Diabetes Melito e Depressão: Uma associação que deve ser melhor investigada.


Dr. Antônio Carlos Pires
Professor Adjunto
Doutor da Disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto-FAMERP

Na prática médica, os diversos graus de alterações depressivas estão entre os mais comuns problemas psicológicos encontrados pelos profissionais de saúde. Atualmente, dados mais recentes de literatura indicam que menos de 30% desses indivíduos fazem algum tipo de tratamento especializado. Entre as razões para justificar esse baixo índice seriam a dificuldade no diagnóstico adequado e também, a refratariedade da família ou do próprio paciente em procurar um profissional certo com perfil apropriado para tal cuidado.

Além disso, a associação de outras doenças crônicas, tais como o diabetes melito, hipertensão arterial, obesidade e outras se tornam ainda mais complexo o cuidado a esses pacientes. Os pacientes com diabetes melito e depressão tem pior qualidade de vida, maior dificuldade para o controle metabólico e consequentemente, maior risco de desenvolvimento de complicações de longo prazo. Do ponto de vista científico, não está muito claro se o diabetes aumenta o rico de depressão ou se a depressão aumenta o de diabetes. 

Dados de literatura afirmam que o diabetes tem efeito discreto no desenvolvimento de depressão. Estudos de metaanálises com mais 172000 pacientes avaliados demonstraram que pessoas com diabetes melito têm risco aumentado de depressão em 24% quando comparado aos indivíduos sem diagnóstico de diabetes. Ao mesmo tempo, outros estudos mostraram aumento de risco menor, ao redor 15%. É importante salientar, que essas diferenças podem estar relacionadas a diferentes metodologias diagnósticas utilizadas para o diagnóstico de depressão.

Normalmente, a depressão é acompanhada de maus hábitos de vida, tais como, o fumo, vida sedentária, maior ingesta calórica e obesidade central que normalmente aumentam o risco de diabetes. Além disso, os pacientes com depressão evoluem com ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal com maior atividade simpato adrenal, inflamação com liberação de citocinas que sabidamente desencadeiam resistência à insulina e contribuem para o desenvolvimento de diabetes melito.

Em conclusão, diante da escassez de informações científicas sobre a relação causal diabetes e depressão, os profissionais de saúde devem estar atentos para o diagnóstico de depressão em indivíduos com diabetes, principalmente em idosos com associação de outras morbidades que podem mascarar o diagnóstico.

O contrário também é válido, pacientes com diagnóstico de depressão devem ser motivados para mudanças de hábitos de vida com o propósito de reduzir o risco de diabetes melito e outras doenças crônicas. Finalmente, doenças mais comuns na prática geriátrica, tais como, depressão, diabetes melito, alterações cognitivas, dificuldades físicas, quedas frequentes e excesso de uso de medicamentos fazem desses pacientes um grande desafio terapêutico para todos os profissionais de saúde.

Referências
Br Community Nurs 2011;16(1):41-47.
Rev Invest Clin 2010; 62(4):305-311.
Diabetes Care 2008; 31:2383-2390.
Diabetologia 2010; 53:2480-2486.

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