Em 24/10/2015 foi realizado o 1o Simpósio de Psicologia e Diabetes da Santa Casa de BH, coordenado pelas Psicólogas Paula Lamego e Sônia Maulais, Mestres em Educação em Diabetes. Com a presença de 50 profissionais da Psicologia, membros de equipes dos três níveis de atenção à saúde (primária, secundária e terciária), em contato direto com pessoas com diabetes, o evento abordou a Interdisciplinaridade, a Psicologia Hospitalar e Diabetes, Problemas Emocionais Relacionados ao Diabetes e a Sobrecarga da Família/Cuidador no tratamento, além de extensa interação na apresentação do Projeto “Sempre Viva Bem com o Diabetes”, do Ambulatório de Diabetes Tipo 1 da Santa Casa de BH, o que mostra como os profissionais de Psicologia estão cada vez mais envolvidos no cuidado do portador de diabetes e de seus familiares.

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 Iniciar e aderir à insulinização é uma tarefa difícil, muitas vezes sofrida para o paciente, e que vem acompanhada de “lendas sociais negativas” e das barreiras do ponto de vista médico e do paciente.

A palavra insulina não raramente acompanha a leitura de “castigo, não seguimento das recomendações nutricionais e de atividade física, última opção, etc.” e dificilmente é encarada pelo ponto positivo, de alcance de metas glicêmicas com maior facilidade e prevenção das complicações da doença, com melhora da qualidade de vida.

Lembramos de tudo isso ao prescrever uma insulina ou ao receber a receita de um médico? Sabemos exatamente qual o universo envolvido nesta prescrição? Há mais de uma década institui-se o conceito de Resistência Psicológica à Insulina (PIR), uma relutância do paciente para iniciar a insulinização após a concordância com a nova terapia.

Um estudo publicado recente na revista Diabetes Care recordou uma dura estatística: 4.5 %...

O controle glicêmico adequado é fundamental na prevenção de complicações crônicas relacionadas ao Diabetes. Entretanto, apesar dos grandes avanços no tratamento, a maioria dos pacientes (mais de 70%) está fora das metas de bom controle glicêmico, sendo o tratamento um enorme desafio para o paciente, familiares, médicos e toda a equipe envolvida na assistência.

O enorme impacto no dia a dia dos pacientes causado pelo tratamento é aspecto fundamental no entendimento deste desafio. A literatura médica mostra diversas evidências de que um programa de educação continuada em Diabetes é ferramenta essencial para que se consiga alcançar bom controle da doença.

As chances de sucesso são maiores à medida que o paciente tenha consciência e entenda não apenas a importância do bom controle para a saúde e prevenção de complicações, como também o papel das medicações, noções básicas do metabolismo de glicose, nutrição, uso de monitores de glicose, cuidados com os pés, atividade...

A hipoglicemia no tratamento do diabetes, principalmente nos usuários de insulinas, na maioria das vezes resulta de uma incompatibilidade entre doses de insulinas, ingestão de alimentos e atividade física. Os sintomas, além de causarem mal estar, se não adequadamente tratados, podem ser a causa de ansiedade e pânico em diabéticos e cuidadores, ocupando hoje destaque entre as barreiras no tratamento intensivo do diabetes, sendo um fator limitante no alcance das metas de bom controle glicêmico.

E como lidar com essa situação? Educando em Diabetes. Quanto mais educado em Diabetes, menor o medo!

Dentro de um programa de educação é importante que pacientes e familiares sejam capacitados para o manejo básico dos episódios de hipoglicemias. Assim, vamos às regras básicas:

1- Definição de Hipoglicemia

No tratamento do diabetes, glicemias menores que 70 mg/dL são classificadas como hipoglicemias.

2- Reconhecimento dos sintomas

Além dos sintomas classicamente conhecidos, como tremores, palpitações, sudorese, fome...

Muitas doenças, principalmente quando acompanhadas de febre, aumentam os níveis das glicemias devido à liberação de hormônios de estresse, gerando um aumento na necessidade de insulina (seja a aplicada ou a produzida pelo próprio corpo).

Doenças associadas com vômitos e diarréia (exemplo: gastroenterite, muito comum na infância e adolescência) podem diminuir as glicemias e causar mais hipoglicemias do que hiperglicemias, devido à menor ingestão alimentar e pobre absorção dos nutrientes.

Algumas vezes a necessidade aumentada de insulina começa alguns dias antes da manifestação da doença e persiste até poucos dias depois da melhora do quadro clínico.

Regra geral nos dias de doença:

- NUNCA INTERROMPER O USO DA INSULINA: em presença de baixa ingestão alimentar é muito comum que as doses de insulinas não sejam aplicadas. Entre em contato com a equipe de saúde antes de qualquer atitude.

- MONITORAR A GLICEMIA MAIS FREQUENTEMENTE: as monitorizações domiciliares, entre 4-6 vezes...

A medida das glicemias na madrugada (por volta das 03h), indicada principalmente para os diabéticos tipo 1, que usam insulinas em múltiplas aplicações diárias, não raramente vem acompanhada de uma queixa, como:  “é chato, dá sono, é cansativo, eu esqueço, etc..”.

As medidas destas glicemias são importantes e essenciais para o sucesso do tratamento. Entenda a importância desta atitude e torne estas medidas uma arma poderosa no seu dia a dia.

FENÔMENO DO ALVORECER
X
EFEITO SOMOGYI

O diabético pode apresentar durante o seu tratamento 2 fenômenos importantes que ocorrem na madrugada:

1-    Fenômeno do Alvorecer: aumento nas glicemias que ocorrem nas primeiras horas da manhã, entre 05h e 08h. Durante a noite, o corpo libera um grupo de hormônios conhecidos como contra-reguladores, que são adrenalina, glucagon, cortisol e GH (hormônio do crescimento).  Estes hormônios estimulam a liberação de glicose pelo fígado e suprimem a atividade da insulina, causando aumento nas...

O Diabetes é uma doença crônica que demanda muitos cuidados, tanto físicos quanto psíquicos. No entanto, ela é controlável e o diabético pode canalizar sua energia para conseguir assumir esse controle assegurando uma melhor qualidade de vida.

A adaptação à nova rotina constitui-se num verdadeiro desafio, visto implicar em ajustamento a uma situação que exige alterações nas atividades da vida diária. Reações como negação, tristeza, confusão, constrangimento, raiva, ansiedade, desamparo e impotência são comuns, mas merecem ser escutadas e tratadas, para que se possa chegar à adaptação e melhor relação com a nova realidade.

O mais importante para lidar com tais sentimentos é que eles estejam claros para aqueles que os vivenciam. É também muito saudável procurar entendê-los, sem tentar reprimi-los. Alguns podem exigir cuidados imediatos, outros precisam ser vividos e compartilhados.

Estar sempre bem informado sobre a doença e sobre os cuidados necessários ajuda a não se impor limites...

Com o crescente aumento no número de casos de Diabetes Mellitus em todo o mundo, devemos ter atenção às complicações que podem estar associadas com o passar dos anos de diagnóstico da doença. Nosso olhar deve se focar nos rins, olhos e também nos pés.

A neuropatia diabética é a presença de sinais e sintomas de disfunção dos nervos periféricos em pessoas com diabetes. Esta lesão nos nervos periféricos, conseqüentes à hiperglicemia crônica, pode ocasionar perda de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa. Em alguns casos está também associada à lesão de fibras nervosas grossas, com alterações na sensação vibratória e perda da sensibilidade protetora dos pés.

É comum também, em presença de neuropatia, as alterações biomecânicas dos pés, que evoluem com deformidades e alterações nos pontos de pressão plantar, predispondo a ulcerações.

A presença da neuropatia é um fator de risco para o desenvolvimento do pé diabético, que neste caso, recebe...

O diabetes pode influenciar na saúde da boca, assim como as doenças da cavidade oral podem prejudicar o controle da glicemia. Atenção!

Assim como acontece em qualquer infecção, a doença periodontal pode dificultar o controle do diabetes. Mais do que isso, ela está ligada ao controle metabólico de modo bidirecional, influenciando e sofrendo influência do diabetes.

As doenças mais comuns na boca são:

1- Gengivite: é um estágio inicial da doença gengival e se caracteriza por gengivas vermelhas, inchadas ou flácidas e que podem sangrar durante a escovação ou o uso do fio dental.

2- Periodontite: é a progressão da gengivite não cuidada e que ataca e com o tempo destrói as estruturas que envolvem e sustentam os dentes, atingindo a gengiva, o osso da boca e a raiz do dente.

Outras doenças da boca:

HALITOSE (mau hálito): o portador de diabetes descontrolado pode apresentar odor semelhante ao cheiro de maçã...

A automonitorização é parte fundamental dos cuidados no diabetes e valores reais são fundamentais para o ajuste dos medicamentos, alimentação e exercícios. A orientação inicial para realização adequada da automonitorização glicêmica é lavar bem as mãos com água e sabão e secar antes do procedimento ou realizar limpeza local com algodão e álcool. Na correria do dia a dia observamos que isso nem sempre é realizado e as variações nos valores glicêmicos com técnicas não adequadas são pouco estudadas.

Um estudo publicado recentemente na revista Diabetes Care demonstrou alguns valores que valem a pena conferir, na tentativa de aprimorarmos constantemente essa técnica, que parece a olhos leigos “tão simples”.

Os pesquisadores avaliaram as concentrações glicêmicas em 123 diabéticos, na primeira e segunda gota de sangue utilizada para monitorização da glicemia, após lavagem correta das mãos e expostos a diferentes situações:

  • Sem lavar as mãos;
  • Após exposição das mãos a frutas;
  • Após exposição...

Muitos usuários de insulinas utilizam NPH com uma insulina rápida (regular ou ultrarrápida). Essas podem ser aplicadas no mesmo momento, numa mesma seringa, desde que seguida a técnica correta.

ATENÇÃO: As insulinas glargina e detemir não podem ser misturadas com nenhuma outra insulina na mesma seringa.

Lembre-se dos passos iniciais:

a. Lavar as mãos com água e sabão.
b. Separar a seringa e as insulinas.
c. Rolar o frasco de insulina de aspecto leitoso (NPH), levemente entre as mãos, por no mínimo 20 VEZES, para garantir ação correta da insulina.
d. Limpar a borracha dos frascos com álcool 70%.

Técnica de Mistura de Insulinas:

1- Introduza uma quantidade de ar na seringa igual à dose de insulina NPH prescrita pelo seu médico.

Seringa

2- Injete o ar dentro do frasco que contém a insulina NPH. Sem extrair a insulina, retire a agulha.

Seringa

3- Introduza uma quantidade de ar na seringa igual à dose de insulina REGULAR ou ULTRARRÁPIDA...

A família é o grupo primário de relacionamento no qual as ações, comportamentos e hábitos sofrem influências cíclicas e de múltiplos fatores. Assim sendo, cada membro tem seu estado de saúde influenciado por este contexto, bem como influência o funcionamento da unidade familiar.

O diabetes é uma doença crônica, com possibilidade de complicações futuras se um bom controle não é alcançado, e que se apresenta como um grande temor para as famílias, devido às experiências negativas compartilhadas com outros. Ao ser diagnosticado, exige modos de enfrentamento, mudanças no cotidiano do paciente e da família e um período de adaptação, que se refere à sua relação e da família com os alimentos, com os exercícios físicos, com as medicações, crenças, valores e com o processo educacional contínuo.

Em relação às crianças e adolescentes, os sentimentos dos pais frente à doença desempenham importante papel nas reações da criança, ou seja, as atitudes...

A adolescência é o estágio do desenvolvimento quando o gerenciamento dos cuidados do diabetes começa a ser transferido dos pais para o adolescente e habitualmente ocorrem de forma gradual, como um processo dinâmico e individual.

Infelizmente, pressões sociais  e influências próprias à idade, juntamente com o desejo de adaptação a esta fase da vida, pode ser tornar a prioridade para  alguns adolescentes, ocupando o lugar do aprendizado para o autocuidado na doença. Crescimento, desenvolvimento e mudanças durante a adolescência têm uma influência sobre a visão de vida dos adolescentes e  consequentemente, na autogestão da sua condição crônica.

Vários fatores influenciam no tratamento:

  1. Individuais: idade, sexo, grau de escolaridade, crenças individuais e características psicossociais;
  2. Relacionados à doença: terapia nutricional e medicamentosa, duração da doença;
  3. Familiar: estado civil dos pais, renda familiar, emprego e apoio da família;
  4. Sistema de saúde onde o diabético está inserido.

Um estudo publicado recentemente1 demonstrou que a...

Motivação de pacientes diabéticos tipo 1 para aprender contagem de carboidratos através de uma experiência cultural / estética - pôster 
A. C. Bianchi e cols. Italy.

Esta elegante apresentação animou a todos os que trabalham na área de contagem de carboidratos, uma terapia muitas vezes de difícil implementação e que exige grande motivação por parte da equipe de saúde, pacientes e familiares.

Durante 3 encontros guiados na “Pinacoteca de Brera”, em Milão, Itália, 54 pacientes receberam orientações dietéticas sobre como contar carboidratos dos alimentos expostos nas pinturas e foram divididos em dois grupos: os que já tinham uma noção de contagem de carboidratos (20) e os que não tinham. O educador explicou o valor artístico das pinturas associados com uma discussão do conteúdo dietético de cada alimento representado. Ao final da visita responderam um questionário a respeito da metodologia e estimativa de carboidratos de 21 alimentos.

Resultados:

• 92% dos pacientes acharam...

 Doenças psiquiátricas de várias naturezas têm sido relacionadas ao descontrole glicêmico e em muitos casos são pouco diagnosticadas no universo do tratamento do diabetes. Quando esta doença é a depressão, a situação ainda é mais grave, pois muitos dos sintomas se confundem com a situação da doença crônica, o não controle glicêmico, a preocupação com as complicações agudas e crônicas da doença, dentre outros. Assim, no meio a todo o universo da complexidade do tratamento do diabetes, a depressão fica sem diagnóstico, não raramente.

Alguns estudos demonstraram que a presença de sintomas depressivos aumenta a prevalência de complicações crônicas da doença e piora o controle glicêmico (hemoglobina glicada maior). Outros estudos encontraram uma chance 2 vezes maior de depressão em quem é diabético, sendo esta associação mais forte em presença da doença não controlada. Em alguns estudos, até cerca de 20% dos diabéticos tipo 2 foram diagnosticados com depressão, quando...

Os sistemas de saúde atuais, sejam os de medicina privada ou os públicos, enfrentam a realidade de consultórios médicos e ambulatórios cheios, transferindo para os pacientes o ônus de consultas rápidas e com longos períodos para retorno. Tal realidade traz para os endocrinologistas e para os pacientes diabéticos maiores dificuldades no tratamento e no alcance das metas terapêuticas.  

O tempo restrito para educar os diabéticos sobre sua doença e sobre as intervenções necessárias para o sucesso do tratamento, e muitas vezes a limitação de conhecimentos abrangentes na área educacional, acrescidos da escassa formação na área psicossocial, reforçam as barreiras originadas com o diagnóstico e a vivência do diabetes. As diretrizes internacionais e brasileiras no manejo do diabetes contemplam em suas recomendações a necessidade do investimento em educação em diabetes.

A Associação Americana de Educadores em Diabetes (AADE) defende documentos que suportam e esclarecem as regras para a prática da educação...

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