Exercício Físico Moderado e Apetite


Helena Schmid, MD, PhD
Professora Associada da UFRGS/ HCPA
Professora Titular UFCSPA

Como temos relatado em várias colunas do nosso site existem vários benefícios definidos relacionados à realização de exercícios físicos tanto para pessoas que já apresentam diabetes como para aquelas que não o apresentam e pretendem prevenir o seu aparecimento.

Freqüentemente, no entanto, uma questão que surge por parte das pessoas que pensam aumentar as atividades físicas, é a de que o exercício aumenta o apetite e que devido a isto, haveria ganho de peso corporal secundariamente. Apresentamos um estudo que avalia o efeito do exercício nos peptídeos intestinais, ganho de energia e apetite de indivíduos normais e que foi publicado em 2007, no periódico Journal of Endocrinology (autores Martins M, Morgan LM, Bloom SR, Robertson MD).

O objetivo do estudo foi investigar, em voluntários de peso normal, no período agudo após exercício físico de moderada intensidade, os efeitos sobre o consumo energético em uma refeição e correlacionar com os níveis pós-prandiais dos hormônios Grelina, PYY, GLP-1, Polipeptídeo Pancreático (PP) (hormônios que sabidamente influenciam o apetite) e os potenciais nas mudanças do apetite subjetivo e da saciedade e com a ingestão alimentar em refeição subseqüente.

Para avaliar estes aspectos, 12 voluntários (6 homens + 6 mulheres) que não estivessem em dieta de perda de peso (Idade média: 25,9 +-4,6); foram submetidos ao questionário holandês de comportamento alimentar, DEBQ que avalia as dimensões: restrição alimentar, ingestão emocional (ingestão determinada por fatores emocionais) e ingestão externa (ingestão determinada por fatores externos).

O Índice de Massa Corporal médio dos pacientes era de 22.0 +- 3.2 kg/m2. Estes parâmetros foram avaliados em repouso e em resposta ao exercício em ensaio cruzado e randomizado. Os resultados mostraram que para hormônios e metabólitos plasmáticos não houve diferença entre o hematócrito e hemoglobina entre os indivíduos que se submeteram ao exercício comparado com controles.

Conforme esperado, o exercício determinou aumento plasmático de ácidos graxos livres e triacilgliceróis; a glicemia não foi afetada pelo exercício; houve aumento significativo PYY, GLP-1 e PP durante o exercício, o qual foi mantido para GLP-1 e PP após o exercício; os níveis séricos de Grelina não se alteraram.

Quanto aos efeitos apetite/ saciedade: os escores de fome diminuíram durante a 1 h de exercício físico, porem desapareceram logo após o término do exercício; não houve modificação na saciedade e na motivação para comer em resposta ao exercício, os escores não mudaram entre o período antes/após exercício, em relação ao consumo energético foi significativamente maior no exercício quando comparado com o controle, não havendo diferença da energia consumida em proteína, gordura ou carboidratos.

O ganho de energia ajustado ao gasto energético durante o exercício demonstrou que houve uma redução significativa do ganho relativo de energia pós-exercício em relação ao controle. Concluiu-se que, pelo menos inicialmente, nas condições do estudo, em indivíduos normais alimentados, o exercício de moderada intensidade aumenta os níveis plasmáticos de PYY, GLP-1 e PP, e causa uma redução da fome.

Exercício agudo de moderada intensidade poderia então produzir um balanço energético negativo de curta duração e redução do apetite e se for sustentado por longo período talvez possa exercer um papel importante na manutenção do peso. A "anorexia induzida pelo exercício" poderia estar ligada ao aumento de PYY, GLP-1 e PP durante o exercício físico.

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