Vale à pena usar células-tronco de sangue de cordão umbilical para um potencial tratamento do diabetes tipo 1?


Dr. Carlos Eduardo Barra Couri
PhD em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP
Pesquisador da Equipe de Transplante de Células-tronco - USP - Ribeirão Preto

Muito frequentemente sou perguntado por pacientes a respeito da coleta e congelamento de sangue de cordão dos filhos que estão para chegar. Muitas vezes os pais até mesmo me perguntam sobre a possível utilidade destas células no tratamento do diabetes de um irmão já portador do diabetes tipo 1.

Com a disseminação de bancos públicos e também privados de sangue de cordão estas questões estão se tornando mais frequentes. Vale à pena informar que a doação de sangue de cordão umbilical para o banco público indica que o sangue coletado poderá ser usado por outros e você poderá usar sangue de outros doadores. Outro ponto, nos bancos privados o sangue estocado é a princípio para uso apenas do doador.

A célula de sangue de cordão umbilical é uma célula-tronco multipotente com características semelhantes às células-tronco hematopoéticas que todos nós temos na medula óssea. Apesar de ser formalmente considerada uma célula-tronco adulta, a célula de cordão tem algumas nuances que lhe promovem características mais imaturas que as células hematopoiéticas.

Estudos in vitro mostram a capacidade das células de sangue de cordão em se diferenciarem em células β pancreáticas. Além disso, o principal efeito esperado destas células é promover uma imunomodulação tanto direta quanto indireta reduzindo a proporção de linfócitos T efetores (que destroem as células β) e aumento do número de linfócitos T reguladores (indutores de tolerância imunológica).

Avaliando o papel biológico de poder possivelmente regenerar as células β e promover imunomodulação é que o grupo da Universidade da Florida em Gainesville liderou as pesquisas neste seguimento. A grande vantagem seria a não necessidade de se utilizar de imunossupressão adjuvante e de ser um procedimento simples de infusão de não mais do que 100 ml uma única vez na veia periférica de voluntários.

Eles incluíram 24 pacientes que se tornaram diabéticos tipo 1 e que tinham congelados seus próprios sangues de conrdão umbilical. A maioria dos pacientes não aceitou devido à incerteza inerente à pesquisa. Com idade média em torno de 5 anos de idade e com diagnóstico há mais ou menos 1 ano. O estudo foi aberto e teve como comparador um grupo pareado de pacientes atendidos na mesma instituição.

O objetivo era avaliar mudanças na secreção de peptídeo-C e dose diária de insulina, além é claro da segurança do procedimento.

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