No dia 8 de outubro de 2012 foram apresentados os 2 vencedores do Prêmio Nobel de Medicina 2012 . Trata-se de um pesquisador Britânico chamado John B. Gurdon e um pesquisador japonês chamado Shinya Yamanaka.

O prêmio foi divido porque eles trabalharam separadamente porém com o mesmo tema: células iPS (induced pluripotent stem cells ou células-tronco pluripotentes induzidas). Mas o que são estas iPS?

De uma maneira resumida, as iPS são células-tronco com características muito semelhantes às células-tronco embrionárias. Elas já foram desenvolvidas em humanos e podem dar origem a qualquer tecido das 3 camadas embrionárias: ectoderma, mesoderma e endoderma.

As iPS porém são formadas a partir de células adultas que recebem a adição de alguns genes que fazem com que esta célula adulta se “tranforme “ou - usando o termo científico correto - se “indiferencie” em célula-tronco pluripotente.

Veja na figura abaixo um esquema ilustrativo das pesquisas:

As vantagens deste tipo...

Em janeiro de 2012 dividi com todos um dos mais promissores artigos sobre transplante de células-tronco em pacientes com diabetes tipo 2 (DM2). Neste artigo foram infundidas por veia periférica células-tronco mesenquimais de placenta em 10 voluntários. Entretanto, este estudo assim como vários outros envolvem um número pequeno de pacientes e com seguimento muito curto. 

Após 1 ano o número de publicações sobre terapia celular em diabetes aumentou exponencialmente, sendo obviamente a maioria dos estudos realizados em animais ou in vitro.

A China tem se destacado pelo grande número de pacientes incluídos em pesquisas clínicas com células-tronco. Minha sugestão de leitura é um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Qingdao, China que avaliou o efeito da infusão autóloga de células-tronco mononucleares da medula óssea em pacientes diabéticos tipo 2.

Quando se fala de infusão de células-tronco mononucleares da medula óssea isto quer dizer que são infundidas células-tronco mesenquimais, hematopoéticas...

As células-tronco são conhecidas pelo seu potencial de se auto-renovar e também de se diferenciar em células mais maduras in vitro. Por isso, muita esperança reside no seu uso terapêutico em humanos, especialmente em doenças crônico-degenerativas.

Como estamos vivendo ainda uma fase inicial dos estudos, não sabemos ao certo quais doenças serão realmente beneficiadas com o uso de células-tronco  e em quais doenças esta terapia ficará apenas na promessa.

Felizmente o Brasil é pioneiro no uso de células-tronco em humanos com diabetes e as pesquisas se iniciaram em 2003 com o diabetes tipo 1. O diabetes tipo 1 é autoimune, ou seja, o sistema imunológico do paciente destrói as células produtoras de insulina localizadas no pâncreas. Neste caso, nossos estudos conduzidos pelo grupo de transplante de células-tronco da USP-Ribeirão Preto visam promover um “reset” no sistema imunológico destes pacientes evitando que ele continue o processo de agressão ao pâncreas. Este “reset”...

Apesar de estarmos acostumados com a dosagem de auto-anticorpos na determinação diagnóstica do diabetes tipo 1, sabemos que estes anticorpos possuem papel secundário no fenômeno de autoimunidade desta doença.

Há quase 15 anos o Dr Bart Roep da Universidade de Leiden - Holanda publicou no New England Journal of Medicine um relato de caso de um menino portador de uma doença genética rara chamada agamaglobulinemia. Trata-se de uma síndrome de imunodeficiência congênita em que o paciente não produz nenhum tipo de anticorpos. Neste relato de caso, o menino em questão desenvolveu diabetes tipo 1 a despeito de não possuir qualquer nível de anticorpos circulantes.

Por conta disto e por diversos outros estudos sabemos que o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que tem como principal agente a imunidade celular, sendo os anticorpos atores coadjuvantes e não necessários para a ocorrência do fenômeno autoimune. Dentre os principais agentes da autoimunidade celular temos...

Todos estamos familiarizados (infelizmente) com a neuropatia diabética acometendo os nervos periféricos de membros inferiores, acometendo a inervação autonômica cardiovascular e gastrointestinal, etc.

A diabetologia vive um enorme dilema com relação às neuropatias diabéticas. Muitas formas de neuropatia são de diagnóstico difícil e outras neuropatias facilmente identificáveis não são detectadas por uma simples falta de exame físico adequado em consulta médica regular.

Não bastasse tudo isto exposto, surge uma nova forma de neuropatia: neuropatia na medula óssea! A medula óssea não é apenas um arcabouço ósseo. Na medula óssea existem células-tronco adultas responsáveis por inúmeras funções, dentre elas:

  • Angiogênese (via produção de células-tronco endoteliais)
  • Formação do sistema imunológico
  • Formação da série vermelha do sangue

Estudos recentes apontam que o diabetes poderia reduzir a formação e a liberação destas células para o sangue periférico, sendo estas uma das causas para a pessoa com diabetes ter maior risco de doenças macrovasculares.  Com a...

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