Melhora do desempenho cardio-respiratório é útil para prevenção/tratamento da Síndrome Metabólica em idosos?


Helena Schmid, MD, PhD
Professora Associada da UFRGS/ HCPA
Professora Titular UFCSPA

Estudos transversais tem mostrado uma associação inversa entre desempenho cardio-respiratório e a ocorrência de Síndrome Metabólica (SMet) em homens e mulheres de meia idade e idosos.

Em colunas anteriores apresentamos artigos que avaliaram os efeitos do exercício físico em indivíduos com Diabetes tipo 1 e 2. Agora estamos trazendo dados sobre os efeitos do exercício físico em pessoas idosas (57 a 78 anos) e que foram consideradas como apresentando SMet pelo critério do NCEP (National Cholesterol Education Program).

O trabalho foi publicado no periódico Diabetes Care em julho de 2010, sendo parte de um estudo maior de coorte que vem sendo realizado na Finlandia, Kuopio, denominado DR’s EXTRA (The dose response to exercise training study) e tendo como primeiro autor Hassinen M.

Até a ocorrência desta publicação, existiam alguns dados na literatura sobre a prevenção de SMet em pessoas de média idade e nenhum avaliando a possibilidade de resolução da SMet com aumento da atividade física. Nenhum estudo havia sido conduzido em pessoas idosas. O trabalho aqui descrito foi denominado Desempenho Cardiorespiratório e Síndrome Metabólica em Homens e Mulheres Idosos: estudo tipo dose resposta para treinamento em exercícios físicos.

O objetivo foi avaliar em 1226 pessoas com 57 a 78 anos o efeito do exercício físico sobre o desenvolvimento e resolução da SMet, no período de 2 anos. A captação máxima de Oxigênio Vo (2max) foi realizada diretamente por análise de gases respiratórios durante um teste de capacidade máxima.

Foi mostrado que um aumento da Vo (2max) de um desvio padrão acima do basal, foi associado com diminuição de 44% (95% CI 24-58) do risco de desenvolver a SMet. Um aumento de 1 desvio padrão na  Vo (2max) aumentou a chance para resolver a MetS  em 1.8 (1.2-2.8) vezes. Os autores concluíram que níveis elevados de desempenho cardiorespiratório são protetores para a ocorrência de SMet e podem ser um tratamento resolutivo em indivíduos idosos com SMet.

Considerando os dados apresentados, entende-se que campanhas para facilitar a participação de idosos em atividades físicas provavelmente seriam úteis para diminuir o número de indivíduos idosos que por diminuírem atividades físicas quando chegam nesta faixa etária apresentam aumento das chances de doença cardiovascular e mortalidade por SMet. Além disso, estudos brasileiros projetados para avaliar esta possibilidade certamente seriam muito bem-vindos, pois poderiam ter aplicação prática imediata.

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