Proteína animal: vilã ou aliada?


Dr. Edson Perrotti
Médico Endocrinologista
Mestre em Nutrição pelo PPGNUT – UFAL
Delegado da SBD – AL
Vice coordenador do Departamento de Atividades Físicas da SBD

Um estudo bastante interessante, realizado nos EUA, Itália e Equador avaliou a mortalidade relacionada à ingestão de proteínas, de origem animal e vegetal, subdividindo essa mortalidade por faixas etárias, mortalidade por câncer, diabetes e mortalidade por todas as causas.

Os achados foram surpreendentes, revelando que a mortalidade relacionada ao Diabetes aumenta cerca de 5 vezes com a dieta hiperproteica animal, em todas as idades.

Para as outras causas, como mortalidade total e câncer, houve uma associação aumentada de 75% nos indivíduos com ingestão proteica animal elevada, sendo que esta associação estava reduzida ou até mesmo abolida quando a dieta era rica em proteínas de origem vegetal.

Por outro lado, acima de 65% anos, a dieta rica em proteínas animais parece exercer efeito protetor em relação ao câncer e à mortalidade por todas as doenças, exceto em relação ao diabetes, onde essa dieta rica em proteínas animais mantém associação com maior mortalidade ligada ao diabetes.

Eles concluem mencionando que: “Em geral, os nossos estudos com seres humanos e animais indicam que uma dieta com baixo teor proteico, durante a meia-idade é provável que seja benéfico para a prevenção do câncer, a mortalidade total e, possivelmente diabetes através de um processo que pode envolver, pelo menos em parte, a regulação de circulação de IGF-1 e, possivelmente, os níveis de insulina. De acordo com outros estudos epidemiológicos e em animais, nossos resultados sugerem que uma dieta em que nutrientes à base de plantas representam a maioria do consumo de alimentos é provável que ocorra a maximização de benefícios para a saúde em todas as faixas etárias. No entanto, propõe-se que a recomendação de ingestão de 0,7 a 0,8 g de proteínas / kg de peso corporal / dia relatados pelo Departamento de Alimentação e Nutrição do Conselho de Administração do Instituto de Medicina, atualmente visto como requisito mínimo até 65 anos e, possivelmente 70, de acordo com o estado de saúde, deve ser recomendado também para adultos com idades entre 19-70 ao invés de 1,0-1,3 g gramas de proteínas / kg de peso corporal / dia como recomendado atualmente. Propomos ainda que em idades mais avançadas, pode ser importante evitar a baixa ingestão de proteína e gradualmente adotar um consumo de moderado a alto teor de proteína, de preferência principalmente à base de plantas para permitir a manutenção de um peso saudável e proteção contra a debilidade.”

Cell Metabolism19, 407–417, March 4, 2014  ©2014 Elsevier Inc.

Links:

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S155041311400062X  (Online)

http://download.cell.com/cell-metabolism/pdf/PIIS155041311400062X.pdf?intermediate=true  (artigo na íntegra)

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