Cuide bem dos seus pés e não pise na bola!


Dra. Janice Sepúlveda Reis
Endocrinologista - Coordenadora do Ambulatório de Diabetes Tipo 1 da Santa Casa de BH
Doutora em Clínica Médica pelo Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Belo Horizonte
Coordenadora do Mestrado Profissional em Educação em Diabetes - IEP - Santa Casa de BH

Com o crescente aumento no número de casos de Diabetes Mellitus em todo o mundo, devemos ter atenção às complicações que podem estar associadas com o passar dos anos de diagnóstico da doença. Nosso olhar deve se focar nos rins, olhos e também nos pés.

A neuropatia diabética é a presença de sinais e sintomas de disfunção dos nervos periféricos em pessoas com diabetes. Esta lesão nos nervos periféricos, conseqüentes à hiperglicemia crônica, pode ocasionar perda de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa. Em alguns casos está também associada à lesão de fibras nervosas grossas, com alterações na sensação vibratória e perda da sensibilidade protetora dos pés.

É comum também, em presença de neuropatia, as alterações biomecânicas dos pés, que evoluem com deformidades e alterações nos pontos de pressão plantar, predispondo a ulcerações.

A presença da neuropatia é um fator de risco para o desenvolvimento do pé diabético, que neste caso, recebe tal denominação quando já apresenta lesões, ulcerações ou destruição de tecidos profundos, com variados e graus de doença vascular periférica.

Dados estatísticos mostram que o índice de prevalência da neuropatia sensitivo - motora periférica pode variar de 30 a 70%, dependendo das populações estudadas e dos critérios diagnósticos.

O Mais importante é a Prevenção e a Educação!

O rastreamento do pé deve ser realizado nos diabéticos do tipo 1, 5 anos após o diagnóstico e nos diabéticos do tipo 2, no momento do diagnóstico. O exame do pé pode ser realizado por um profissional de saúde, médico ou não, desde que esteja capacitado para tais cuidados.

A abordagem do pé diabético passa por cinco pontos cruciais:

1- Inspeção regular e exame do pé em risco;

2- Identificação do pé em risco;

3- Educação do paciente, família e dos profissionais de saúde;

4- Calçados adequados;

5- Tratamento da patologia não ulcerativa;

O exame deve ser realizado anualmente ou até com uma freqüência maior em caso de lesão já existente. Durante a inspeção regular, no exame físico, devem-se realizar os testes para diagnóstico da neuropatia, que consistem em:

- Monofilamento de Semmes Weinstein (10g) – percepção de pressão

- Diapasão de 128Hz – Percepção de vibração

- Pino ou palito – Discriminação

- Chumaço de algodão - Sensação tátil

- Reflexos – Tendão de Aquiles.

O resultado dos testes fornece o score neuropático que determina o risco para ulcerações.

É importante salientar que a prevenção é o melhor tratamento, e por isso, o auto cuidado é a principal medida a ser adotada pelo paciente com diabetes.

É recomendado aos pacientes que olhem para seus pés diariamente, pois eles fazem parte do esqueleto e da sustentação do corpo, além de exercerem fundamental papel durante a marcha.

Principais cuidados com os pés:  

  1.  Inspecionar os pés diariamente, inclusive entre os dedos. Caso não seja possível, buscar auxílio de outra pessoa.
  2. Lavar regularmente com água, que não deve ultrapassar 37º e enxugar bem, principalmente entre os dedos.
  3. Evitar andar descalço, mesmo dentro de casa.
  4. Não usar lâminas ou agentes químicos para remover calos (estes devem ser removidos por profissionais especializados).
  5. Cortar as unhas de forma reta, sem aprofundar os cantos.
  6. Usar sapatos com largura adequada e sem costuras internas.
  7. Usar meias de algodão que não apertem os tornozelos, sem costuras internas e trocá-las diariamente.
  8. Notificar qualquer ocorrência de bolhas, calos ou ferimento à equipe de saúde responsável.

Além disso, é importante adotar palmilhas ortopédicas de confecção individualizada, para redistribuir a carga plantar e eliminar os pontos de pressão. As palmilhas também estão bem indicadas na presença de calos, alterações no arco plantar (pé cavo ou pé plano) e no caso de amputações.

Com os cuidados pode-se prevenir em até 50% o risco de lesões nos pés!

Faça a sua parte e tenha um pé saudável!

Referências:

-IWGDF, Holland, 1999.  International Consensus on the Diabetic Foot. Versão Brasileira. Andrade AC, Pedrosa HC (trads.), SES-DF, 2001

-Escola de Saúde Pública. Curso de atualização profissional em manejo clínico do pé diabético. 2008.

 

Izabela Maíra Sena
Fisioterapeuta da Coordenação de Reabilitação da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Especialista em reabilitação cardíaca e exercício físico para grupos especiais. Responsável pelo Serviço de Fisioterapia do Ambulatório da Santa Casa de Belo Horizonte. Capacitada no tratamento de pé diabético pelo Hospital Regional de Taguatinga - DF.

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