Cardiovascular Biology of the Incretin System. John R. Ussher and Daniel J. Drucker. Endocrine Reviews, feb 8, 2012;


Dr. Clayton Luiz
Doutor em Endocrinologia Clínica e Especialista em Medicina do Esporte pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM)
Professor da Faculdade da Serra Gaúcha – FSG – Caxias do Sul
Coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício da UNIFESP-EPM

Cardiovascular Biology of the Incretin System. John R. Ussher and Daniel J. Drucker. Endocrine Reviews, feb 8, 2012; publicado on line com acesso livre no link: http://edrv.endojournals.org/content/early/2012/02/08/er.2011-1052.full.pdf+html

O GLP-1 (glucagon-like peptide-1) é um hormônio intestinal que aumenta a secreção de insulina de forma glicose- dependente, inibe a secreção de glucagon e a produção hepática de glicose, diminui o esvaziamento gástrico, tem ação sobre os mecanismos de apetite e saciedade a nível central e sobre a adiposidade, além de exercer ações diretas e indiretas sobre o sistema cardiovascular. Este hormônio é rapidamente inativado pela enzima dipeptidil-peptidase 4 (DPP-4). Duas classes de medicamentos que melhoram a ação incretínica, os agonistas do receptor do GLP-1 (GLP1-R) e os inibidores da DPP-4, têm sido muito utilizadas para o tratamento do diabetes mellitus do tipo 2. Um excelente artigo de revisão sobre a ação destes 2 grupos de medicamentos na biologia cardiovascular foi recentemente publicado no Endocrine Reviews de fevereiro por dois importantes investigadores do Canadá, o Dr. Daniel J. Drucker, bastante conhecido pelos endocrinologistas brasileiros por suas publicações e participação em eventos científicos internacionais na área de diabetes e sistema incretínico, e o Dr. John R. Ussher, expoente na área de pesquisa cardiovascular e diabetes. O artigo discute os efeitos diretos e indiretos destes medicamentos em cardiomiócitos, vasos sanguíneos e adipócitos, pressão arterial e secreção de lipoproteínas pós-prandiais. Tanto a ativação do GLP-1R como a inibição da DPP-4 exercem um efeito cardioprotetor com múltiplas ações em modelos pré-clínicos de disfunção cardiovascular e estudos de curto prazo em seres humanos parecem demonstrar ações modestas mas benéficas sobre a função cardíaca em pacientes com cardiopatia. A terapêutica baseada em incretinas tem ação no controle do peso corporal, no controle glicêmico com baixo risco de hipoglicemia, na pressão arterial, na inibição da secreção de quilomicrons intestinais e na redução da inflamação em estudos pré-clínicos. A confirmação das ações cardiovasculares destes agentes em pacientes com diabetes e doença cardiovascular estabelecida, assim como os benefícios desta terapia na redução do risco cardiovascular, exige a realização de estudos cardiovasculares a longo prazo atualmente em andamento em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. Este artigo é extremamente abrangente, muito bem escrito, fundamentado cientificamente e com ilustrações didáticas, discutindo desde a fisiopatologia do sistema incretínico, suas ações cardiovasculares, as repercussões da sua intervenção farmacológica sobre o sistema cardiovascular, os estudos clínicos e as direções futuras. Com certeza, este artigo será considerado referência para o aprendizado e difusão do conhecimento básico e clínico sobre a terapia baseada no sistema incretínico na abordagem do diabetes mellitus.

VOLTAR