Avandia, o médico, o laboratório e a mídia


Dr. André Vianna
Endocrinologista
Trabalha no Hospital Nossa Senhora das Graças e Centro de Diabetes, em Curitiba

Poucas horas depois de recebermos em primeira mão, no EASD 2010, a notícia de que o Avandia (rosiglitazona) teve a sua comercialização no mercado europeu, as principais agências de notícias do mundo já fizeram o favor de espalhar a notícia.

A informação já estampa a página inicial dos portais mais lidos na Internet do Brasil e do mundo. Amanhã estará na capa de todos os jornais.
Em poucos dias a ANVISA, a agência regulatória brasileira, também emitirá o seu parecer sobre a proibição ou não da venda da medicação.

E se a ANVISA não suspender a venda do medicamento? E o médico? E o paciente diabético que usa Avandia e que está muito bem controlado?

Essa informação médica excessiva na mídia tornará difícil a prescrição de um medicamento que, em alguns casos, pode ser útil. Todos os médicos que tratam do diabetes têm pacientes que ficaram muito bem com o Avandia e que a troca seria inoportuna.

O laboratório fabricante, GSK, continua afirmando que o produto é seguro e tem estudos comprovando isso. Outras pesquisas mostram o contrário!

Mas algum médico terá a coragem de manter a sua prescrição, depois de tanto alarde? E o risco de ser acusado pelo seu próprio paciente de receitar um “remédio perigoso”. “Tá na Internet, tá no Google que é perigoso! Só o meu doutor que não sabe!” O doutor terá sua reputação prejudicada se julgar que, para aquele paciente específico, o Avandia é a melhor medicação.

Antes mesmo da proibição no mercado brasileiro, prescrever o medicamento já está proibido! Prescrevê-lo hoje é um ato de coragem, mesmo para o doutor atualizado e ciente de todos os riscos e benefícios do remédio.

Será que o papel da mídia é esse, o de adiantar informações médicas e científicas? E quem parar o medicamento por conta própria, sem procurar o seu médico. O descontrole do diabetes é muito mais perigoso!

Liberdade de imprensa sim, mas sempre com opinião especializada! Divulgue-se sempre a opinião de um especialista no assunto. A notícia nua e crua, nesse caso, pode ser prejudicial à saúde!

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