Alongamento é útil? Para pacientes diabéticos? Com que finalidade?


Helena Schmid, MD, PhD
Professora Associada da UFRGS/ HCPA
Professora Titular UFCSPA

O alongamento é comumente prescrito em programas de exercício e como forma de reabilitação de dor crônica, e muitos questionam sua eficácia. Em colunas anteriores apresentamos informações claras relatando a eficácia de exercícios aeróbicos e de resistência muscular (tipo musculação) para prevenção de Diabetes e de suas complicações. E o alongamento? Deve ser realizado por pessoas com Diabetes?

Apresentamos a seguir um artigo recentemente publicado (Physical Therapy 89 (10), 2009) que nos orienta a respeito. O estudo foi um ensaio clínico randomizado realizado por Roberta Law e colaboradores, em Sidney, Austrália, em pessoas com dor musculoesquelética crônica. O objetivo foi avaliar se 3 semanas de alongamento aumentavam a extensibilidade e tolerância ao alongamento em pacientes com dor crônica músculo esquelética.

O delineamento envolvia a comparação das duas pernas dos indivíduos: uma era submetida a alongamento e a outra não. Trinta adultos com dor músculo esquelética persistente por pelo menos 3 meses foram recrutados.  Os músculos da panturrilha da perna experimental foram alongados diariamente por 1 minuto, durante 3 semanas, a perna controle não foi alongada.

Os desfechos foram capacidade de extensão muscular e tolerância ao alongamento, medidos no início dos experimentos e 1 a 2 dias após o último.  Foi observado que o alongamento não aumentou a capacidade de extensão muscular, mas melhorou a tolerância ao alongamento, o qual é necessário durante a realização de exercícios.

O estudo não foi realizado em pessoas com diabetes, e buscando a literatura não encontramos ainda avaliações desta população de pessoas, de modo que recomenda-se às pessoas com diabetes, os mesmos procedimentos que para os demais indivíduos. Além da recomendação de alongamento para dor músculo esquelética crônica, o alongamento tem sido recomendado em pessoas não diabéticas, para tornar a caminhada ou corrida mais segura e eficiente, alongar a musculatura envolvida para o exercício, reduzir o risco de lesões e cãimbras.

Em caso de articulações dolorosas, é recomendado executar o alongamento com delicadeza,  insistindo mas sem muito estresse (gradualmente), respeitando limites. Para caminhadas, corridas, pedalar, é recomendado especialmente o alongamento dos músculos da coxa, panturrilha, isquiotibiais, adutores, quadríceps, coluna e glúteos.

O paciente  deve ser Informado por um treinador físico sobre as técnicas de alongamento e reavaliado sempre que possível.  Na prática diária tem se a sensação subjetiva de que a adesão à atividades físicas aeróbicas aumenta naquelas pessoas que tornam o alongamento um hábito e provavelmente, isto se aplique ainda mais para pessoas com diabetes que mais frequentemente queixam-se de dores osteomusculares crônicas e cãimbras.

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