Pré-diabéticos já Podem ter Doença Renal Crônica


Dr. Amélio Godoy
Endocrinologista
Chefe do Serviço de Metabologia do IEDE-PUC-RJ

É fato que cerca de 10% a 15% dos pacientes com DM2 já apresentam alguma complicação crônica ao diagnóstico. Por si só, este já é um dado que justifica esforços para o diagnóstico precoce do DM2.

Mais recentemente, estudos do grupo de DeFronzo demonstram que pacientes com intolerância à glicose já perderam cerca de 50% da função da célula beta. Mais uma vez, fica a sugestão para, por um lado, detectar-se precocemente a anormalidade glicêmica e, por outro, para se iniciar também precocemente o tratamento.

Um estudo publicado esta semana numa revista da nefrologia (Plantinga L et al Clin J Am Soc Nephrol 5: 673–682, 2010), põe mais lenha na fogueira. E põe lenha nisso! De fato, este estudo mostra que pacientes com pré-diabetes podem esconder graus variáveis de comprometimento da função renal.

Resumidamente, o estudo foi realizado com a população do NHANES durante o censo de 1990 a 2006. No total, 8881 pacientes responderam a um questionário e foram analisados clinica e laboratorialmente. Todos cederam urina para o teste da microalbuminuria-creatinina e sangue para medir a glicemia de jejum (GJ) e a creatinina.

Aqueles que já sabiam ser portadores eram definidos como DM (n=826) e aqueles que não sabiam e cuja GJ era ≥ 126mg% eram definidos como DM-não diagnosticado ( n=299). Pré-diabetes era definido com GJ ≥ 100 e < 126 (n=2272). Não diabéticos quando a GJ < 100mg% (n=4791). Quanto à presença de doença renal crônica (DRC), foi utilizada a Taxa de Filtração Glomerular Estimada (TFGE) entre 15 e 59 ml/min/1.73 m2 ou a relação albumina/creatinina >30 mg/g.

Os resultados mostraram o seguinte quadro de prevalência de DRC (Tabela):

DM = 39.6%
DM não diagnosticados = 41.7%
Prediabetes = 17.7%
Não diabéticos = 10.6%

Nota-se que a prevalência de DRC é semelhante entre os DM e os DM não diagnosticados. Uma razão a mais para que os esforços sejam aumentados em busca do diagnóstico do DM. O mais impactante, porem, foram os achados nos pré-diabeticos, nos quais, além de uma alta prevalência de DRC,  56.2%  já estavam em estágio 3 ou 4 de DRC! Mais ainda, os números sugerem que até 13 milhões de americanos adultos podem ter diabetes-não diagnosticado ou pré-diabetes associados à DRC.

Como se podem explicar tais achados? Dado a natureza transversal do estudo e algumas poucas limitações metodológicas, não é possível inferir relações causais. Mas, alguns dados levantam pistas: aqueles com pré-diabetes, DM ou DM não-diagnosticado eram mais obesos e mais da metade dos 2 últimos referiam ter hipertensão. Além disso, sabe-se que hipertensos evoluem mais frequentemente para DM e para DRC assim como portadores da síndrome metabólica.

Assim, para que este fogo não se alastre, é necessário localizar precocemente os focos e jogar água... quero dizer, fazer triagem para DM, pré-diabetes e DRC. E o foco pode ser obesidade, SM e hipertensão. Em se localizando o início do fogo, por favor, não joguem diuréticos e beta-bloqueadores, seria como jogar lenha. O bloqueio do sistema renina-angiotensina, o controle do peso e o uso de sensibilizadores da insulina parecem, em conjunto ou isoladamente, melhores como extintores ou porta corta-fogo.

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