Em 1 semana, três novos medicamentos aprovados pelo FDA para tratamento do diabetes tipo 2


Dr. Carlos Eduardo Barra Couri
PhD em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP
Pesquisador da Equipe de Transplante de Células-tronco - USP - Ribeirão Preto

Há muito tempo não via o tema diabetes mellitus tomar tanto espaço na mídia leiga como um todo. A maior parte das vezes são mostrados dados alarmantes relacionados ao diabetes como por exemplo a sua elevada prevalência mundial e a incidência complicações crônicas.

Não há dúvidas de que o arsenal terapêutico a ser oferecido aos pacientes diabéticos tipo 2 (DM2) tem aumentado ao longo dos anos, porém muito ainda deve ser desenvolvido. O DM2 é uma doença complexa em que se agrupam múltiplos defeitos tanto hereditários como também adquiridos por meio de maus hábitos de vida. Na figura 1 mostramos um resumo dos 8 principais defeitos relacionados ao DM2.

É fato que infelizmente o DM2 acomete indivíduos em fases cada vez jovens de vida. Paralelamente estamos presenciando um aumento da expectativa de vida no Brasil e em diversos países ocidentais. Por tudo isto exposto é que podemos concluir que teremos mais pacientes diabéticos tipo 2 vivendo por mais tempo e justamente por isso que deveremos ter em mãos uma gama de medicamentos eficazes e ao mesmo tempo de ação duradoura.

O primeiro lançamento ocorreu em 27 de janeiro de 2012 e foi de um remédio de aplicação subcutânea -  o Exenatide de ação semanal(Bydureon®). O Bydureon® é considerado "primo" do recém-lançado VICTOZA®. Exenatide é uma substância semelhante àquela liberada pelo nosso intestino quando ingerimos o alimento. Esta substância é chamada GLP-1.

Esta classe de remédios que têm ação semelhante ao GLP-1 humano promove redução da glicemia pelo fato de esta substância estimular a secreção de insulina pelo pâncreas e redução do hormônio glucagon (também produzido pelo pâncreas). Para quem não sabe o glucagon eleva a glicose no sangue, ou seja, e é contrário à ação da insulina.

Além disso, o GLP-1 atua no centro da fome localizado no cérebro induzindo a uma redução do apetite. O GLP-1 também atua no estômago fazendo com ele fique mais lento para se esvaziar quando nos alimentamos. Com isso, o paciente em uso deste remédio frequentemente refere que quando come pequenas quantidades de alimentos já sente o estômago mais “cheio”, não tolerando portanto ingerir grandes quantidades de comida.

Em 30 de janeiro de 2012 ocorreu o segundo lançamento e foi da associação medicamentosa Linagliptina + Metformina num mesmo comprimido com nome comercial de Jentadueto® nos EUA. A Linagliptina atua de maneira semelhante ao Bydureon®, porém não tem importante papel da redução de peso. A Linagliptina aumenta a secreção de insulina e bloqueia a secrecão de glucagon e a metformina atua reduzindo a resistência insulínica, principalmente no fígado. Como a metformina utilizada é de curta duração este medicamente deve ser utilizado por via oral de 12 em 12 horas.

O terceiro lançamento ocorreu em 02 de fevereiro de 2012 e foi o Janumet XR® (sitagliptina + metformina XR no mesmo comprimido). A sitagliptina atua de maneira semelhante à linagliptina citada anteriormente. Entretanto, no caso do Janumet XR® a metformina associada é de longa duração podendo então o comprimido ser administrado por via oral 1 única vez ao dia, facilitando a posologia.

Vale à pena destacar que um medicamento semelhante ao Janumet XR® foi aprovado pelo FDA em 05 de novembro de 2010 e se chama Kombiglyze XR e já está sendo comercializado nos EUA.

Como pudemos ver, dois dos três lançamentos deste ano foram de substâncias diferentes reunidas dentro de  em um único comprimido e o outro lançamento foi de uma substância de aplicação semanal.

Isto mostra a tendência atual do tratamento do DM2 em que se privilegia:

  • A facilidade posológica, que é um fator importantíssimo na adesão do paciente ao tratamento;
  • A associação de medicamentos, tendo em vista que o DM2 é uma doença com múltiplos defeitos diferentes e que dificilmente se torna controlada com um único medicamento.

Em conclusão, esperamos ter em breve todos estes medicamentos disponíveis nas farmácias brasileiras e muito ainda está por vir. Entretanto, é importante destacar que nenhum tratamento isoladamente é capaz de reverter completamente esta doença e o paciente tem uma responsabilidade primordial no curso desta doença, que é manter uma alimentação saudável e atividade física regular.

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