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HIV-AIDS e Diabetes Melito: O encontro de duas epidemias

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e UNAIDS (ONU), há no mundo 33 milhões de indivíduos portadores de HIV-AIDS. A boa notícia é que houve redução da prevalência em 16% e da mortalidade em 27,5% em relação à última avaliação.

Os países mais prevalentes são os africanos localizados abaixo do Saara com 22,5 milhões de pessoas afetadas. A mortalidade por AIDS teve queda significativa a partir de 1995 com a introdução no arsenal terapêutico, dos chamados inibidores de proteases e ao longo desses últimos anos, de outros novos antiretrovirais. Na prática, AIDS pode ser hoje considerada uma doença crônica.

Com o aumento da sobrevida desses pacientes, decorrentes dos efeitos colaterais da terapia antiretroviral e da própria ação de proteínas virais, passamos a diagnosticar ao longo da evolução as denominadas alterações metabólicas, mais especificamente a hipertrigliceridemia, o aumento de LDL-C, a redução de HDL-C, as lipodistrofias e graus variáveis de intolerância a glicose.

Entre 30 e 40% dos pacientes com HIV-AIDS em tratamento com antiretrovirais preenchem os critérios para o diagnóstico de síndrome metabólica. Esses pacientes com síndrome metabólica e lipodistrofia evoluem com valores de adiponectina significativamente baixos em relação ao grupo sem síndrome metabólica e lipodistrofia. Devido a essas complicações metabólicas e ao tempo de uso de medicamentos antiretrovirais, esses pacientes passaram a ter risco aumentado de doenças cardiovasculares.

Em paralelo a epidemia HIV-AIDS, a epidemia diabetes melito está presente em todo o mundo com 220 milhões de indivíduos e com projeção para 2025 de 300 milhões. A partir da descoberta da insulina por Banting e Best e o desenvolvimento de medicamentos orais, a mortalidade de diabetes melito teve queda significativa e passou a ser considerada doença crônica. Com isso, passamos a observar as chamadas complicações crônicas, mais comumente as micro e macrovasculares.

Além disso, no diagnóstico do diabetes tipo 2, aproximadamente 80% deles preenchem os critérios para o diagnóstico de síndrome metabólica. Portanto, diante dessas duas epidemias, HIV-AIDS e diabetes melito, hoje o que preocupa na prática é o risco aumentado em ambas de doenças cardiovasculares. Em conclusão, além dos tratamentos farmacológicos clássicos para essas duas entidades nosológicas, devemos dar grande ênfase à necessidade urgente de mudanças de hábitos alimentares e o estímulo às atividades físicas na tentativa de atenuar essas tão temidas complicações vasculares.

Referências

1.      AIDS Epidemic Update-UNAIDS–WHO-2007.
2.      Diabetes Care 2004;27:1047-1053.
3.      J Am Coll Cardiol 2006;47:1093-1100.
4.      N Engl J Med 2007;356:1723-1735.

 

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