Lidando com o Diabetes


Dra. Janice Sepúlveda Reis
Endocrinologista - Coordenadora do Ambulatório de Diabetes Tipo 1 da Santa Casa de BH
Doutora em Clínica Médica pelo Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Belo Horizonte
Coordenadora do Mestrado Profissional em Educação em Diabetes - IEP - Santa Casa de BH

O Diabetes é uma doença crônica que demanda muitos cuidados, tanto físicos quanto psíquicos. No entanto, ela é controlável e o diabético pode canalizar sua energia para conseguir assumir esse controle assegurando uma melhor qualidade de vida.

A adaptação à nova rotina constitui-se num verdadeiro desafio, visto implicar em ajustamento a uma situação que exige alterações nas atividades da vida diária. Reações como negação, tristeza, confusão, constrangimento, raiva, ansiedade, desamparo e impotência são comuns, mas merecem ser escutadas e tratadas, para que se possa chegar à adaptação e melhor relação com a nova realidade.

O mais importante para lidar com tais sentimentos é que eles estejam claros para aqueles que os vivenciam. É também muito saudável procurar entendê-los, sem tentar reprimi-los. Alguns podem exigir cuidados imediatos, outros precisam ser vividos e compartilhados.

Estar sempre bem informado sobre a doença e sobre os cuidados necessários ajuda a não se impor limites além daqueles que são necessários. Neste sentido, o contato com outros pacientes com diabetes torna-se bastante proveitoso, além de propiciar uma rica troca de experiências. Como os aspectos emocionais têm uma grande relevância no Diabetes Mellitus, procurar um acompanhamento psicológico é de grande ajuda.

Para contribuir com esse processo, no Ambulatório de Diabetes Tipo 1 da Santa Casa de BH existe o projeto “Diabem no Diabetes”, que engloba consultas individuais com psicólogas, terapia em grupo, e dentro do Programa de Educação em Diabetes, discussões sobre a importância do acompanhamento psicológico, crenças e mitos e desmistificação dos profissionais da saúde mental.

Dentre os temas mais abordados no projeto, está a responsabilização pelo tratamento. Tal tema vem sendo longamente debatido pelo grupo, onde foram elaboradas frases importantes que resumem a participação do sujeito no tratamento e que, conforme relatos são incorporados no cotidiano:

1 -“Posso com responsabilidade, posso só um pouquinho às vezes, mas se me informo corretamente, posso me alimentar bem e me é permitida uma escolha. Assim, sinto-me mais forte para prosseguir como dono da minha história”.

2- “Sou uma pessoa portadora de Diabetes, mas a minha vida não se resume nisso: tenho atividades, aspirações e desejos”

3- “Não tenho que olhar o que perdi, mas o que eu tenho a ganhar agora”.

4- “Devo seguir a receita do médico, não a minha própria receita”.

5- “As pessoas mais próximas de mim precisam saber que eu tenho diabetes e como podem me ajudar em uma crise”.

6- “Não preciso ser superprotegido”.

7- “Preciso tomar conhecimento do que me ocorre, conhecer o meu organismo, aprender sempre novas maneiras de me alimentar melhor, praticar exercícios físicos e evitar situações estressantes”.

8- “Evito a preocupação, ela não me leva a lugar nenhum, além de aumentar a ansiedade, pois preocupação é medo”.

9- “Perguntar, se informar, é melhor que ter dúvidas e se prejudicar”.

Lembrem-se: “Responsabilizar-se pelo tratamento é tornar-se gerente da própria vida”.

Por Sônia Maulais e Paula Lamego- Equipe de Psicologia- Santa Casa de Belo Horizonte.

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