A Educação sob os olhos do EASD


Dra. Janice Sepúlveda Reis
Endocrinologista - Coordenadora do Ambulatório de Diabetes Tipo 1 da Santa Casa de BH
Doutora em Clínica Médica pelo Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Belo Horizonte
Coordenadora do Mestrado Profissional em Educação em Diabetes - IEP - Santa Casa de BH

Motivação de pacientes diabéticos tipo 1 para aprender contagem de carboidratos através de uma experiência cultural / estética - pôster 
A. C. Bianchi e cols. Italy.

Esta elegante apresentação animou a todos os que trabalham na área de contagem de carboidratos, uma terapia muitas vezes de difícil implementação e que exige grande motivação por parte da equipe de saúde, pacientes e familiares.

Durante 3 encontros guiados na “Pinacoteca de Brera”, em Milão, Itália, 54 pacientes receberam orientações dietéticas sobre como contar carboidratos dos alimentos expostos nas pinturas e foram divididos em dois grupos: os que já tinham uma noção de contagem de carboidratos (20) e os que não tinham. O educador explicou o valor artístico das pinturas associados com uma discussão do conteúdo dietético de cada alimento representado. Ao final da visita responderam um questionário a respeito da metodologia e estimativa de carboidratos de 21 alimentos.

Resultados:

• 92% dos pacientes acharam o método interessante e recomendaram essa experiência como uma forma motivadora para exercitar a terapia de contagem de carboidratos.
• 90% consideraram um aumento no conhecimento prévio sobre a contagem de carboidratos.
• 95-97% relataram que os aspectos artísticos e nutricionais das discussões aumentaram o entendimento sobre a terapia.
• 87% julgaram a combinação de dieta e informações culturais positivas.
• 87,8% afirmaram interesse em realizar um treinamento em contagem de carboidratos.
• 73% sentiram-se aptos a realizar mudanças em sua alimentação.
• 9.7% observaram necessidade de discutir com seus médicos sobre sua relação insulina/ carboidratos.
• Todos os participantes recomendariam esta experiência.

Os pesquisadores concluíram que introduzir a contagem de carboidratos num contexto cultural e inovador motiva a terapia em diabéticos tipo 1, atuando como produtiva ferramenta pedagógica.

Alta ingestão de proteínas e refeições processadas estão associados com aumento na incidência de Diabetes Tipo 2 – apresentação oral
U.C. Ericson e col, Sweden.

Este estudo acompanhou por 12 anos 27140 indivíduos, entre 45-74 anos, avaliando o consumo alimentar através de recordatório alimentar de uma semana, que incluía um registro do modo de preparo dos alimentos e identificaram após este período 1709 casos de diabetes.  Encontraram uma correlação positiva entre a alta ingestão de proteínas e comidas processadas com o diagnóstico de diabetes tipo 2. Sugerem que refeições combinadas entre proteínas e carboidratos, principalmente de alimentos integrais, sejam estimuladas em substituições a refeições processadas.

Deitas pobres em fibras, proteínas vegetais e gorduras poliinsaturadas estão associadas com inflamação e disfunção endotelial em Diabetes tipo 1 – apresentação oral
B.C.T. van Bussel e cols, UK.

Foram avaliadas 540 pessoas com diabetes tipo 1 por aproximadamente oito anos quanto ao estilo de vida e fatores de risco associados e à composição dietética de sua dieta: fibras, gordura, colesterol e proteínas. Foram encontrados aumento dos marcadores de disfunção endotelial em pessoas que tinham dietas com baixa ingestão de fibras, gorduras polinsaturadas e proteínas vegetais, o que reforça, segundo os autores, que a recomendação dietética preconizada pelas sociedades americana e européia de diabetes podem prevenir doenças cardíacas.

Ingestão de fibras e controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus: uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados - pôster
M. J.Azevedo e cols, Brasil.

Foram identificados 19447 estudos, sendo selecionados 12, incluindo 659 pacientes (605 DM 2) com duração de 8-24 semanas, com o objetivo de avaliar a ingestão de fibras e a melhora do controle glicêmico. O aumento na quantidade de fibras dietéticas (goma, psyllium, B-glucana) de 18,7 g para 42,5 g/dia reduziu em até 4,64% a HbA1c e 9.97 mg/dL na glicemia de jejum, devendo ser considerada insistentemente no plano alimentar dos diabéticos.

Medo de hipoglicemia em mães de crianças diabéticas tipo 1: uma comparação cultural – pôster

Frederick e cols. Bergen University College

O medo da hipoglicemia nas crianças diabéticas, especialmente pelas mães, é comparado culturalmente neste estudo, avaliado por questionários que quantificaram comportamentos para evitar hipoglicemias e preocupações sobre os episódios e conseqüências negativas dos mesmos em mães em 3 países.

Os pontos que obtiveram maior escore foram:

1-Avaliação do escore comportamental: as mães mantêm crianças com níveis glicêmicos mais altos em situações especiais e de risco e adotam preventivamente medidas para hipoglicemia.

2- Avaliação do escore de preocupações: as mães temem que as crianças não tenham ajuda ou alimentos disponíveis durante episódios de hipoglicemia e se preocupam comas conseqüências sociais e negativas da hipoglicemia.

  • Mães nos EUA, Noruega e Iran demonstraram níveis de preocupação semelhantes.
  • Mães iranianas demonstraram mais preocupações com a prevenção de hipoglicemia e suas conseqüências negativas.
  • Não foi demonstrada correlação entre medo de hipoglicemia e HbA1c.

Conclusão: medo de hipoglicemia tem relevância global no tratamento e similaridade entre diferentes culturas.

Não aderência a modificação do estilo de vida e seus determinantes em diabéticos tipo 2

S. J. Mumu, Bangladesh.

O estudo contou com 374 pacientes DM2 diagnosticados há mais de um ano de diferentes centros da Associação de Diabéticos de Bangladesh. Eles foram entrevistados com um questionário sobre adesão a dieta e autocuidados: fumo, automonitorização glicêmica, cuidados com os pés e exercício físico. Foram considerados como critério para boa adesão à dieta se os indivíduos tinham refeições em horários regulares, seguimento de recomendações de quantidade e qualidade das refeições. Na avaliação do autocuidado foram investigados: prática de exercícios físicos (30 minutos/dia), realização de monitorização glicêmica domiciliar, fumo e cuidados com os pés.

Resultados:

- 77% eram sobrepeso ou obesos;

-58% apresentavam A1c >7%;

-32% não realizavam glicemia capilar no domicilio e desses, 8% não achavam esse procedimento interessante;

- 62% participavam de programas de educação em diabetes e 24% nunca frequentaram aulas de educação em diabetes;

-70% não se preocupavam com cuidados com os pés;

-88% não aderiam à dieta e 25% não realizavam exercício físico regular.

Os autores concluíram que novas metas precisam ser implementadas para que esses pacientes possam aderir ao processo de educação em diabetes.

 

Beatriz Diniz Gabriel – Nutricionista – Ambulatório de Diabetes Tipo 1 da Santa Casa de Belo Horizonte

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