O Prêmio Nobel de Medicina 2012 vai para as células-tronco iPS! Veja seu potencial uso no tratamento do diabetes.


Dr. Carlos Eduardo Barra Couri
PhD em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP
Pesquisador da Equipe de Transplante de Células-tronco - USP - Ribeirão Preto

No dia 8 de outubro de 2012 foram apresentados os 2 vencedores do Prêmio Nobel de Medicina 2012 . Trata-se de um pesquisador Britânico chamado John B. Gurdon e um pesquisador japonês chamado Shinya Yamanaka.

O prêmio foi divido porque eles trabalharam separadamente porém com o mesmo tema: células iPS (induced pluripotent stem cells ou células-tronco pluripotentes induzidas). Mas o que são estas iPS?

De uma maneira resumida, as iPS são células-tronco com características muito semelhantes às células-tronco embrionárias. Elas já foram desenvolvidas em humanos e podem dar origem a qualquer tecido das 3 camadas embrionárias: ectoderma, mesoderma e endoderma.

As iPS porém são formadas a partir de células adultas que recebem a adição de alguns genes que fazem com que esta célula adulta se “tranforme “ou - usando o termo científico correto - se “indiferencie” em célula-tronco pluripotente.

Veja na figura abaixo um esquema ilustrativo das pesquisas:

As vantagens deste tipo de célula-tronco são várias e podemos citar:

  • elas driblam problemas morais, éticos e religiosos gerados previamente com uso de embriões;
  • elas são uma grande fonte praticamente inesgotável de células-tronco com objetivo de regenerar tecidos;
  • possuem capacidade de diferenciação igual à da clássica célula-tronco embrionária;
  • podem ser utilizadas a partir de células maduras do próprio paciente que receberá o transplante. Como obviamente elas terão o mesmo material genético, isto evita qualquer tipo de rejeição.

Perspectivas no tratamento do diabetes

Este tipo de pesquisa passa a ser útil como fonte inesgotável de células β com a vantagem de ter o DNA do próprio paciente. Estas células então poderão servir de fonte de ilhotas nos estudos de transplante de ilhotas pancreáticas e também como adjuvante repovoando o pâncreas nos estudos envolvendo imunomodulação em pacientes diabéticos tipo 1. Poderão ser úteis também em estudos em pacientes com DM2 em fase avançada de doença com pouca secreção residual de insulina, na tentativa de promover a regeneração da massa de células β residual.

Falando nisso...

Desde 1922, ano do desenvolvimento da insulina, o Prêmio Nobel foi concedido 10 vezes para pesquisas ligadas direta ou indiretamente ao diabetes.

Veja tabela abaixo:

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