Fiquei muito feliz com a linha adotada pelos pesquisadores honrados com o Prêmio Nobel de Medicina 2011. Nos lembramos das aulas de imunologia na faculdade e provavelmente esta matéria não era uma das mais populares, tendo em vista sua complexidade.

Fato é que, com o desenvolvimento desta área de estudo, diversos campos da Medicina passaram a utilizar dos conceitos de imunologia aplicada. Nos dias de hoje, em todas as especialidades médicas há necessidade de se entender e estudar a combinação entre imunologia e os mecanismos das respectivas doenças e até mesmo potencial terapêutico.

No dia 03 de outubro de 2011, três pesquisadores dividiram o Prêmio Nobel. Dois deles na linha de imunidade inata, Bruce A. Beutler e Jules A. Hoffmann e um deles,  Ralph M. Steinman (falecido de câncer 3 dias antes da cerimônia do Prêmio),  na linha de imunidade adaptativa. Todos os 3 pesquisadores desenvolveram conceitos que hoje consideramos corriqueiros, mas...

É com grande prazer que venho dividir com todos um dos primeiros artigos científicos sobre terapia celular no diabetes tipo 2 (DM2). Apesar de ser de um grupo pouco conhecido da China, este grupo utilizou pioneiramente uma linhagem de células multipotenciais chamada células-tronco mesenquimais.

Como todos sabemos, o DM2 é uma interessante alvo para terapia celular, especialmente para o uso de células mesenquimais. Neste sentido, as células-tronco mesenquimais tornam-se extremamente atraentes por terem algumas características marcantes:

  • Possibilidade ainda não totalmente comprovada de regeneração de células beta;
  • Migração por quimiotaxia para tecidos inflamados;
  • Propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias;
  • Baixa imunogenicidade, pois não apresenta HLA classe 2, podendo ser infundida em indivíduos diferentes sem rejeição.
  • Células da placenta apresentam grande capacidade de divisão celular


Com todas estas características atraentes acima citadas, é fácil imaginarmos que com este tipo de célula poderemos vislumbrar a sua atuação tanto na resistência insulínica quanto na disfunção de...

Aprovado pelo FDA o mais novo medicamento que pode ser utilizado como opção no tratamento do diabetes tipo 2: o BYDUREON®. Seu lançamento foi destaque na imprensa leiga mundial, sendo matéria do New York Times no dia 27/01.

O BYDUREON® é considerado "primo"do recém-lançado VICTOZA® e do remédio há mais tempo no mercado chamado BYETTA®. A substância contida nele é o exenatide de liberação lenta. Exenatide é uma substância semelhante àquela liberada pelo nosso intestino quando ingerimos o alimento. Esta substância é chamada GLP-1.

Esta classe de remédios que têm ação semelhante ao GLP-1 humano promove redução da glicemia pelo fato de esta substância estimular a secreção de insulina pelo pâncreas e redução do hormônio glucagon (também produzido pelo pâncreas). Para quem não sabe o glucagon eleva a glicose no sangue, ou seja,  é contrário à ação da insulina.

Além disso, o GLP-1 atua no centro da fome localizado no cérebro...

Há muito tempo não via o tema diabetes mellitus tomar tanto espaço na mídia leiga como um todo. A maior parte das vezes são mostrados dados alarmantes relacionados ao diabetes como por exemplo a sua elevada prevalência mundial e a incidência complicações crônicas.

Não há dúvidas de que o arsenal terapêutico a ser oferecido aos pacientes diabéticos tipo 2 (DM2) tem aumentado ao longo dos anos, porém muito ainda deve ser desenvolvido. O DM2 é uma doença complexa em que se agrupam múltiplos defeitos tanto hereditários como também adquiridos por meio de maus hábitos de vida. Na figura 1 mostramos um resumo dos 8 principais defeitos relacionados ao DM2.

É fato que infelizmente o DM2 acomete indivíduos em fases cada vez jovens de vida. Paralelamente estamos presenciando um aumento da expectativa de vida no Brasil e em diversos países ocidentais. Por tudo isto exposto é que podemos concluir que teremos...

O estado pré-diabético é um problema de saúde relativamente comum. Recentemente um número maior de adultos têm feito exames de rotina, inclusive teste oral de tolerância à glicose, que possui uma maior sensibilidade no diagnóstico do diabetes ou pré-diabetes. Segundo dados atuais da IDF (International Diabetes Federation) no Brasil cerca de 4,5% dos adultos possuem pré-diabetes. Nos Estados Unidos esta prevalência é de 10,5%.

Análises de diversos estudos mostram que cerca de 50% dos pré-diabéticos evoluem para estado diabético tipo 2. Além disso, vários estudos mostram elevada incidência de complicações micro e macrovasculares já no pré-diabetes.

Na Banting lecture do congresso do ADA em 2008, DeFronzo mostrou estudos realizados no Texas Diabetes Institute que cerca de 50% da massa funcional de células beta já está deteriorada neste estágio de pré-diabetes.

Neste estudo publicado no final de 2011 por Amato e colaboradores, foi avaliado o efeito de 3 formas de tratamento...

Neste ano de 2012 nossa Equipe de Transplante de Células-tronco da USP – Ribeirão Preto publicou um artigo avaliando os efeitos do Transplante na função hormonal sexual e no espermograma de pacientes diabéticos tipo 1 submetidos à nossa pesquisa. Um fato nos chamou a atenção: dos 13 homens que colheram o espermograma antes da terapia todos apresentaram alterações na motilidade dos espermatozóides e 11 apresentaram anormalidades morfológicas dos mesmos.

Obviamente que o número de pacientes avaliados é muito pequeno mas isto de certa forma nos surpreendeu. Acrescente-se a isto o fato de a literatura médica ser muito pobre nas informações sobre fertilidade masculina no diabetes tipo 1.

Em face a escassez de dados, nossa sugestão de leitura é de um estudo epidemiológico de um grupo de pesquisadores alemães da Universidade de Leipzig publicado em fevereiro de 2012. Neste estudo transversal em mais de 650 participantes diabéticos tipo 1 em idade...

Durante anos e anos tivemos em nosso mercado apenas insulinas de origem animal. Com o passar do tempo foram desenvolvidas insulinas humanas e atualmente quase 100% da insulina NPH e Regular comercializados no Brasil são humanas.

Nos últimos anos, porém temos vivenciado o surgimento de análogos de insulina. Estes análogos são moléculas que sofrem alterações na sua estrutura por meio de engenharia genética. As alterações podem ser inclusão ou adição de um ou mais aminoácidos com o objetivo de conferir alguma característica peculiar importante à molécula original.

Devido à esta modificação na molécula de insulina, muito receio existe quanto ao uso de análogos de maneira geral em gestantes e seus potenciais efeitos no concepto. 

No dia 2 de abril o FDA passou a classificar a insulina Detemir na categoria de risco B  para uso na gestação.  O risco B significa que os estudos realizados em animais não demonstraram risco fetal,...

O endocrinologista é muitas vezes o profissional de saúde que os pacientes mais visitam durante o ano e que eles certamente depositam confiança. Além do manejo do diabetes e de várias comorbidades como colesterol e triglicérides alterados e hipertensão, o endocrinologista deve rastrear ativamente as complicações crônicas do diabetes.

Nas últimas décadas temos observado uma maior sobrevida dos portadores de diabetes e a incidência de cânceres tem se mostrado mais frequente. Não se sabe ao certo o mecanismo relacionando diabetes tipo 2 e câncer, mas deve-se ressaltar a somatória de fatores como envelhecimento, sedentarismo, resistência insulínica, tabagismo etc. A Associação Americana de Diabetes reconhece que os cânceres mais frequentes nesta população são de fígado, intestino, pâncreas, mama, endométrio e bexiga.  Além destes devemos nos lembrar que  com o avançar da idade por si só nossos pacientes diabéticos correm mais risco de desenvolverem cânceres de maneira geral.

Por isso é que...

Muito frequentemente sou perguntado por pacientes a respeito da coleta e congelamento de sangue de cordão dos filhos que estão para chegar. Muitas vezes os pais até mesmo me perguntam sobre a possível utilidade destas células no tratamento do diabetes de um irmão já portador do diabetes tipo 1.

Com a disseminação de bancos públicos e também privados de sangue de cordão estas questões estão se tornando mais frequentes. Vale à pena informar que a doação de sangue de cordão umbilical para o banco público indica que o sangue coletado poderá ser usado por outros e você poderá usar sangue de outros doadores. Outro ponto, nos bancos privados o sangue estocado é a princípio para uso apenas do doador.

A célula de sangue de cordão umbilical é uma célula-tronco multipotente com características semelhantes às células-tronco hematopoéticas que todos nós temos na medula óssea. Apesar de ser formalmente considerada uma célula-tronco...

Uma das grandes indagações sobre qualquer estudo clínico é se o seu desenho está de acordo com os objetivos do estudo.

Neste texto comentado, avaliaremos a metodologia do estudo ORIGIN referente ao braço que utilizou a insulina Glargina.

Por isso, para iniciar este comentário vamos relembrar quais foram os endpoints do estudo ORIGIN:

Neste estudo houve 2 grupos de  desfechos primários compostos:

- Desfecho primário 1:

  • Morte cardiovascular
  • Infarto não-fatal
  • AVC não-fatal

- Desfecho primário 2:

  • Morte cardiovascular
  • Infarto não-fatal
  • AVC não-fatal
  • Revascularização coronária, carotídea ou vascular periférica
  • Hospitalização por insuficiência cardíaca

Neste estudo foram analisados 4  principais desfechos secundários:

- Desfecho secundário 1:

  • Composto de incidência e/ou progressão de lesões microvasculares na retina e rins;

- Desfecho secundário 2:

  • Novos casos de diabetes tipo 2 (naqueles indivíduos sem diagnóstico prévio da doença)

- Desfecho secundário 3:

  • Morte por todas as causas

- Desfecho secundário 4:

  • Novos casos de câncer ou câncer recorrente

Para...

Pagina 1 de 2

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

secretaria@diabetes.org.br

SBD nas Redes