Sabemos que o diabetes tipo 2 está associado a maior risco de cânceres, mas estamos fazendo o rastreamento adequadamente?


Dr. Carlos Eduardo Barra Couri
PhD em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP
Pesquisador da Equipe de Transplante de Células-tronco - USP - Ribeirão Preto

O endocrinologista é muitas vezes o profissional de saúde que os pacientes mais visitam durante o ano e que eles certamente depositam confiança. Além do manejo do diabetes e de várias comorbidades como colesterol e triglicérides alterados e hipertensão, o endocrinologista deve rastrear ativamente as complicações crônicas do diabetes.

Nas últimas décadas temos observado uma maior sobrevida dos portadores de diabetes e a incidência de cânceres tem se mostrado mais frequente. Não se sabe ao certo o mecanismo relacionando diabetes tipo 2 e câncer, mas deve-se ressaltar a somatória de fatores como envelhecimento, sedentarismo, resistência insulínica, tabagismo etc. A Associação Americana de Diabetes reconhece que os cânceres mais frequentes nesta população são de fígado, intestino, pâncreas, mama, endométrio e bexiga.  Além destes devemos nos lembrar que  com o avançar da idade por si só nossos pacientes diabéticos correm mais risco de desenvolverem cânceres de maneira geral.

Por isso é que o endocrinologista tem um papel-chave em fazer o rastreamento ativo destas possíveis complicações quer seja solicitando diretamente os exames e os interpretando ou encorajando o paciente a se consultar com um especialista da área.

Obviamente que a entrevista e o exame físico podem nos dar pistas e levantar suspeitas, mas na maioria dos casos o início dos cânceres é silencioso e se detectado precocemente resulta em maiores chances de cura e sobrevida.

Seguem abaixo as recomendações para rastreamento de câncer baseado nas diretrizes brasileiras e algumas diretrizes do Center of Disease Control e National Cancer Institute dos Estados Unidos:

- Rastreamento de Câncer de Intestino: deve ser realizado em indivíduos com idade igual ou superior a 50 anos e pode ser feito de 3 formas a depender das disponibilidades locais:

  • colonoscopia a cada 10 anos;
  • reto-sigmoidoscopia a cada 5 anos associado a pesquisa de sangue oculto de fezes anual;
  • pesquisa de sangue oculto nas fezes anual. 

Não há evidências de benefícios na sobrevida no rastreamento de indivíduos com idade superior a 75 anos. Não há evidências no momento para indicar o uso rotineiro da colonografia por tomografia computadorizada.

- Rastreamento de Câncer de próstata: deve ser feito com dosagem sanguínea de PSA e toque retal anualmente a partir dos 50 anos

- Câncer de Mama: a mamografia deve ser realizada de rotina anualmente ou bianualmente a partir dos 40 anos;

- Câncer de colo uterino: a coleta de material para citologia deve ser feito anualmente a partir dos 25 anos até 64 anos. Após esta idade o rastreamento não é mais indicado caso a paciente apresente 2 exames anuais negativos.

É importante destacar que não há estratégias ou diretrizes específicas para os demais tipos de câncer no que tange ao rastreamento populacional rotineiro. Cada paciente deve ser avaliado individualmente. Por isso é que o seguimento médico regular se faz necessário, pois em face de qualquer anormalidade no exame físico ou exame complementar ou frente a qualquer sintoma alarmante o médico poderá guiar os exames a serem solicitados.

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