetes manifesto são o grande desafio do século 21 para as autoridades envolvidas em saúde pública. O diabete melito tipo 2 é o mais prevalente e, é considerado de muito tempo uma morbidade heterogênea do ponto de vista etiopatológico e clínico. Por exemplo, nós temos casos dediabete melito tipo 2 que evoluem rapidamente com falência de células β, outros mais lentamente. Há pacientes magros, mas a maioria é obesa. Alguns têm tendência à cetoacidose, mas a grande maioria não. Há pacientes que evoluem clinicamente com predominância de resistência à insulina, outros predominam a falência de células β.Com base nessas observações, Stephen Fajans, em sua conferência denominada de Banting Lecture em 1978 definiu o diabete tipo 2 como sendo uma variedade de doenças que evolui com uma característica em comum, a hiperglicemia.Portanto, de maneira prática, o tratamento do diabete melito tipo 2 deve serfundamentalmente individualizado. Outra questão importante no dia a dia é a escolha e também, de forma individualizada, a meta mais adequadade hemoglobina glicada durante o tratamento. Ela é considerada padrão ouro, ou seja, o melhor meio laboratorial que temos atualmente para a avaliação de controle de glicose sanguínea ou de controle metabólico de um paciente. A Sociedade Brasileira de Diabetes, www.diabetes.org.br, brevemente publicará o seu posicionamento oficial número 3/2011 onde estão inclusas as metas de hemoglobina glicada para as diferentes faixas etárias. Com base em evidências científicas, para agrande maioria dos pacientes a meta de hemoglobina glicada é menor do que 7,0%, mas em pacientes idosos, principalmente com redução de atividade cognitiva o proposto é menor do que 8.0%. Isso devido ao maior risco de fenômenos hipoglicêmicos que na prática, pode ser altamente deletério nessa faixa etária. Ainda é importante lembrar, que os idosos normalmente tem respostas fisiológicas reduzidas aos fenômenos hipoglicêmicos, e consequentemente, maior morbidade e mortalidade. Em conclusão, as metas de hemoglobina glicada devem ser individualizadas de acordo com a duração do diabetes, idade, expectativa de vida, morbidades concomitantes, doenças cardiovasculares prévias e complicações microvasculares.

Referências:

Posicionamento Oficial da SBD, número 3/2011.
J Clin Endocrinol Metab 2010;95(4):1566-1574.
Diabetes Care 2011;34:1329-1336.

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